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Pescador cai de barco em mar agitado, passa cerca de 96 horas à deriva sem comida nem água potável e sobrevive agarrado a placa de espuma até ser visto por navio militar
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 02/09/2026 às 21:15
Atualizado em 02/09/2026 às 21:16
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Sozinho no mar durante quatro dias, Truong Van Trung viu embarcações passarem sem notá-lo, bebeu água salgada contra a sede e amarrou aos braços a única peça que o mantinha flutuando
Uma saída para trabalhar no mar se transformou em uma luta de aproximadamente 96 horas pela sobrevivência para o pescador Truong Van Trung, de 46 anos. Depois de cair de uma embarcação pesqueira na noite de 12 de agosto de 2026, no Vietnã, ele não conseguiu retornar ao barco e acabou sozinho em alto-mar.
Sem comida e sem qualquer reserva de água potável, Trung conseguiu alcançar uma placa preta de espuma de aproximadamente 80 centímetros, amarrou o objeto aos próprios braços e passou quatro dias e quatro noites tentando permanecer sobre a superfície.
O pescador chegou a observar outros barcos à distância e tentou chamar a atenção das tripulações, mas ninguém o percebeu. Somente em 16 de agosto, já extremamente debilitado, ele foi localizado por militares que navegavam nas proximidades de uma área petrolífera a dezenas de quilômetros da costa.
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Uma queda durante a noite deixou o pescador vendo o próprio barco desaparecer
Trung trabalhava havia anos no setor pesqueiro e estava novamente em uma embarcação quando tudo aconteceu. Segundo relato publicado pelo Tuổi Trẻ News, ele havia ido para a parte traseira do barco quando acabou lançado ao mar em meio às condições agitadas.
Outra reconstrução publicada pelo VnExpress aponta que eram aproximadamente 20h de 12 de agosto e que o pescador estava próximo à lateral da cabine, falando ao telefone, quando caiu na água.
Independentemente da pequena diferença entre os relatos sobre o instante da queda, as fontes coincidem no que aconteceu em seguida: a corrente era forte e Trung não conseguiu alcançar novamente a embarcação.
Ele começou a gritar por ajuda, mas ninguém ouviu.
Em poucos momentos, o pescador viu as luzes do barco ficando cada vez menores até desaparecerem no horizonte. Na escuridão, restava encontrar alguma maneira de não afundar.
Placa preta de espuma de cerca de 80 centímetros se tornou sua única forma de permanecer na superfície
Por acaso, uma placa de espuma que estava próxima ao local também caiu no mar. O objeto tinha cerca de 80 centímetros de comprimento e largura, segundo a reconstrução publicada pelo VnExpress.
Trung nadou até a peça e conseguiu se apoiar nela.
A espuma possuía pequenas cordas. Percebendo que poderia perder o objeto caso dormisse, ficasse inconsciente ou simplesmente não tivesse mais forças para segurá-lo, o pescador utilizou as próprias cordas para prender a placa aos braços.
A partir daquele momento, aquele pequeno pedaço de material passou a representar a diferença entre continuar flutuando e desaparecer no mar.
Trung contou posteriormente que sabia que não poderia soltá-lo.
Durante os dias seguintes, permaneceu agarrado à espuma enquanto era carregado pelas correntes, sem saber exatamente para onde estava sendo levado.
Sem comida e sem água potável, pescador chegou a beber água do próprio mar
Não havia alimento, garrafa de água ou qualquer suprimento junto com Trung.
Durante aproximadamente quatro dias, o pescador ficou sem comer e sem acesso a água doce. Com a sede aumentando, acabou tomando uma decisão perigosa: bebeu água salgada do próprio mar na tentativa de suportar mais algum tempo.
Ele também começou a perder a noção das horas.
Sem relógio ou outro meio de acompanhar o tempo, Trung passou a observar o nascer e o pôr do sol para tentar contar quantos dias haviam se passado desde a queda.
A exposição constante também começou a deixar marcas no corpo. Além do desgaste físico, o pescador sofreu com o sol, o sal e o atrito contínuo contra a placa que o mantinha flutuando.
Ainda assim, continuou segurando o objeto.
Outros barcos chegaram a passar pela região, mas ninguém percebeu o homem no meio do oceano
Em alguns momentos, Trung chegou a acreditar que o resgate estava próximo.
O pescador relatou ter visto outras embarcações passando à distância durante o período em que permaneceu à deriva.
Ele levantou os braços e tentou gritar para chamar a atenção, mas a distância era grande demais.
Os barcos seguiram viagem.
À medida que as horas passavam, as forças diminuíam. Para continuar resistindo, Trung contou que pensava nos dois filhos e tentava se convencer de que precisava permanecer vivo.
A placa preta continuava presa aos braços.
Navio militar percebeu um homem flutuando próximo a campo petrolífero
A situação mudou na tarde de 16 de agosto.
O navio 743, da Hải đoàn 129 da Marinha Popular do Vietnã, navegava nas proximidades do campo petrolífero de Thăng Long quando integrantes da tripulação perceberam algo incomum na água.
Era uma pessoa.
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades vietnamitas, Trung foi avistado aproximadamente às 18h, cerca de duas milhas náuticas a leste da plataforma petrolífera de Thăng Long.
A área fica aproximadamente 80 milhas náuticas da costa, o equivalente a cerca de 148 quilômetros.
As condições naquele momento também dificultavam a aproximação. O mar estava agitado, havia vento e começava a escurecer.
Ao perceber a embarcação, Trung ainda tentou levantar um braço para sinalizar.
Mais tarde, contou que já estava tão debilitado que praticamente não tinha forças para fazer o movimento.
Tripulação lançou boia e corda antes de conseguir retirar pescador do mar
O comandante Hoang Quoc Tuan determinou que a tripulação iniciasse imediatamente a operação de resgate.
Os militares aproximaram o navio, lançaram uma boia e uma corda e tentaram alcançar o pescador em meio às ondas.
A operação não foi instantânea.
Cerca de uma hora depois de ter sido avistado, por volta das 19h, Trung finalmente estava dentro do navio.
Quando foi retirado da água, havia um detalhe que chamou a atenção: ele ainda continuava segurando a placa preta de espuma que o acompanhara durante toda a deriva.
Após cerca de quatro dias no mar, o pescador estava extremamente fraco, desidratado e com dificuldade até para recordar algumas informações sobre a embarcação da qual havia caído.
Corpo tinha queimaduras, abrasões e marcas provocadas pelos quatro dias no mar
Os militares começaram a prestar atendimento ainda a bordo.
Trung recebeu água doce, leite, mingau de arroz, medicamentos e cuidados médicos.
O corpo apresentava pequenas feridas, irritação na pele, queimaduras provocadas pela exposição prolongada ao sol e diversas abrasões no abdômen causadas pelo contato constante com a espuma.
Apesar das condições em que foi encontrado, sua recuperação começou rapidamente.
No dia seguinte, o pescador já apresentava quadro considerado estável.
Quando voltou a beber água doce, Trung comentou sobre como algo aparentemente comum havia adquirido outro significado depois de passar dias no oceano sem ter o que beber.
Depois de voltar para terra firme, pescador decidiu guardar a espuma que o manteve vivo
O navio militar retornou ao porto da Hải đoàn 129, na região de Ho Chi Minh, na manhã de 18 de agosto de 2026.
Por volta das 10h30, a embarcação atracou. Pouco depois, Trung voltou a pisar em terra firme e foi encaminhado para avaliação médica.
Ele estava consciente e conseguia conversar normalmente.
Mas não pretendia abandonar o objeto que o acompanhara durante os quatro dias no mar.
Segundo o VnExpress, o pescador decidiu levar para casa a placa preta de espuma, guardando-a como lembrança do episódio e do objeto improvisado que o manteve sobre a água até que finalmente fosse localizado.
A experiência também pode mudar sua vida profissional.
Depois de aproximadamente 15 anos ligado à pesca, Trung afirmou que pretende deixar o trabalho em alto-mar e procurar uma atividade mais próxima de casa.
A peça de espuma que por dias permaneceu presa aos seus braços também voltou com ele para terra firme.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

