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Homem de 57 anos sai para pescar por menos de uma hora antes do trabalho, motor do barco apaga e ele passa 26 dias à deriva no Pacífico comendo peixes, ave e coco até ser visto por navio rumo à China
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 03/09/2026 às 13:19
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Esau Sidemo pretendia voltar para casa ainda pela manhã, mas uma pane em seu pequeno barco o levou para o oceano aberto, onde precisou improvisar alimento e água até um resgate improvável
O que deveria ser uma pescaria rápida antes de mais um dia de trabalho terminou em 26 dias sozinho no meio do Oceano Pacífico. Esau Sidemo, de 57 anos, saiu de casa ainda de madrugada para buscar alguns peixes para a família, usando um pequeno barco que costumava levar apenas algumas milhas para longe da costa.
Ele não planejava permanecer muito tempo no mar. A intenção era pescar por apenas 30 minutos a uma hora e depois seguir para o trabalho, mas o motor da embarcação apagou antes mesmo de ele começar a pescar. Sem conseguir fazê-lo funcionar novamente, Esau viu a corrente empurrar lentamente seu barco para cada vez mais longe da região de Pulau Batang Dua, em Ternate, na Indonésia.
Pescaria antes do trabalho terminou com barco sendo levado para alto-mar
Esau saiu por volta das 4h30 de 7 de julho de 2026, segundo o relato dado por ele posteriormente e as informações divulgadas pelas equipes locais de busca. A ANTARA registrou a partida como tendo ocorrido no dia 6, mas fontes ligadas ao resgate e o próprio sobrevivente apontam o dia 7.
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Além de pescar, Esau trabalha como servidor público no escritório distrital de Pulau Batang Dua. Naquela manhã, seu objetivo era conseguir peixe para consumo da família e retornar rapidamente. O ponto onde costumava pescar ficava aproximadamente 2,5 milhas náuticas de Desa Bido.
A pequena embarcação de fibra tinha aproximadamente 2 GT e utilizava um motor de 15 HP. Como seria uma saída curta, Esau não carregava comida, peças sobressalentes para o motor ou qualquer preparação para permanecer dias no oceano. Levava somente menos de um litro de água.
Antes que pudesse começar a pescar, entretanto, o motor parou completamente. Esau tentou repará-lo repetidas vezes, sem sucesso. Enquanto permanecia concentrado na tentativa de resolver a pane, vento e corrente já empurravam a embarcação em direção ao oceano aberto.
No primeiro dia, ele ainda viu embarcações — mas ninguém conseguiu resgatá-lo
Nas primeiras horas, a possibilidade de voltar parecia real. Esau relatou ter visto embarcações passando pela região e chegou a observar um ferry que seguia em direção a Bitung, no norte da ilha de Sulawesi.
Nenhuma delas, porém, parou. Quando anoiteceu, o pequeno barco já estava cada vez mais distante da terra, enquanto o tempo piorava e ondas atingiam a embarcação.
A partir dali, o problema deixou de ser simplesmente recuperar o motor. Esau agora precisava descobrir como permanecer vivo sem saber quanto tempo demoraria até que alguém o encontrasse.
Peixe que saltou para dentro do barco virou uma das primeiras refeições
Sem comida preparada, Esau passou a depender do que aparecesse no caminho. Em determinado momento, um peixe saltou sozinho para dentro da embarcação enquanto ele dormia. O animal foi consumido cru e dividido em pequenas porções.
Mais tarde, ele conseguiu outro peixe. Em vez de consumir tudo imediatamente, passou a secar partes da carne ao sol, tentando criar uma pequena reserva que pudesse durar vários dias.
Durante a deriva também encontrou dois cocos flutuando no oceano. Um deles praticamente não tinha mais nada aproveitável; no outro, Esau retirou as partes que ainda podiam ser consumidas e chegou a secá-las para prolongar o alimento.
A situação voltou a ficar crítica conforme as reservas terminavam. Já aproximadamente na terceira semana, uma ave marinha pousou no barco. Esau conseguiu capturá-la e também utilizou sua carne como alimento, novamente separando partes e deixando-as secar ao sol para que durassem mais tempo.
Menos de um litro de água se transformou em uma luta diária contra a sede
A água era um problema ainda mais sério. Esau havia saído com aproximadamente um litro — ou pouco menos — porque esperava voltar para casa naquela mesma manhã.
Depois que o estoque terminou, a chuva tornou-se sua principal fonte de água potável. Quando chovia, ele tentava recolher e armazenar tudo o que conseguia dentro da pequena embarcação.
Em relatos posteriores sobre os momentos mais extremos da deriva, Esau afirmou que chegou a beber água do mar e até a própria urina quando já enfrentava forte sede e não havia água da chuva disponível. A exposição contínua ao sol e à água salgada também provocou problemas na pele.
Enquanto ele tentava sobreviver no Pacífico, sua família havia comunicado o desaparecimento às autoridades. Buscas foram realizadas, mas não conseguiram localizar o pequeno barco. No fim de julho, familiares chegaram a acreditar que Esau provavelmente já estivesse morto.
Pequeno barco não apareceu no radar do navio que acabou salvando sua vida
A situação mudou em 1º de agosto de 2026. Depois de aproximadamente 26 dias à deriva, Esau estava no Pacífico quando o gigantesco LNG Endeavour, de bandeira francesa, atravessou a região durante uma viagem da Austrália para a China.
A diferença de tamanho era enorme. O LNG Endeavour é um navio especializado no transporte de gás natural liquefeito com aproximadamente 293 metros de comprimento e capacidade de 174 mil metros cúbicos de GNL.
O pequeno barco de Esau, porém, não foi detectado pelos radares ou equipamentos de navegação do navio. O resgate só aconteceu porque um tripulante percebeu visualmente alguma coisa sobre a água.
Segundo o relato posterior de Esau, o tripulante estava em uma área externa quando enxergou seu barco a apenas 80 ou 90 metros de distância. O LNG Endeavour já havia praticamente ultrapassado a pequena embarcação quando a tripulação reagiu e mudou o curso.
Depois de 26 dias quase sem forças, Esau ainda pulou no Pacífico e nadou até o navio
Esau contou que estava dormindo quando percebeu que o enorme navio se aproximava. Ao entender que finalmente havia sido visto, reuniu as forças que ainda tinha.
Ele saltou da própria embarcação e começou a nadar em direção ao LNG Endeavour. Tripulantes lançaram um equipamento de flutuação e conseguiram levá-lo para bordo.
O resgate ocorreu por volta das 17h23, nas coordenadas 07°33.5′ N e 138°59.7′ E. Ele estava debilitado, mas consciente, e recebeu atendimento médico dentro do próprio navio.
Como havia dificuldade de comunicação entre Esau e os tripulantes, a equipe utilizou ferramentas de tradução para conversar com ele. Seu estado também foi acompanhado durante a viagem, enquanto o LNG Endeavour continuava navegando em direção à China.
O navio finalmente seguiu até a região de Shanghai, e autoridades indonésias passaram a organizar o retorno do sobrevivente. Esau voltou à Indonésia em agosto, encerrando uma viagem que deveria ter durado menos de uma hora e que, por causa de uma única pane no motor, acabou transformada em 26 dias de sobrevivência no Pacífico.
Fontes
ANTARA
Narasi Timur
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

