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Coreia do Sul fecha com a GE a compra de 12 turbinas a gás LM2500+G4 para mover os seis destróieres KDDX que vão substituir a espinha dorsal da frota sul-coreana
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 03/09/2026 às 23:18
Atualizado em 03/09/2026 às 23:20
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A Coreia do Sul fechou com a GE Aerospace a compra de doze turbinas a gás para mover os seis destróieres do programa KDDX, e essa escolha aparentemente técnica é uma das decisões mais irreversíveis de todo o projeto, porque define espaço, consumo e manutenção do navio pelas próximas décadas.
O anúncio foi divulgado em 1º de setembro de 2026 e detalhado pelo portal Naval News. Conforme a publicação, a Marinha da República da Coreia selecionou a fabricante norte-americana para fornecer 12 turbinas do modelo LM2500+G4, distribuídas entre seis navios da nova classe.
Cada LM2500+G4 entrega cerca de 47.370 shp de potência no eixo e é o membro mais potente da família LM2500, segundo a fabricante. São duas turbinas por casco, o que indica um arranjo de propulsão convencional para navios dessa categoria. O KDDX é o programa com que os sul-coreanos pretendem substituir a geração de destróieres que hoje sustenta a frota, com casco de desenho nacional e boa parte da eletrônica desenvolvida no próprio país.
Os navios devem deslocar cerca de 8.000 toneladas, com 155 metros de comprimento, 18,8 metros de boca e 9,5 metros de calado. O armamento previsto inclui 64 células de lançamento vertical, sendo 48 à vante e 16 à ré. O contrato de projeto detalhado e construção do primeiro navio foi assinado com a Hanwha Ocean, e a entrega da unidade líder está prevista para o fim de 2032.
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Paulo Nogueira
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Por que a escolha do motor decide o navio inteiro
Quem olha de fora tende a achar que o coração de um navio de guerra é o radar ou o sistema de mísseis. Na prática, a propulsão é o que amarra o projeto todo. A turbina define quanto espaço da praça de máquinas fica ocupado, quanto combustível o navio carrega para atingir determinada autonomia, quanto calor precisa ser dissipado e por onde passam os dutos de exaustão.
Cada uma dessas variáveis empurra o resto do desenho. Duto de exaustão, por exemplo, atravessa a superestrutura e disputa espaço com mastro, antena e sensores. Assim, mudar de motor no meio do projeto não é trocar uma peça, é redesenhar o navio. É por isso que essa é uma das primeiras decisões travadas em qualquer programa naval.
Há ainda o fator manutenção, que dura toda a vida útil do casco. Escolher uma turbina significa escolher a cadeia de peças, o treinamento da tripulação de máquinas e o ciclo de revisão pelos próximos trinta ou quarenta anos. Segundo a lógica desse mercado, é uma decisão de longuíssimo prazo disfarçada de compra de equipamento.
Um modelo consagrado numa frota que quer ser diferente
O detalhe interessante aqui é a combinação. A família LM2500 é amplamente usada em marinhas de vários países há décadas, o que significa base industrial madura, suporte consolidado e risco técnico baixo. O KDDX, por outro lado, é justamente o projeto em que a Coreia do Sul aposta em desenho e eletrônica próprios.
Ou seja, o país escolheu inovar onde o ganho estratégico é maior, que é radar, sistema de combate e integração, e escolheu o caminho seguro onde a falha seria mais cara e mais difícil de corrigir. É uma divisão de risco bastante racional para quem está construindo credibilidade em um programa de porte.
Recentemente, a Coreia do Sul se transformou em um dos maiores exportadores de material de defesa do mundo, vendendo blindados, artilharia e aeronaves de combate para países europeus e asiáticos. Um destróier de projeto próprio, bem resolvido e entregue no prazo, é o passo seguinte natural dessa trajetória, porque navio de superfície de grande porte é o produto de maior valor agregado desse mercado.
O que ainda não se sabe
O anúncio não detalha valores do contrato nem o cronograma de entrega das turbinas, e também não informa se haverá produção ou montagem local de parte dos conjuntos, prática comum em programas navais que envolvem transferência de tecnologia. São informações que costumam aparecer conforme o programa avança.
Conforme o histórico do setor, vale acompanhar esse ponto porque a política industrial sul-coreana tem histórico de exigir contrapartida local em compras de defesa. A forma como isso for negociado dirá bastante sobre quanto do KDDX será, de fato, coreano.
Para quem acompanha o setor naval brasileiro, o caso serve de referência incômoda e útil ao mesmo tempo. A Coreia do Sul partiu de uma indústria de construção naval comercial forte e a converteu, ao longo de décadas e com encomendas contínuas, em capacidade militar exportadora. O ingrediente que sustentou isso não foi tecnologia importada, foi continuidade de programa.
Enquanto isso, o que se vê aqui é a notícia aparentemente burocrática de uma compra de motor. No entanto, é assim que programa naval de verdade avança: decisão por decisão, cada uma fechando portas e abrindo outras, muito antes de qualquer casco tocar a água. Queria saber o que você acha de um país apostar em desenho próprio e comprar o motor pronto lá fora.
Desenhar o navio em casa e importar a turbina é independência ou dependência disfarçada?
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Fontes
Naval News
Army Recognition
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

