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Casa de repouso fecha da noite para o dia na Califórnia, todos os funcionários vão embora sem salário e apenas o cozinheiro e o zelador ficam para trás, cuidando sozinhos dos idosos abandonados por três dias, sem receber um centavo, até as autoridades chegarem
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 03/09/2026 às 23:00
Atualizado em 03/09/2026 às 23:01
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Maurice Rowland, de 35 anos, e Miguel Alvarez, de 34, ficaram com cerca de 16 moradores do Valley Springs Manor depois que o restante da equipe deixou o local sem salário. O caso, contado ao StoryCorps e exibido pela rádio NPR, resultou em uma nova lei na Califórnia em 2014
Quando a casa de repouso Valley Springs Manor, na Califórnia, fechou, muitos de seus residentes ficaram sem ter para onde ir. Os funcionários foram embora quando pararam de receber salário, com exceção de dois: o cozinheiro Maurice Rowland e o zelador Miguel Alvarez, que permaneceram no prédio para cuidar dos idosos que ficaram.
O relato foi ao ar no programa Morning Edition, da rádio pública americana NPR, em 21 de novembro de 2014, em gravação feita pelo projeto StoryCorps e produzida por Jud Esty-Kendall. O fechamento havia ocorrido no outono anterior.
Cerca de 16 moradores ficaram para trás
“Cerca de 16 moradores ficaram para trás, e tivemos uma conversa na cozinha: ‘O que vamos fazer?’”, conta Rowland.
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A decisão foi tomada ali, entre os dois únicos trabalhadores que ainda estavam no local, sem chefia, sem colegas e sem previsão de pagamento.
“Se fôssemos embora, eles não teriam ninguém”
“Se fôssemos embora, eles não teriam ninguém”, resume Alvarez, de 34 anos.
A frase descreve o cálculo que os dois fizeram: sair significava deixar um grupo de idosos dependentes sem qualquer adulto responsável dentro de uma instituição que já não funcionava.
Cozinheiro e zelador viraram cuidadores em tempo integral
Os papéis dos dois se transformaram rapidamente, porque os moradores idosos precisavam de cuidados 24 horas por dia.
Nenhum dos dois tinha sido contratado para isso. Um preparava as refeições, o outro cuidava da manutenção do prédio, e de repente ambos respondiam por alimentação, higiene, medicação e segurança de mais de uma dezena de pessoas.
Alvarez só ia em casa por uma hora
“Eu só ia para casa por uma hora, tomava banho, me vestia e depois ficava lá 24 horas por dia”, diz Alvarez.
A rotina descrita mostra que a permanência não foi um turno estendido, e sim uma ocupação contínua do prédio, com o zelador voltando para a casa de repouso logo depois de se lavar.
Rowland distribuía os medicamentos dos idosos
Rowland, de 35 anos, lembra-se de distribuir medicamentos durante aqueles longos dias.
Ele diz que não queria deixar os residentes à própria sorte, e alguns deles lidavam com demência, condição que exige supervisão constante e torna inviável qualquer autonomia dentro de uma casa vazia de profissionais.
Medo de incêndio na cozinha pesou na decisão
“Eu simplesmente não conseguia me imaginar voltando para casa. Dali a pouco, eles estariam na cozinha tentando cozinhar a própria comida e acabariam incendiando tudo”, diz Rowland.
“Embora não fossem da nossa família, eles foram como se fossem nossa família por aquele curto período de tempo”, completa o cozinheiro.
Abandono na infância marcou a escolha do zelador
Para Alvarez, a situação trouxe à tona memórias de sua infância.
“Meus pais, quando eram mais jovens, me abandonaram”, diz ele. “Sabendo como eles se sentiriam, eu não queria que eles passassem por isso.” A referência é ao que os idosos sentiriam se fossem deixados sozinhos, experiência que o zelador conhecia por ter vivido algo semelhante quando criança.
Bombeiros e xerife assumiram o caso depois de vários dias
Alvarez e Rowland passaram vários dias cuidando dos idosos residentes do Valley Springs Manor até que o corpo de bombeiros e o xerife assumiram o controle da situação.
Só a partir da chegada das autoridades a responsabilidade pelos moradores deixou de estar nas mãos de dois trabalhadores sem treinamento em cuidados, encerrando o período em que a casa funcionou apenas com o cozinheiro e o zelador.
Caso deu origem a uma lei na Califórnia em 2014
O incidente levou à criação de uma lei na Califórnia conhecida como Lei de Reforma dos Cuidados Residenciais para Idosos de 2014.
O episódio deixou de ser um caso isolado de uma instituição e virou referência para mudanças nas regras estaduais sobre casas de repouso, mesmo ano em que o relato dos dois foi exibido pela NPR.
“Teria pesado na minha consciência por muito tempo”
“Se eu tivesse ido embora, acho que isso teria pesado na minha consciência por muito tempo”, diz Rowland.
A declaração fecha o depoimento gravado pelo StoryCorps e resume a razão apresentada pelos dois para ter ficado: não a obrigação profissional, que havia acabado com o salário, mas a impossibilidade de deixar os idosos sozinhos.
Situação atual: relato foi ao ar em novembro de 2014, já com a lei criada
Quando o depoimento foi exibido pela NPR, em 21 de novembro de 2014, o Valley Springs Manor já estava fechado, os moradores já haviam sido assumidos pelo corpo de bombeiros e pelo xerife, e a Lei de Reforma dos Cuidados Residenciais para Idosos de 2014 já existia na Califórnia.
A gravação não informa a data exata do fechamento, o nome dos responsáveis pela casa de repouso nem o destino dos cerca de 16 moradores depois da intervenção das autoridades. O que está registrado é a permanência de Maurice Rowland e Miguel Alvarez no prédio, por vários dias, cuidando sozinhos de idosos que dependiam de atenção 24 horas por dia.
Na sua opinião, a lei criada depois do caso do Valley Springs Manor resolve o problema, ou o abandono de idosos em casas de repouso que fecham sem aviso depende mais de fiscalização do que de nova legislação? Deixe sua opinião nos comentários.
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Valley Springs Manor cozinheiro e zelador
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

