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Casal quebra piso da cozinha durante reforma, pensa ter atingido um cabo elétrico e encontra mais de 260 moedas de ouro enterradas a poucos centímetros do concreto, tesouro de 1610 a 1727 vai a leilão e alcança cerca de R$ 5,2 milhões
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/09/2026 às 11:04
Curiosidades
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Reforma de cozinha revela mais de 260 moedas de ouro enterradas havia séculos na Inglaterra e tesouro alcança cerca de R$ 5,2 milhões em leilão.
Um casal que reformava a cozinha de sua casa em Ellerby, no norte da Inglaterra, esperava encontrar tubulações, fundações antigas ou instalações elétricas sob o piso. Em julho de 2019, porém, ao remover o revestimento e trabalhar sobre o concreto, os proprietários sentiram uma resistência no solo que inicialmente imaginaram ser um cabo elétrico. Ao investigar, encontraram um pequeno recipiente de cerâmica abarrotado com mais de 260 moedas de ouro, algumas cunhadas no início do século XVII.
Segundo a Smithsonian Magazine, o conjunto estava enterrado apenas cerca de 15 a 20 centímetros abaixo do piso, dentro de um recipiente de cerâmica de tamanho semelhante ao de uma lata de refrigerante.
As moedas cobriam um intervalo de mais de um século, entre 1610 e 1727. Três anos depois da descoberta, o tesouro foi levado a leilão pela casa britânica Spink e, contra uma estimativa inicial de 250 mil libras, acabou vendido por 754 mil libras, equivalentes a aproximadamente R$ 5,2 milhões pela cotação atual.
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A reforma parecia comum até o piso esconder alguma coisa
O casal, que preferiu permanecer anônimo, vivia havia cerca de dez anos na propriedade quando decidiu fazer melhorias na residência. A casa fica em Ellerby, uma pequena localidade de North Yorkshire, no nordeste da Inglaterra, e tem origem no século XVIII.
Durante a reforma da cozinha, o piso antigo foi retirado. Foi então que os proprietários encontraram uma obstrução sob o concreto.
A primeira hipótese não envolvia ouro.
Eles acreditaram ter alcançado algum tipo de instalação elétrica enterrada. Continuaram examinando o ponto e perceberam que não se tratava de um cabo, mas de um pequeno recipiente escondido no solo.
Dentro dele havia moedas. Não algumas peças esquecidas por antigos moradores, mas centenas de moedas de ouro acumuladas durante gerações.
O recipiente havia permanecido escondido a poucos centímetros da superfície utilizada diariamente pelos moradores da casa.
Mais de 260 moedas cabiam dentro de um recipiente do tamanho de uma lata
O esconderijo chamou atenção também pela simplicidade. Segundo a Smithsonian Magazine, as moedas estavam depositadas em um pequeno recipiente de cerâmica vitrificada. A peça tinha aproximadamente o tamanho de uma lata de refrigerante e estava enterrada entre 15 e 20 centímetros abaixo do nível do piso.
Apesar das dimensões modestas do recipiente, ele continha mais de 260 moedas de ouro.
A concentração era tão grande que as moedas estavam praticamente comprimidas dentro do recipiente. O cabo da peça estava quebrado, e especialistas consideraram possível que justamente esse dano tivesse levado seus antigos proprietários a reutilizá-la como depósito para dinheiro.
A descoberta rapidamente deixou de ser apenas uma curiosidade doméstica.
A quantidade, o estado das peças e o intervalo histórico representado pelo conjunto fizeram especialistas perceberem que estavam diante de um achado numismático excepcional.
As moedas atravessavam mais de 100 anos da história britânica
A moeda mais antiga do conjunto remontava ao reinado de James I, enquanto as peças mais recentes chegavam aos últimos anos do reinado de George I.
Isso colocava a coleção aproximadamente entre 1610 e 1727, período que atravessou profundas transformações políticas e econômicas da história inglesa.
O conjunto incluía moedas dos períodos Stuart e do início da dinastia Hanover. Para quem as guardou originalmente, porém, elas não eram necessariamente antiguidades ou peças de coleção.
Gregory Edmund, especialista da Spink citado pela Smithsonian Magazine, explicou que muitas delas correspondiam aproximadamente ao tipo de dinheiro de circulação normal para pessoas de posses naquela época. O valor original de todo o depósito teria ficado entre 50 e 100 libras do período.
Séculos de raridade, conservação e interesse histórico mudariam completamente essa conta.
O tesouro provavelmente pertenceu a uma rica família de comerciantes
A análise histórica permitiu apontar possíveis donos para o dinheiro. Especialistas associaram o tesouro a Joseph e Sarah Fernley-Maisters, integrantes de uma rica família mercantil de Hull, cidade portuária de grande importância comercial no nordeste da Inglaterra.
Os Fernley-Maisters estavam envolvidos no comércio de produtos como madeira, carvão e minério de ferro, além de negócios ligados às rotas comerciais do Báltico.
Joseph e Sarah se casaram em 1694. Joseph morreu em 1725, enquanto Sarah viveu até 1745.
A cronologia das moedas é compatível com esse período. O exemplar mais recente encontrado no esconderijo foi cunhado em 1727, apenas dois anos depois da morte de Joseph.
Isso levou os especialistas a considerar que o dinheiro poderia ter sido acumulado pelo casal e escondido sob o piso da propriedade para permanecer fora do sistema bancário que surgia naquele momento.
Uma moeda rara tinha duas faces iguais
Além da quantidade, algumas peças apresentavam características que multiplicaram seu interesse entre colecionadores.
Uma das mais importantes era uma guiné de George I de 1720 com erro de cunhagem, produzida com duas faces do tipo normalmente encontrado no reverso da moeda. Antes do leilão, a peça tinha estimativa aproximada de 4 mil libras.
Outra moeda rara era uma guiné do período de Charles II com uma falha na inscrição latina do nome do monarca, estimada inicialmente em aproximadamente 1.500 libras.
Esses erros são importantes para o mercado numismático porque transformam objetos produzidos originalmente em série em exemplares incomuns.
O resultado do leilão mostraria que o interesse era ainda maior que as estimativas. A ITV registrou que uma única moeda alcançou 62.400 libras durante a venda, valor muito acima da avaliação prévia atribuída a qualquer exemplar individual do conjunto.
Descoberta precisou passar pelas regras britânicas sobre tesouros
Encontrar centenas de moedas de ouro sob uma casa não significava automaticamente poder vendê-las.
O caso precisou ser submetido às autoridades para determinar se o conjunto seria legalmente considerado um “treasure”, categoria específica prevista pela legislação britânica para determinados achados arqueológicos.
O fator decisivo acabou sendo a idade das moedas no momento da descoberta.
A peça mais recente, uma moeda de George I datada de 1727, ainda não havia completado 300 anos quando foi encontrada em 2019. Isso contribuiu para que o conjunto não fosse enquadrado integralmente nos critérios aplicáveis à categoria legal de tesouro daquela época.
Com isso, a maior parte das moedas pôde retornar aos proprietários da casa.
Uma peça específica, uma rara moeda brasileira de ouro que havia circulado na Inglaterra no século XVIII, ficou destinada a uma coleção pública, enquanto o restante do conjunto pôde seguir para venda.
A reforma de cozinha estava prestes a produzir retorno financeiro muito superior ao custo de qualquer novo piso.
Estimativa inicial apontava para cerca de 250 mil libras
Quando a história se tornou pública em setembro de 2022, a expectativa já era elevada. A Spink estimava que o conjunto pudesse render aproximadamente 250 mil libras. A ITV noticiou a avaliação em 1º de setembro, destacando que o achado estava entre os maiores conjuntos arqueológicos de moedas de ouro desse período encontrados na Grã-Bretanha.
O leilão foi marcado para outubro daquele ano em Londres. A divulgação atraiu colecionadores muito além do Reino Unido.
Segundo a ITV, compradores da Austrália e dos Estados Unidos estavam entre os interessados. Outras reportagens sobre a venda registraram também atenção de colecionadores da Europa e da Ásia.
A expectativa de 250 mil libras começaria a parecer conservadora assim que os lances fossem abertos.
O martelo caiu em 754 mil libras, três vezes a estimativa inicial
O leilão ocorreu em outubro de 2022. Quando as últimas moedas foram vendidas, o total chegou a 754 mil libras, aproximadamente três vezes o valor de 250 mil libras inicialmente projetado.
Pela cotação de setembro de 2026, as 754 mil libras equivalem a aproximadamente R$ 5,2 milhões.
Uma única peça foi arrematada por 62.400 libras, demonstrando como determinados exemplares apresentavam valor individual muito superior ao peso do ouro que continham.
Gregory Edmund descreveu o conjunto à ITV como extraordinário e extremamente raro. Para um especialista que trabalhava diariamente com moedas históricas, o caso não era apenas uma grande venda: tratava-se de um tipo de descoberta pouco comum até mesmo dentro do mercado numismático profissional.
O resultado financeiro transformou definitivamente a reforma doméstica iniciada três anos antes.
O ouro permaneceu a menos de 20 centímetros dos moradores durante anos
Talvez o elemento mais incomum da história seja a proximidade. O casal viveu aproximadamente dez anos na casa antes de encontrar as moedas. Durante todo esse período, mais de 260 peças de ouro permaneceram escondidas sob a cozinha, separadas dos moradores por uma camada relativamente pequena de piso, concreto e terra.
- Não foi um arqueólogo equipado para localizar metais que encontrou o conjunto.
- Não houve escavação planejada.
- Não existia mapa, carta antiga ou pista histórica indicando onde procurar.
- Os proprietários simplesmente decidiram reformar a cozinha.
- Ao encontrar resistência sob o piso, imaginaram ter atingido um cabo elétrico.
- Poucos centímetros depois, surgiu um recipiente antigo.
Dentro dele estava uma sequência de moedas cunhadas entre 1610 e 1727, possivelmente escondidas por uma rica família de comerciantes há cerca de três séculos.
O pequeno pote que alguém decidiu não recuperar transformou-se, em 2022, em uma disputa entre colecionadores internacionais e terminou vendido por 754 mil libras.
Para os moradores, o resultado foi uma das reviravoltas mais improváveis possíveis em uma obra residencial: eles começaram quebrando o chão para instalar uma nova cozinha e terminaram descobrindo cerca de R$ 5,2 milhões enterrados a menos de 20 centímetros dos próprios pés.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

