O Corpo de Bombeiros Militar do Acre já soma mais de 10 horas de trabalho no combate ao incêndio de grandes proporções que atingiu o Mercado Cruz, na Avenida Sobral, em Rio Branco, nesta sexta-feira (04). O fogo começou provavelmente durante a madrugada e se espalhou rapidamente pelo estabelecimento, destruindo grande parte da estrutura.
De acordo com o major Farias do Corpo de Bombeiros em entrevista na tarde desta sexta, 04, ao repórter David Medeiros, do ac24horas, que acompanha a ocorrência, o chamado foi recebido às 5h55. Apenas 14 minutos depois, às 6h09, a primeira equipe já estava no local.
“É realmente uma ocorrência de grande complexidade. Desde o início da manhã do dia de hoje nós estamos aqui empenhados”, afirmou.
Segundo o militar, equipes dos três batalhões do Corpo de Bombeiros da capital foram mobilizadas para a ocorrência. Mais de 30 bombeiros participaram dos trabalhos ao longo do dia, com mais de dez viaturas empregadas exclusivamente pela corporação, além de veículos e equipes de outros órgãos.
O major explicou que a possibilidade de o incêndio ter começado durante a madrugada dificultou o combate. Como muitas pessoas ainda estavam dormindo, o início das chamas pode não ter sido percebido imediatamente, permitindo que o fogo ganhasse força e se espalhasse rapidamente.
Apesar da proporção do incêndio, uma das prioridades das equipes foi impedir que as chamas atingissem as casas próximas ao mercado.
“Mas nós conseguimos controlar as residências, as vizinhas, cinco vizinhas aqui. Muitas casas próximas ao comércio, mas ninguém se feriu, graças a Deus”, relatou.
Ainda segundo o oficial, o levantamento definitivo dos danos será feito posteriormente, mas a estimativa inicial é de que aproximadamente dez residências tenham sido atingidas de forma direta ou indireta pelo incêndio.
“Isso, a gente vai contabilizar todos esses dados mais precisamente, mas com certeza por volta de 10 casas foram atingidas direta ou indiretamente”, explicou.
Mesmo com o fogo controlado, os trabalhos ainda não haviam terminado após mais de dez horas de atuação. As equipes permaneceram no endereço realizando o chamado rescaldo, procedimento necessário para eliminar pontos de calor e impedir que as chamas voltem a surgir.
O major explicou que os bombeiros precisam revirar e resfriar o material que permaneceu queimado no interior do mercado. A preocupação é que o calor ainda existente provoque uma nova combustão. “As equipes ainda estão no combate, fazendo aqui o que nós chamamos de rescaldo, que é o resfriamento, é revirar e resfriar esse material, porque ainda está exalando muita fumaça e essa fumaça é quente e pode reignir”, afirmou.
Por causa desse risco, o oficial disse que os bombeiros não deixariam o local até que o serviço fosse concluído. “Nós estamos aqui, não vamos sair enquanto não finalizarmos”, declarou.
Outro fator que dificultou o combate foi a quantidade e a diversidade de materiais existentes no mercado. Por se tratar de um comércio de gêneros variados, havia diferentes tipos de produtos, com características distintas de combustão e propagação do fogo.
“Por se tratar de um comércio de gêneros diversificados, a gente conta com vários tipos de material, carga, que tem ali a sua composição específica e aí uns são mais ou menos propícios a incendiar, a propagar o fogo, o incêndio”, explicou.
Mesmo diante da presença de materiais com diferentes níveis de inflamabilidade e da intensidade das chamas, o major destacou que as equipes conseguiram cumprir o principal objetivo operacional: controlar o incêndio e evitar que ele avançasse para os imóveis vizinhos.
“Mas as equipes, como eu falei, nós finalizamos, conseguimos debelar, controlar e principalmente evitar que ele repassasse as residências vizinhas”, disse.
Além do efetivo dos três batalhões da capital, a ocorrência contou com apoio de diferentes órgãos públicos. Segundo o major, houve participação do Estado, da Prefeitura e até do Exército Brasileiro, que auxiliou principalmente no reabastecimento das viaturas e em outros serviços de apoio às equipes.
“Vale também lembrar que tivemos aí o apoio de muita gente, tanto do Estado, Prefeitura, até do Governo Federal através do Exército, que estavam aqui reabastecendo nossas viaturas e muitos outros tipos de serviços, apoiando aqui as nossas guarnições”, afirmou.
Para o oficial, a atuação durante a ocorrência teve como prioridade preservar vidas e, na sequência, reduzir os danos ao patrimônio.
“E aí o nosso trabalho é isso, oferecer a segurança das pessoas e depois resguardar também os seus bens”, resumiu.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas. A origem do fogo deverá ser investigada pela perícia após a conclusão dos trabalhos dos bombeiros e a liberação do local.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

