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Três estudantes da Paraíba conquistam ouro após enfrentar uma olimpíada com mais de 64 mil equipes e chegam ao topo entre apenas 353 grupos classificados para a final nacional na Unicamp
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 04/09/2026 às 21:06
Atualizado em 04/09/2026 às 21:07
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Ana Augusta, Andriele Marques e Liz Cardoso cursam o 3º ano do Técnico Integrado em Informática do IFPB e fizeram parte de uma das apenas 17 equipes que receberam medalha de ouro na 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil
Três estudantes da Paraíba transformaram uma competição que começou com 64 mil equipes inscritas em todo o país em uma conquista rara: Ana Augusta de Medeiros Fonseca, Andriele Marques Pompilo dos Santos e Liz Cardoso Sobreira chegaram à final da 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) e voltaram para João Pessoa com uma medalha de ouro.
As três fazem o terceiro ano do curso Técnico Integrado em Informática do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), no Campus João Pessoa, e formaram a equipe Suassunitas, orientada pelo professor Fabrício Morais.
A dimensão da conquista aparece nos números. Segundo a organização da ONHB, a edição de 2026 bateu recorde com 64 mil equipes, cada uma formada por três estudantes e um professor de História. Apenas 353 equipes chegaram à grande final presencial realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dessas, somente 17 receberam medalha de ouro.
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O resultado colocou o trio em um grupo extremamente pequeno diante do universo inicial de participantes e ainda deu às estudantes uma marca particular: elas formaram a única equipe da Paraíba a conquistar ouro na etapa nacional, conforme informou oficialmente o IFPB.
De 64 mil equipes a apenas 353 na Unicamp
A ONHB não é uma competição decidida em uma única prova.
A trajetória até Campinas exigiu que as equipes atravessassem sucessivas etapas antes da seleção para a grande final. Em junho, a comissão organizadora convocou oficialmente 353 grupos de todo o Brasil para os dias 29 e 30 de agosto na Unicamp.
Foi nesse grupo que as três estudantes paraibanas chegaram.
Na etapa presencial, cerca de 1,1 mil alunos participaram das atividades e da cerimônia de premiação. A prova final trabalhou documentos históricos e teve como eixo “Mulheres na Ciência, Mulheres Cientistas no Brasil”, levando os participantes a analisar obstáculos enfrentados por meninas e mulheres na formação escolar e nas carreiras científicas.
Para uma equipe formada inteiramente por meninas, o tema adicionou uma camada particular à conquista.
Ana Augusta afirmou ao IFPB que participar justamente de uma edição dedicada às mulheres na ciência tornou o resultado ainda mais especial e representou, para elas, uma demonstração prática da capacidade feminina de ocupar esses espaços.
Não é um detalhe periférico. A competição não estava apenas cobrando conhecimento acumulado de História. A etapa final exigia leitura crítica de fontes e construção de interpretação, justamente habilidades que fazem uma olimpíada desse tipo ser bem diferente de uma prova escolar convencional.
Apenas 17 equipes receberam a medalha de ouro
Chegar à Unicamp já significava sobreviver a uma seleção enorme. O ouro restringiu ainda mais o grupo.
Das 353 equipes finalistas, a organização entregou:
- 17 medalhas de ouro;
- 27 medalhas de prata;
- 37 medalhas de bronze.
As demais equipes presentes receberam medalha de honra ao mérito, chamada pela organização de medalha de cristal.
É importante fazer uma distinção: a ONHB informa que não estabelece ranking entre os finalistas. Portanto, as estudantes paraibanas não ficaram em “primeiro lugar” sobre as outras equipes de ouro. Todos os grupos que conquistam uma determinada medalha são considerados igualmente dentro daquela faixa de premiação.
Isso não diminui o tamanho do resultado. Pelo contrário: significa que, partindo de um universo de 64 mil equipes, as Suassunitas terminaram entre apenas 17 grupos reconhecidos com a premiação máxima da competição.
Andriele Marques descreveu ao IFPB o anúncio da medalha como um momento quase indescritível. Segundo ela, a equipe tinha boas expectativas, mas não imaginava alcançar um resultado daquela dimensão. Liz Cardoso também relatou que o ouro parecia algo que só aconteceria em sonho.
Paraíba levou oito equipes à final, mas apenas uma voltou com ouro
A participação paraibana não se resumiu às três estudantes.
O estado conseguiu colocar oito equipes na etapa final da ONHB. Quatro delas terminaram a competição com medalhas, mas somente as Suassunitas alcançaram o ouro.
No quadro nacional, o Nordeste teve desempenho particularmente forte na edição de 2026. Segundo a organização, os estados nordestinos concentraram o maior número de medalhas da final. O Ceará liderou com 26 equipes medalhistas, seguido por São Paulo, com 11, e Bahia, com 10. A Paraíba terminou com quatro medalhas no total.
O professor Fabrício Morais, que acompanhou as estudantes durante as etapas, atribuiu o resultado à atenção e dedicação do trio ao longo de uma competição extensa. Ele também destacou que a preparação envolve trabalho de vários professores de História e não apenas o esforço concentrado nos dias finais.
É justamente essa duração que ajuda a colocar o ouro em perspectiva. Entre entrar em uma disputa com dezenas de milhares de equipes, atravessar as fases classificatórias, conquistar uma das 353 vagas para Campinas e terminar entre os 17 grupos dourados, houve uma sequência de avaliações — não um único desempenho excepcional isolado.
Medalha encerra a competição, mas pode abrir outra etapa para as estudantes
Ana Augusta, Andriele e Liz retornam à Paraíba ainda como estudantes do terceiro ano do ensino técnico integrado.
A ONHB terminou com a premiação realizada na Unicamp em 30 de agosto, mas o resultado passa a integrar a trajetória acadêmica das três antes mesmo da conclusão da educação básica.
Para o IFPB, a conquista também representa um resultado nacional de um projeto desenvolvido além da sala de aula. Para as estudantes, porém, há uma consequência mais pessoal: depois de começar em um universo de 64 mil equipes, elas encerraram a olimpíada dentro do grupo de apenas 17 medalhistas de ouro.
E fizeram isso levando para João Pessoa a única medalha dourada conquistada pela Paraíba na edição de 2026.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

