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Aos 8 anos e com paralisia cerebral, menina pinta jeans à mão, cobra US$ 10 por peça, arrecada quase US$ 3 mil em poucos meses e doa todo o dinheiro ao hospital onde fazia tratamento
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 05/09/2026 às 09:21
Atualizado em 05/09/2026 às 09:22
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Sasha Bogosian começou a pintar roupas durante a recuperação de uma cirurgia na perna, transformou o exercício indicado para fortalecer o lado direito do corpo em uma campanha solidária e destinou a arrecadação ao programa de arte do Children’s Hospital Los Angeles
Sasha Bogosian tinha apenas 8 anos quando começou a transformar calças jeans comuns em peças coloridas, pintadas à mão com esponjas e respingos de tinta. A atividade, inicialmente usada para ajudá-la durante a recuperação de uma cirurgia, tornou-se uma campanha que arrecadou quase US$ 3 mil em poucos meses.
Diagnosticada com paralisia cerebral após sofrer um acidente vascular cerebral durante o nascimento, Sasha destinou integralmente o dinheiro ao Children’s Hospital Los Angeles, instituição onde recebia acompanhamento e participava de tratamentos.
As informações foram divulgadas pela NBC Los Angeles em 16 de julho de 2016 e aparecem também no relato oficial do The Sasha Project LA, organização criada a partir da iniciativa.
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AVC durante o nascimento deixou o lado direito do corpo mais fraco
Sasha nasceu em maio de 2008, após um parto complicado. De acordo com o relato da família, ela sofreu um AVC durante o nascimento e, posteriormente, recebeu os diagnósticos de epilepsia e paralisia cerebral hemiplégica direita.
A condição comprometeu principalmente os movimentos do lado direito do corpo. Desde pequena, Sasha precisou realizar fisioterapia e terapia ocupacional para desenvolver força, coordenação e autonomia.
O Children’s Hospital Los Angeles passou a fazer parte de sua rotina. Além das consultas e dos procedimentos médicos, a menina teve contato com atividades artísticas utilizadas como apoio ao tratamento e à recuperação emocional dos pacientes.
Pintura surgiu como exercício antes de uma cirurgia na perna
Aos 7 anos, Sasha começou a participar de atividades artísticas que exigiam movimentos realizados com os dois lados do corpo. Pouco depois, precisou passar por uma cirurgia para corrigir um problema na posição da perna direita.
A mãe, Isabell Bogosian, sabia que a recuperação seria longa e procurava uma atividade que mantivesse a filha ocupada, fortalecesse a parte superior do corpo e ajudasse a afastar sua atenção da dor.
Como trabalhava havia anos no setor de roupas jeans, Isabell tinha várias peças guardadas. A família decidiu, então, oferecer algumas calças para que Sasha pudesse pintá-las.
Esponjas e pincéis ajudavam a estimular a mão direita
Sasha aplicava tinta no tecido com pincéis e esponjas naturais. Além de escolher as cores e criar os desenhos, ela precisava segurar os materiais e movimentar os braços durante o processo.
A produção artística funcionava como diversão, mas também estimulava o uso da mão direita, justamente aquela mais afetada pela paralisia cerebral.
As primeiras peças foram feitas para a própria mãe. Quando Isabell começou a usar as calças pintadas, pessoas nas ruas e no trabalho passaram a perguntar onde os modelos haviam sido comprados.
Pedidos surgiram depois que a mãe vestiu as primeiras peças
Ao descobrir que outras pessoas estavam interessadas nas roupas, Sasha se ofereceu para pintar novos jeans. A família percebeu que a atividade poderia crescer e perguntou à menina o que ela gostaria de fazer com o dinheiro.
Sasha decidiu que a arrecadação deveria voltar para o hospital que cuidava dela. A intenção era contribuir para que outras crianças também tivessem acesso à arte durante períodos de internação e tratamento.
A campanha recebeu o nome de The Sasha Project LA. Os interessados podiam enviar uma peça jeans para ser personalizada mediante uma doação.
Cada calça começou a ser pintada por uma contribuição de US$ 10
No início do projeto, Sasha cobrava US$ 10 por peça. Mesmo com o valor acessível, a repercussão da história fez os pedidos aumentarem rapidamente.
Em apenas alguns meses, a menina arrecadou quase US$ 3 mil, conforme informou a NBC Los Angeles em 2016. A procura tornou-se tão grande que Sasha passou a ter dificuldade para atender todas as solicitações.
As peças recebiam aplicações coloridas, respingos e desenhos produzidos individualmente. Dentro de cada roupa, a menina ainda deixava uma marca pessoal formada por três pequenos corações.
Todo o dinheiro foi destinado ao programa de arte do hospital
A arrecadação foi direcionada ao Mark Taper-Johnny Mercer Artists Program, mantido pelo Children’s Hospital Los Angeles.
O programa oferece atividades de artes visuais, música, dança, poesia e teatro para crianças e familiares que enfrentam doenças, cirurgias e internações. Essas experiências ajudam os pacientes a expressar sentimentos como medo, ansiedade, frustração e tristeza.
Segundo o The Sasha Project LA, o serviço depende de contribuições filantrópicas. Por esse motivo, Sasha decidiu que 100% do dinheiro obtido com as peças seria destinado à iniciativa.
Menina passou a representar o hospital como embaixadora juvenil
Ainda em 2016, Sasha tornou-se embaixadora juvenil do Children’s Hospital Los Angeles. A função permitiu que ela divulgasse a importância da arte no tratamento pediátrico e ampliasse a campanha de arrecadação.
Naquele mesmo ano, a família iniciou o processo para transformar o projeto em uma organização sem fins lucrativos. A proposta era garantir continuidade à campanha e criar uma estrutura capaz de receber mais doações.
A iniciativa também recebeu apoio de empresas ligadas à moda e aos materiais artísticos, que passaram a fornecer roupas, tintas e outros recursos usados na produção.
Celebridades passaram a usar as criações de Sasha
Com a repercussão, Sasha foi convidada para pintar peças em um evento realizado no antigo restaurante da atriz Jessica Biel, em Los Angeles. O trabalho chamou a atenção de artistas e de profissionais da moda.
Nos anos seguintes, suas criações chegaram a celebridades como Kristen Bell, Paris Hilton, Chris Pine, Jack Black, Katy Perry, Lionel Richie e Stan Lee.
O que havia começado como uma atividade para fortalecer o corpo durante a recuperação de uma cirurgia tornou-se uma campanha permanente de apoio à terapia artística.
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Projeto ultrapassou US$ 80 mil em doações nos anos seguintes
A iniciativa não terminou após os primeiros US$ 3 mil. Sasha continuou pintando jeans, jaquetas, calçados e outros objetos, além de participar de eventos e desenvolver roupas adaptadas para pessoas com deficiência.
Em 2024, quando ela já tinha 16 anos, a revista Brain & Life informou que o The Sasha Project LA havia doado mais de US$ 80 mil ao programa de arte do Children’s Hospital Los Angeles.
Sasha também criou o Splatter Squad, iniciativa destinada a incentivar crianças e adolescentes a produzir arte e organizar ações para ajudar o hospital.
Assim, uma atividade iniciada dentro de casa, com tinta, esponjas e calças antigas da mãe, transformou-se em uma mobilização que continuou crescendo por vários anos.
Na sua opinião, iniciativas como a de Sasha mostram que atividades artísticas deveriam ocupar um espaço maior no tratamento e na recuperação de crianças hospitalizadas? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

