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A produção industrial brasileira subiu 0,2% em julho e interrompeu dois meses seguidos de queda, com avanço em 13 dos 25 ramos pesquisados e a informática puxando a média com alta de 12,2%
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 05/09/2026 às 18:14
Atualizado em 05/09/2026 às 18:15
Economia
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A produção industrial brasileira subiu 0,2% em julho na comparação com junho e interrompeu dois meses seguidos de queda, com avanço em treze dos vinte e cinco ramos pesquisados pelo IBGE e o setor de informática e eletrônicos puxando a média com alta de 12,2%.
O dado veio da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada em 2 de setembro. É uma alta modesta, mas o valor dela está menos no tamanho e mais no sinal.
Conforme a Agência Brasil, o resultado sucede uma queda de 1,8% em junho. Ou seja, a indústria parou de cair, mas não recuperou o que havia perdido.
Os números que contam a história inteira
Um único percentual mensal engana. Vale olhar o conjunto de comparações que o instituto publica.
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Paulo Nogueira
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Na comparação com julho de 2025, a produção industrial ainda registra recuo de 0,5%. No acumulado de janeiro a julho, porém, o setor soma expansão de 1,1%.
Nos últimos doze meses, o crescimento é de 0,6%, e aqui aparece um detalhe que o próprio IBGE destaca: houve ligeira perda de ritmo, já que o acumulado até junho estava em 0,7%.
Juntando as quatro leituras, o quadro fica claro. A indústria brasileira não está em recessão nem em retomada: ela oscila em torno da estabilidade, com meses positivos e negativos que praticamente se anulam.
Quem puxou para cima
O avanço apareceu em três das quatro grandes categorias econômicas e em 13 dos 25 ramos pesquisados.
A principal influência veio de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com alta de 12,2%. Logo atrás vieram outros equipamentos de transporte, com 11,2%, e produtos do fumo, com 11,1%.
Em seguida aparecem ramos de peso menor no percentual, mas de grande volume: confecção de vestuário, com 2,6%, máquinas e materiais elétricos, com 2,3%, coque e biocombustíveis, com 1,1%, e produtos alimentícios, com 1,0%.
Há um dado adicional que ajuda a medir a difusão do resultado. Entre os 789 produtos acompanhados pela pesquisa, 69,6% apresentaram desempenho positivo.
Esse índice importa porque separa alta concentrada de alta espalhada. Quando quase 70% dos produtos sobem, a melhora não veio de um ou dois itens fora da curva, e sim de um movimento distribuído pelo parque industrial.
O que esse número significa para a indústria pesada
Para quem acompanha energia, metalurgia e bens de capital, a PIM funciona como termômetro antecedente. Fábrica rodando significa demanda por eletricidade, por gás industrial, por aço e por transporte de carga.
Por isso a estabilidade tem leitura ambígua. Ela sustenta o consumo industrial de energia no patamar atual, mas não gera a pressão de demanda que justificaria novo investimento em capacidade.
O desempenho de coque e biocombustíveis, com alta de 1,1%, dialoga direto com o setor. É o elo que conecta refino e produção de etanol e biodiesel à conta da indústria de transformação.
Vale notar também que o resultado de julho vem em um ano de juro alto, cenário em que decisão de investimento industrial costuma ser adiada. Nesse contexto, ficar de lado já é diferente de recuar.
Fico imaginando o que o índice de difusão de 69,6% vai significar daqui a três meses. Se ele se mantiver alto enquanto a média fica perto de zero, é sinal de que a indústria está trabalhando bastante e crescendo pouco, o retrato mais fiel dos últimos anos.
O próximo dado sai no mês que vem e vale mais do que este. Um mês positivo isolado é ruído; dois seguidos começam a formar tendência.
Vale explicar o que a pesquisa mede, porque isso muda a leitura do dado. A PIM acompanha produção física, ou seja, quantidade produzida, e não faturamento.
Essa distinção importa num país com inflação. Uma indústria pode faturar mais vendendo a mesma quantidade por preço maior, e o indicador de produção física não registraria nenhuma melhora.
Há também a questão do ajuste sazonal, que aparece na comparação mensal. Sem ele, meses com mais feriados ou com férias coletivas apareceriam artificialmente ruins, e a série ficaria ilegível.
Por isso a comparação com o mês anterior usa a série ajustada, enquanto a comparação com o mesmo mês do ano passado usa o dado bruto.
Outro ponto merece atenção: o desempenho não foi homogêneo entre as grandes categorias. Bens de capital, bens intermediários, bens de consumo duráveis e semiduráveis respondem a estímulos diferentes, e três das quatro avançaram.
Bens de capital são os mais sensíveis a juro, porque dependem de crédito de longo prazo para serem comprados. Já bens de consumo respondem a renda e emprego, variáveis que se movem em outro ritmo.
Enquanto isso, a indústria de transformação segue disputando espaço com o produto importado, e o câmbio entra nessa conta tanto quanto a taxa básica de juros.
Além disso, convém situar o dado no ciclo mais amplo. Conforme as séries do próprio instituto, a indústria brasileira opera há anos em patamar próximo ao de uma década atrás, sem recuperar o nível anterior à recessão de 2015 e 2016.
Portanto, oscilar em torno de zero não é acidente de percurso, e sim o comportamento característico do setor no período recente.
Dessa forma, um mês positivo diz menos do que a tendência de doze meses. Durante os próximos trimestres, o que vai definir a direção é a combinação entre custo do crédito, câmbio e demanda externa, e nenhuma dessas três variáveis depende da fábrica.
Você trabalha na indústria? A produção na sua fábrica melhorou de junho para cá ou continua parada?
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Fontes
Agência Brasil
IBGE
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

