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Catador que vivia nas ruas de Goiânia entra em barbearia e pede apenas uma lâmina para fazer a barba, empresário decide cortar seu cabelo e lhe dar roupas novas e uma simples foto do resultado chega à família que o procurava havia 10 anos e já o considerava morto
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 06/09/2026 às 23:58
Atualizado em 06/09/2026 às 23:59
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Catador ganha corte de cabelo e roupas em Goiânia, foto viraliza e permite que a irmã o encontre após 10 anos sem notícias da família.
Em dezembro de 2020, um pedido aparentemente pequeno feito por João Coelho Guimarães, então com 45 anos, desencadeou uma sequência que ninguém dentro de uma barbearia de Goiânia poderia prever. Vivendo em situação de rua e sobrevivendo da coleta de materiais recicláveis, ele pediu apenas uma lâmina para fazer a barba. O empresário e cantor Alessandro Lobo, que já o via circular pela região do Setor Marista, decidiu fazer mais: ofereceu corte de cabelo, barba, roupas e calçados novos. Duas horas depois, João parecia outra pessoa.
O objetivo era apenas proporcionar um momento de dignidade e publicar as fotografias para incentivar outras pessoas a ajudar quem vivia nas ruas. Mas a imagem atravessou as redes sociais, chegou ao Distrito Federal e foi reconhecida por uma família que não tinha notícias de João havia dez anos e já chegara a considerá-lo morto. Em 17 de dezembro de 2020, sua irmã Maria Guimarães saiu de Brasília para Goiânia. O homem que entrara numa barbearia querendo somente uma lâmina acabou reencontrando parte da própria história.
João recolhia latinhas pelas ruas de Goiânia para sobreviver
Em 2020, João era conhecido por comerciantes e moradores do Setor Marista, região de Goiânia onde costumava percorrer as ruas recolhendo latas e outros materiais recicláveis.
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Paulo Nogueira
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Segundo reportagem do UOL publicada na época, ele estava havia pelo menos três anos vivendo predominantemente nas ruas daquela região. Sem renda estável, dependia da coleta de recicláveis e, em determinados momentos, da ajuda de pessoas e estabelecimentos para conseguir alimentação.
Alessandro Lobo já o havia visto outras vezes.
João passava com frequência perto da Padoo Moda Masculina e Barbearia, estabelecimento que reunia serviços de barbearia, alfaiataria e moda masculina na Avenida 85.
Os funcionários sabiam que aquele homem vivia em situação vulnerável, mas a aproximação que mudaria sua vida não começou com um pedido de dinheiro.
Também não começou com comida. João queria uma lâmina.
Funcionários ofereceram comida, mas ele pediu apenas algo para fazer a barba
No sábado, 12 de dezembro de 2020, João passou novamente diante do estabelecimento. De acordo com o relato publicado pelo Mais Goiás, integrantes da equipe perguntaram se ele estava com fome e se gostaria de uma refeição.
A resposta surpreendeu. João pediu uma lâmina para retirar a barba.
Era um pedido extremamente simples diante de sua situação. Foi justamente isso que chamou a atenção de Alessandro.
Em vez de simplesmente entregar o objeto e permitir que João seguisse caminho, o empresário decidiu convidá-lo para entrar e receber atendimento completo.
Começava ali uma transformação que duraria aproximadamente duas horas. Não havia qualquer plano de reencontrar parentes, campanha de busca ou investigação sobre o passado do homem.
Naquele momento, a intenção era apenas oferecer a alguém em situação de rua uma oportunidade de cuidar da própria aparência.
Empresário resolveu transformar completamente a aparência do catador
João teve cabelo, barba e bigode aparados. Depois vieram as roupas.
Alessandro contou que entregou ao catador um blazer, três camisas, uma calça jeans e um par de sapatos, com a ideia de que as peças pudessem ajudá-lo inclusive caso surgisse uma oportunidade de trabalho.
Assista o vídeo
A transformação impressionou até quem estava dentro do estabelecimento. A barba longa havia escondido boa parte das feições de João. O cabelo também estava bastante crescido.
Depois do atendimento, seu rosto apareceu completamente diferente nas fotografias. A mudança não era apenas estética.
Depois de anos vivendo nas ruas, João apareceu nas imagens vestido como qualquer cliente que tivesse saído de uma loja de moda masculina.
Alessandro afirmou que ele era tímido e falava pouco, mas que sua satisfação ficava evidente no olhar.
As imagens de antes e depois começaram a ser publicadas. E foi nesse momento que a ação ganhou uma dimensão completamente inesperada.
Foto foi publicada apenas para incentivar outras pessoas a fazerem o bem
A equipe fotografou João antes e depois da transformação. Segundo Alessandro explicou ao UOL, o objetivo de compartilhar as imagens era inspirar outros empresários e pessoas a ajudar quem estivesse passando por dificuldades, especialmente naquele período de Natal em meio à pandemia de Covid-19.
Ele não imaginava que a publicação alcançaria tamanha repercussão. A diferença entre as duas fotografias era visualmente muito forte.
De um lado aparecia um homem com cabelo e barba longos, roupas desgastadas e aparência marcada por anos de vulnerabilidade.
Do outro, a mesma pessoa surgia de cabelo curto, barba aparada, roupa social e sapatos novos. A fotografia começou a circular rapidamente.
Foi compartilhada em redes sociais, reproduzida por páginas e posteriormente transformada em notícia.
Quanto mais longe chegava, maiores eram as chances de alguém reconhecer aquele rosto que durante anos estivera escondido sob barba e cabelos crescidos.
Foi exatamente o que aconteceu.
Em Brasília, uma família reconheceu o homem que procurava havia uma década
A repercussão chegou ao Distrito Federal. A família de João vivia sem notícias dele havia cerca de dez anos.
Sua irmã, Maria Guimarães, moradora de Brasília, acabou recebendo de outra pessoa um link relacionado à transformação do homem em Goiânia.
Quando viu a imagem, reconheceu o irmão. A descoberta tinha um peso enorme.
Segundo a CBN, os parentes não tinham notícias de João havia uma década e já o haviam dado como morto.
- A família não sabia seu endereço porque ele não tinha residência fixa.
- Também não havia telefone para fazer contato.
- Foi necessário procurar justamente as pessoas responsáveis pelas fotografias.
- Alessandro tornou-se, sem ter planejado, uma ponte entre João e aqueles que o procuravam havia anos.
- O corte de cabelo deixara de ser apenas uma ação de solidariedade.
A fotografia produzida naquele sábado havia funcionado quase como um anúncio de pessoa desaparecida.
João havia saído para trabalhar e nunca mais retornado
A história familiar ajudou a entender por que o reencontro carregava tanto significado. De acordo com Maria, a família era originária de Niquelândia, no norte de Goiás. João era o terceiro de cinco filhos e trabalhava desde cedo.
Quando criança, vendia produtos como quitandas e picolés. Mais tarde trabalhou como auxiliar de soldador e aceitava outros serviços que aparecessem.
Maria descreveu o irmão como alguém carinhoso, organizado e disposto a ajudar outras pessoas.
Ela também afirmou que ele não tinha histórico conhecido de uso de drogas ou tabagismo. Cerca de dez anos antes do reencontro, João saiu para trabalhar fora.
A irmã relatou versões em que ele teria seguido para outra cidade goiana e, depois disso, deixou de manter contato regular com os parentes.
- A família tentou encontrá-lo ao longo dos anos.
- Sem telefone, endereço fixo ou rotina conhecida, as buscas se tornaram extremamente difíceis.
- Com o passar do tempo, a possibilidade de João ter morrido passou a fazer parte do temor dos parentes.
- Até dezembro de 2020.
Irmã saiu de Brasília e foi até Goiânia procurando João pelas ruas
Assim que descobriu que o irmão estava vivo, Maria decidiu viajar. Em 17 de dezembro de 2020, apenas poucos dias depois do atendimento na barbearia, ela deixou Brasília e seguiu para Goiânia.
Ainda existia um problema: localizar João.
Ele não possuía endereço e continuava circulando pelas ruas.
As pessoas do estabelecimento conheciam aproximadamente sua rotina e as áreas pelas quais costumava passar.
Maria esperou. Até que os dois finalmente ficaram frente a frente. Depois de dez anos sem contato, ela abraçou o irmão.
João reconheceu Maria e também se lembrou dos outros irmãos. Uma família que dias antes não tinha sequer certeza de que ele estava vivo podia novamente ouvi-lo e tocá-lo.
Reencontro emocionou a família, mas João tomou uma decisão inesperada
O final não foi exatamente aquele que muita gente esperava ao acompanhar a repercussão da história. Maria queria levar o irmão para Brasília.
João recusou.
Segundo o Correio Braziliense, a irmã deixou claro que respeitaria sua decisão, embora continuasse desejando ajudá-lo a deixar as ruas.
A família não sabia explicar completamente por que ele havia escolhido viver daquela forma.
Maria declarou que não havia um histórico familiar de brigas ou abusos que explicasse simplesmente o afastamento e disse acreditar que aquela poderia ter sido uma forma encontrada por João de viver com liberdade.
A posição dela depois do reencontro foi cuidadosa. Não queria obrigá-lo a voltar. O essencial, naquele primeiro momento, era saber que ele estava vivo.
Os parentes também passaram a ter uma referência em Goiânia para conseguir notícias dele. O reencontro não resolveu instantaneamente todos os problemas de João, mas devolveu à família algo que havia desaparecido durante uma década: a possibilidade de contato.
O caso também revelou como pessoas podem desaparecer mesmo continuando vivas nas cidades
A trajetória de João chama atenção para uma realidade mais ampla da população em situação de rua. Uma pessoa pode continuar viva, circular diariamente por ruas movimentadas, conversar com comerciantes, recolher recicláveis e ainda assim permanecer praticamente invisível para familiares que vivem em outra cidade.
No caso de João, essa desconexão durou uma década.
Sem endereço fixo e sem telefone, era extremamente difícil estabelecer uma ponte entre os dois mundos.
Para moradores do Setor Marista, ele era o homem que passava recolhendo latinhas.
Para Maria e os demais parentes, era um irmão desaparecido.
Durante anos, nenhum dos dois lados sabia da existência do outro.
Foi uma fotografia comum de rede social que rompeu essa barreira.
A CBN resumiu a sequência ao registrar que João foi reconhecido depois que as imagens do antes e depois viralizaram, permitindo que a irmã viajasse de Brasília a Goiânia para reencontrá-lo.
Duas horas de transformação encerraram dez anos de incerteza para uma família
A imagem de João depois do corte provavelmente teria repercutido mesmo sem o reencontro.
Era uma transformação visual impressionante.
Mas a história ganhou outra dimensão quando apareceu Maria.
Até aquele momento, a ação parecia ser sobre aparência, autoestima e solidariedade com uma pessoa em situação de rua.
Depois, tornou-se uma história sobre identidade e família.
João não havia sido encontrado por investigadores.
Seu nome não apareceu em uma base de dados.
Nenhuma grande operação conseguiu localizá-lo.
Ele foi encontrado porque, num sábado de dezembro, pediu uma lâmina para fazer a barba e alguém decidiu fazer mais do que entregar o objeto.
O empresário ofereceu aproximadamente duas horas de atendimento, algumas peças de roupa e um par de sapatos.
Depois publicou uma fotografia.
Cinco dias mais tarde, uma mulher que procurava o irmão havia dez anos estava em Goiânia abraçando-o novamente.
A transformação não significou que João abandonaria imediatamente as ruas. Ele deixou claro que não queria voltar com Maria para Brasília, e sua escolha foi respeitada.
Mas aquela boa ação realizou algo que ninguém envolvido havia planejado.
Devolveu à família a certeza de que João estava vivo e devolveu a João pessoas que, mesmo durante uma década de silêncio, nunca haviam deixado de procurá-lo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

