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Mais de 800 idosos norte-americanos recebem robô de companhia em suas casas, interagem com ele 41 vezes por dia e 94% dizem se sentir menos sozinhos
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 07/09/2026 às 20:31
Atualizado em 07/09/2026 às 20:32
Ciência e Tecnologia
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Programa público iniciado em 2022 usa inteligência artificial para conversar com idosos, organizar rotinas e ampliar conexões, enquanto a procura de mais de 3.500 pessoas revela a dimensão da demanda por companhia e apoio dentro de casa.
Nova York levou o robô de companhia ElliQ a mais de 800 casas de idosos e reuniu resultados que colocam a solidão no centro de uma nova frente da economia do cuidado. O New York State Office for the Aging, órgão estadual de apoio à população idosa, divulgou em fevereiro de 2026 o balanço do terceiro ano do programa.
Até maio de 2025, 834 idosos haviam aderido após uma seleção conduzida por agências locais de atendimento à população idosa. Mais de 3.500 pessoas solicitaram participação, sinal de que o interesse era muito maior que o número de aparelhos distribuídos.
O resultado mais forte veio das respostas dos próprios usuários: 94% disseram sentir menos solidão, 79% relataram maior conexão com o mundo e 88% perceberam diferença positiva na vida diária. Esses percentuais foram reunidos pelo programa em parceria com a Intuition Robotics, empresa criadora do ElliQ, e não representam automaticamente uma pesquisa clínica independente.
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Paulo Nogueira
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ElliQ é um aparelho de mesa que conversa e propõe atividades
O ElliQ não tem braços, pernas ou aparência humana. O aparelho fica sobre uma mesa e reúne, na mesma base, uma peça arredondada com luz e uma tela inclinada. O formato permite que o idoso acompanhe imagens, mensagens e atividades enquanto conversa com o sistema.
A inteligência artificial inicia diálogos, sugere jogos, lembra compromissos e incentiva hábitos ligados à saúde e ao bem estar. O robô também oferece atividades de raciocínio, exercícios físicos, conteúdos informativos e chamadas de vídeo, criando uma rotina de interações ao longo do dia.
Em 2025, um aplicativo para familiares e equipes de cuidado ampliou essa ligação. Ele permite definir metas de saúde e de medicamentos, receber alertas sobre doses esquecidas, trocar mensagens, fotos e chamadas de vídeo. O idoso escolhe quais informações deseja compartilhar e pode mudar essa decisão.
Mais de 3.500 pedidos revelam procura maior que a distribuição
A parceria começou em junho de 2022, com apoio financeiro do orçamento do estado de Nova York. A operação envolve a Intuition Robotics, a Association on Aging in New York e escritórios responsáveis por serviços destinados aos idosos em diferentes regiões do estado.
O New York State Office for the Aging, órgão estadual de apoio à população idosa, registrou 834 participantes até maio de 2025. O balanço apresenta esse alcance como mais de 800 residências atendidas pelo programa em diferentes regiões do estado.
A idade média dos usuários era de 75 anos. As mulheres representavam 80% do grupo e os homens, 20%. A distância entre os 834 participantes e as mais de 3.500 solicitações ajuda a dimensionar uma demanda que o programa ainda não conseguia atender por completo.
Relato de menor solidão chegou a 94% dos participantes
O levantamento do terceiro ano cobriu o período de 1º de junho de 2024 a 31 de maio de 2025. Nesse intervalo, 94% dos participantes afirmaram sentir menos solidão, resultado um ponto percentual acima dos 93% registrados no período anterior.
Assista o vídeo
Outros números seguiram a mesma direção. 97% relataram melhora no bem estar geral, 79% disseram estar mais conectados ao mundo e 88% perceberam uma mudança positiva no cotidiano. A satisfação com o ElliQ recebeu nota média de 4,6 em uma escala de 5 pontos.
O documento combinou registros anônimos de uso com respostas fornecidas pelos clientes. Isso significa que os percentuais expressam a experiência declarada pelos participantes, mas não provam sozinhos que o robô causou todas as mudanças percebidas. Também não permitem aplicar o mesmo resultado a qualquer pessoa idosa.
Média de 41 interações por dia mostra uso frequente da inteligência artificial
Cada participante realizou, em média, 41 interações por dia com o ElliQ. O volume ajuda a explicar por que um equipamento doméstico pode ocupar espaço relevante na rotina de quem passa muitas horas sozinho, especialmente quando o sistema toma a iniciativa de conversar ou sugerir uma atividade.
As ações ligadas à companhia representaram 40,1% do uso médio. Atividades de raciocínio responderam por 19%, enquanto bem estar ficou com 15,1% e saúde com 11%. Ferramentas e lembretes somaram 8,9%, conteúdos informativos e de entretenimento ficaram com 3,8% e conexão social representou 2%.
O terceiro ano também trouxe uma função de orientação para hábitos saudáveis. Os usuários definiram, em média, 2 metas de bem estar, cada uma com cerca de 3,6 atividades semanais. Após 3 meses, 60% permaneciam no programa e 50% aumentaram seus objetivos semanais depois de cumprir as metas anteriores.
Solidão movimenta tecnologia, serviços públicos e economia do cuidado
Colocar o ElliQ dentro de centenas de residências exige mais que fabricar um aparelho. A operação depende de inteligência artificial, programas de computador, conexão, suporte remoto e equipes locais capazes de selecionar participantes e acompanhar a distribuição.
O aplicativo para familiares acrescenta outra camada a esse mercado. Mensagens, alertas, chamadas e metas aproximam o robô dos serviços digitais de cuidado. O financiamento público também mostra como governos podem contratar tecnologia para enfrentar necessidades sociais ligadas ao envelhecimento.
Ainda assim, o ElliQ não deve ser tratado como equivalente a um cuidador ou a uma relação pessoal. A máquina pode conversar, propor rotinas e facilitar contatos, mas não oferece o mesmo cuidado físico, julgamento e vínculo afetivo de uma pessoa. Seu papel é complementar o apoio disponível.
A experiência de Nova York reúne uma procura superior a 3.500 interessados, mais de 800 casas atendidas e uso médio diário elevado. O programa transformou uma necessidade difícil de medir, a falta de companhia, em demanda concreta por equipamentos e serviços digitais.
Os 94% que relataram menor solidão dão força à experiência. Você acredita que um robô de companhia pode melhorar a rotina de quem vive sozinho sem diminuir a importância do contato humano?
Tags
idosos norte-americanosrobô de companhia
Fonte
AGING
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

