SP
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A cidade brasileira que teve parte engolida por represa e hoje mergulhadores exploram no interior de SP, descendo até 50 metros atrás de marcas que sobreviveram desde a formação do reservatório e mudam a história
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/09/2026 às 22:57
Atualizado em 07/09/2026 às 22:58
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Ruínas de casas, antigas olarias, estruturas ferroviárias e formações naturais permanecem sob as águas da Represa de Jaguara, onde o turismo de mergulho passou a explorar vestígios da ocupação anterior ao alagamento e pontos que chegam a cerca de 50 metros de profundidade.
A paisagem de Rifaina, no interior de São Paulo, guarda sob a Represa de Jaguara parte da ocupação que existia antes do represamento do Rio Grande. Em diferentes pontos do lago, mergulhadores encontram vestígios de construções, olarias, estruturas ferroviárias e do antigo relevo da região.
A Prefeitura de Rifaina apresenta o mergulho como uma das atividades turísticas do reservatório e informa que alguns percursos chegam a cerca de 50 metros de profundidade. A página oficial também cita cânions, paredões rochosos, cachoeiras submersas e resquícios da antiga cidade entre os pontos explorados.
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Paulo Nogueira
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Antes da represa, ferrovia e olarias movimentavam Rifaina
Muito antes da formação do lago, Rifaina cresceu ligada aos caminhos que cruzavam a região e às atividades desenvolvidas às margens do Rio Grande. O antigo arraial de Santo Antônio do Cervo surgiu em 1862 e foi elevado à condição de freguesia em 1873.
A chegada da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro reforçou essa ligação. A estação inaugurada em 1877 ajudou a movimentar o comércio local e integrou o município a uma rede de transporte que também atendia a produção da região.
As olarias tiveram papel importante nesse período. Instaladas próximas ao Rio Grande, elas produziam tijolos e outros materiais, enquanto pontes, trilhos e caminhos faziam parte da infraestrutura usada para conectar Rifaina aos municípios vizinhos e escoar mercadorias.
Esse cenário mudou com a construção da Usina Hidrelétrica de Jaguara, iniciada na década de 1960. Com a formação do reservatório, parte do território e da área urbana foi inundada, incluindo espaços ocupados por moradias, atividades produtivas e estruturas de transporte.
O alagamento atingiu áreas próximas ao rio e deixou submersos vestígios de casas, olarias e pontos ligados à ferrovia. A mudança também reduziu espaços usados por atividades tradicionais e alterou a relação da cidade com o Rio Grande.
Para o município, a transformação foi além da paisagem. A perda de áreas junto ao rio atingiu atividades que dependiam daquele espaço e exigiu adaptação a um território reorganizado ao redor do lago artificial, que depois passou a ser usado para lazer e turismo.
O que os mergulhadores encontram debaixo d’água
Décadas depois, esses elementos passaram a fazer parte dos percursos de mergulho. Em vez de observar apenas o fundo natural da represa, os visitantes podem encontrar marcas físicas da ocupação existente antes da barragem, misturadas ao relevo submerso do antigo leito do rio.
A profundidade varia conforme o trecho escolhido. Há áreas mais rasas, adequadas a diferentes níveis de treinamento, e pontos que chegam a aproximadamente 50 metros, nos quais a atividade exige experiência e preparação compatíveis com as condições do mergulho.
O município informa que a visibilidade pode alcançar cerca de 20 a 25 metros em determinadas condições. Essa característica permite observar paredões, cânions e estruturas submersas, embora a distância visível dependa do ponto, da profundidade e das condições da água.
Entre os vestígios históricos aparecem ruínas de construções, áreas relacionadas às antigas olarias e estruturas próximas a trechos ferroviários e pontes. Esses elementos registram fisicamente parte da configuração urbana e produtiva que existia antes do enchimento da represa.
Os pontos próximos à antiga ponte de Rifaina também integram esse conjunto. A presença de trechos associados à ferrovia e às olarias permite relacionar a paisagem submersa às atividades que estruturavam a cidade antes da barragem, e não apenas ao relevo natural do reservatório.
Nem tudo o que está no fundo, porém, pertence ao período anterior à hidrelétrica. Imagens religiosas e outros objetos foram instalados posteriormente em alguns pontos e passaram a servir como referências nos roteiros de mergulho, separados dos vestígios deixados pelo alagamento.
O reservatório ganhou espaço no turismo local
A represa também passou a ter outra função na economia local. Esportes náuticos, pesca, passeios de barco e áreas de lazer ganharam espaço ao redor do reservatório, enquanto hotéis, pousadas, restaurantes e serviços voltados aos visitantes acompanharam o desenvolvimento do turismo.
Na superfície, o lago é usado para banho, navegação e outras atividades recreativas. Debaixo d’água, os mergulhos aproveitam justamente os elementos preservados desde a transformação do território, ligando a atividade turística à história anterior à barragem.
Rifaina fica na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, a cerca de 470 quilômetros da capital paulista. O município reúne praias artificiais, áreas de lazer e pontos de mergulho associados tanto ao relevo submerso quanto às estruturas deixadas pela antiga ocupação.
A estabilidade relativa do nível da água favorece o uso recreativo do reservatório e a prática de atividades aquáticas. Essa condição ajuda a manter no mesmo lago praias, passeios de barco, esportes náuticos e percursos de mergulho que alcançam as estruturas preservadas sob a água.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

