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Marceneiro trabalha na frente da oficina às 15h de 21 de setembro de 2013 quando uma pedra de 1,547 quilo despenca do céu a menos de 1 metro dele, no povoado Borracha, em Vicência, e o susto de Adeildo Silva vira o meteorito batizado com o nome da cidade pernambucana, disputado por colecionadores e estudado por cientistas
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/09/2026 às 00:39
Atualizado em 08/09/2026 às 00:40
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A UOL registrou em 27 de setembro de 2013 o susto no povoado Borracha, a 83 km do Recife: pedra preta, quente de um lado, caiu perto do marceneiro Adeildo Silva. O Meteoritical Bulletin fixou a queda em 21 de setembro, 1,547 kg, condrito LL3.2, descrito por cientistas em 2015
O marceneiro Adeildo Silva consertava uma carroceria de madeira na calçada da oficina, no povoado Borracha, zona rural de Vicência, a 83 quilômetros do Recife, quando ouviu um barulho e sentiu o impacto de uma pedra preta que abriu um buraco no chão a menos de um metro dele. A rocha, tratada na época como “suposto meteorito”, virou o meteorito Vicência: uma pedra única de 1,547 quilo, classificada como condrito LL3.2, adquirida por pesquisadores nove dias após a queda e descrita em revista científica em 2015.
As informações de base foram publicadas pela UOL em 27 de setembro de 2013, em reportagem de Aliny Gama, do Recife, com relatos do marceneiro, de vizinhos, da prefeitura de Vicência e do Observatório Nacional. Os dados oficiais da queda vêm do Meteoritical Bulletin e do estudo de Keil e outros 22 autores na revista Meteoritics & Planetary Science.
Barulho, impacto e um buraco na calçada da oficina
Adeildo Silva estava na calçada da própria oficina quando a pedra caiu a pouco menos de um metro dele. Ele contou à UOL que, antes de a pedra “queimada” cair, escutou um barulho e, logo em seguida, sentiu o impacto no chão.
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Paulo Nogueira
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“Abriu um buraco no local que a pedra caiu. Tive medo do barulho, mas quando vi que era uma pedra peguei e vi que ela é diferente”, disse o marceneiro.
“Muito quente de um lado e do outro completamente fria”
“Tem a cor preta. A pedra estava muito quente de um lado e do outro completamente fria. É muito estranho tudo isso”, relatou Adeildo à UOL.
O detalhe da temperatura desigual entrou no registro científico: o Meteoritical Bulletin anota que, ao pegar a pedra logo após a queda, o marceneiro notou um lado morno e o outro frio.
Vizinhos correram: “Essa pedra caiu do céu, não tem como alguém ter jogado”
Ao ouvir o estrondo, os vizinhos saíram para a rua e correram até a oficina. A estudante Renata Bezerra contou que se assustou: “Saí correndo para a rua para ver o que tinha acontecido e foi quando vi que a pedra estava no chão da calçada do meu vizinho. Eu acredito que seja um meteorito porque já li algo parecido nos livros”.
O agricultor Olegário Bezerra da Silva, que estava sentado na calçada, chegou a entrar correndo em casa para se proteger. “Pensei que a fiação elétrica tinha estourado e feito o barulho. Mas quando fui olhar, o local que a pedra caiu estava com um buraco. É uma pedra diferente das que têm na terra. Essa pedra caiu do céu, não tem como alguém ter jogado aqui”, disse.
UOL registrou segunda (23), 15h30 e 1,2 kg; o registro oficial diz 21 de setembro, 15h e 1,547 kg
A reportagem da UOL, publicada seis dias depois, situou a queda na segunda-feira, 23 de setembro de 2013, por volta das 15h30, e descreveu uma pedra de cerca de 1,2 quilo e 20 centímetros.
O Meteoritical Bulletin, banco de dados oficial da Meteoritical Society, registra a queda em 21 de setembro de 2013, por volta das 15h no horário local, com uma pedra única de 1,547 quilo e cerca de 13,7 por 12 por 8,5 centímetros. Os números da primeira semana eram estimativas dos moradores; os oficiais vieram da pesagem e medição em laboratório.
Defesa Civil, geólogo e ITEP: o plano da prefeitura na primeira semana
Segundo a prefeitura de Vicência, a Defesa Civil do município e um geólogo iriam ao distrito de Borracha na sexta-feira, 27 de setembro, para coletar o material e enviá-lo ao Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP).
A Defesa Civil pediu que os moradores não entrassem em pânico e acionassem o órgão diante de qualquer problema, conforme a UOL.
Marceneiro queria saber se a pedra valia dinheiro
Adeildo Silva disse à UOL que queria saber se o suposto meteorito tinha algum valor comercial, para colocá-lo à venda.
A pergunta do marceneiro teria resposta rápida. Nove dias depois da queda, a pedra já estava nas mãos de quem a estudaria e a comercializaria em parte.
Oriônidas: a chuva de meteoros citada pelo Observatório Nacional
De acordo com o Observatório Nacional, citado pela UOL, desde a quarta-feira, 25 de setembro, acontecia uma chuva de meteoros conhecida como Oriônidas, com 20 a 25 meteoros por hora, visível à noite, até 25 de novembro, com pico entre 21 e 22 de outubro.
A reportagem não estabelece relação entre a chuva de meteoros e a pedra de Borracha. A Lua cheia passando à minguante, segundo o Observatório, prejudicaria a observação do fenômeno.
Museu Nacional e colecionador adquiriram a pedra em 30 de setembro de 2013
Segundo o Meteoritical Bulletin, a pedra foi adquirida em 30 de setembro de 2013 por Maria E. Zucolotto, pesquisadora do Museu Nacional, e por André Moutinho, colecionador e comerciante de meteoritos.
A aquisição aconteceu três dias depois da visita programada pela prefeitura ao povoado. A UOL não chegou a noticiar o desfecho da coleta pelo ITEP.
Condrito LL3.2, um dos quatro mais primitivos já vistos cair
O estudo de Keil e outros 22 autores, publicado em 2015 na Meteoritics & Planetary Science, classificou o Vicência como condrito ordinário LL3.2, sem choque (S1) e fracamente metamorfizado.
Segundo os autores, é uma das apenas quatro quedas de condritos LL classificadas como tão primitivas, ao lado de Semarkona, Bishunpur e Krymka. É esse grau de preservação que dá à pedra de Borracha o interesse científico.
Fragmentos de Vicência à venda para colecionadores
Fragmentos do meteorito Vicência são vendidos a colecionadores. A Página do Moutinho, loja do próprio André Moutinho, anuncia pedaços da pedra, como um fragmento de 0,785 grama.
A pedra que Adeildo queria saber se tinha valor comercial virou, portanto, item de coleção e objeto de estudo ao mesmo tempo. As fontes consultadas não informam quanto o marceneiro recebeu.
Catalogado em 2014, estudado em 2015: o meteorito Vicência no registro mundial
O meteorito Vicência foi incluído no Meteoritical Bulletin Database em 30 de agosto de 2014, com o nome da cidade pernambucana, e descrito em detalhe pelo consórcio de pesquisadores em 2015.
Da calçada da oficina de Adeildo Silva, no povoado Borracha, a pedra de 1,547 quilo passou ao Museu Nacional, a um comerciante de meteoritos e à literatura científica internacional. Nenhuma das fontes informa onde está hoje a massa principal.
Na sua opinião, um meteorito que cai a um metro de um trabalhador deveria pertencer a ele, para vender como quisesse, ou ir obrigatoriamente para um museu, como parte do Vicência foi? Deixe sua opinião nos comentários.
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meteorito Vicência Pernambuco 2013
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

