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Casal compra bunker subterrâneo da Segunda Guerra Mundial por cerca de £ 290 mil, encontra estrutura abandonada sem água nem eletricidade e usada como depósito de gado, desenterra o concreto à prova de bombas, abre novas entradas, cava valas de quase 2 metros e, após três anos e £ 300 mil em obras, transforma tudo em casa de férias de luxo
Escrito por Carla Teles
Publicado em 08/09/2026 às 16:45
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Nick Purchase e Tim Hubbard compraram bunker subterrâneo na Cornualha em 2020 por £ 290 mil. Sem água nem eletricidade e usado como depósito de gado, o imóvel exigiu escavações, novas entradas e impermeabilização antes de virar casa de férias luxuosa após três anos e £ 300 mil em obras.
O bunker subterrâneo comprado pelo arquiteto aposentado Nick Purchase e seu parceiro, Tim Hubbard, em 2020 estava longe de poder ser chamado de casa. Construída na década de 1940 na costa oeste da Cornualha, no Reino Unido, a estrutura de concreto havia sido usada durante a Segunda Guerra Mundial para transmitir mensagens secretas aos Estados Unidos.
Depois de quase meio século sem uso adequado, o local estava escuro, apresentava problemas de umidade e não tinha ligação com água nem eletricidade. Mais recentemente, havia servido como depósito de gado. Purchase e Hubbard pagaram cerca de £ 290 mil pela propriedade e levaram aproximadamente três anos para executar uma transformação que custou outras £ 300 mil.
Bunker foi construído para comunicações durante a Segunda Guerra
Escavado na encosta e coberto por vegetação, o bunker subterrâneo foi projetado para praticamente desaparecer na paisagem da península de Penwith, uma região exposta aos ventos da costa da Cornualha.
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A função original era militar. Durante a Segunda Guerra Mundial, a instalação era utilizada para transmitir mensagens secretas aos Estados Unidos, enquanto as paredes de concreto reforçado ofereciam resistência compatível com os padrões de estruturas militares britânicas da época.
Décadas de abandono deixaram estrutura úmida e sem infraestrutura
Quando o casal assumiu o imóvel, a camada protetora que originalmente impermeabilizava o bunker já estava degradada. A umidade conseguia penetrar no concreto e o espaço subterrâneo permanecia naturalmente escuro.
Também faltavam os elementos básicos para uma residência. Não havia fornecimento de água nem conexão elétrica, e o proprietário anterior havia usado o espaço para armazenar gado antes de iniciar uma tentativa de conversão.
Proprietário anterior já havia conseguido autorização para reforma
A transformação não começou completamente do zero. O antigo dono já havia obtido autorização urbanística para converter o imóvel e instalado uma fossa séptica.
Ele também havia retirado parte da palha e da sujeira acumuladas durante o período em que o bunker subterrâneo foi utilizado como depósito de animais. Ainda assim, a maior parte das intervenções estruturais e da infraestrutura necessária ficou para Nick Purchase e Tim Hubbard.
Levar água ao bunker exigiu comprar outro terreno
Uma das dificuldades estava escondida fora da construção. Para conseguir abastecimento próprio de água e manter a distância necessária entre a fonte e o sistema de águas residuais, o casal precisou adquirir um terreno vizinho.
Segundo a Dwell, foram investidas £ 20 mil somente na compra dessa área adicional, onde seria possível perfurar um poço para abastecer a propriedade. O serviço fazia parte de uma série de gastos que praticamente desapareceriam depois de concluída a obra.
Eletricidade exigiu valas com cerca de 1,8 metro de profundidade
A energia elétrica se tornou outro desafio. Purchase e Hubbard precisaram garantir o direito de passagem para trazer eletricidade de um poste da rede, além de instalar uma caixa de distribuição.
O casal também mandou abrir valas com aproximadamente seis pés de profundidade, cerca de 1,8 metro, para passar cabos de aterramento de cobre até o bunker. A Dwell detalha gastos de £ 2 mil pelo direito de passagem, £ 15 mil pela caixa de distribuição e £ 20 mil pelas escavações e cabeamento.
Estrutura inteira precisou ser novamente desenterrada
Embora o bunker subterrâneo já estivesse enterrado na encosta, a reforma exigiu fazer justamente o contrário. Para corrigir os problemas de infiltração, foi necessário expor novamente a estrutura de concreto.
O revestimento antigo foi removido e todo o bunker recebeu uma nova impermeabilização à base de cimento e isolamento antes de ser enterrado novamente. Purchase destacou à publicação que uma parcela considerável do dinheiro e do tempo foi aplicada em trabalhos que desapareceram depois da conclusão.
Novas entradas precisaram atravessar concreto militar reforçado
O projeto original tinha apenas duas entradas rústicas de concreto. Para levar mais iluminação natural ao interior, o casal decidiu criar duas novas aberturas, chegando a quatro acessos distribuídos em diferentes orientações.
Abrir essas passagens não era equivalente a derrubar uma parede residencial comum. O concreto reforçado havia sido projetado segundo padrões militares para resistir aos efeitos de explosões, exigindo um especialista e equipamentos com discos diamantados para realizar os cortes gradualmente.
Quartos também ganharam aberturas para receber luz
A condição subterrânea tornava a iluminação uma das maiores limitações do projeto. Nos quartos, foram instaladas janelas voltadas para poços de luz capazes de levar claridade para áreas que antes permaneciam praticamente fechadas.
A distribuição das quatro novas aberturas também foi planejada para aproveitar a incidência solar ao longo do dia. O desafio era iluminar o bunker subterrâneo sem apagar a sensação de que se tratava de uma construção militar enterrada.
Elementos originais da Segunda Guerra foram preservados
Purchase e Hubbard não queriam transformar o imóvel em uma casa convencional revestida para esconder completamente seu passado. Parte do objetivo era preservar características reconhecíveis da estrutura original.
Marcas de uma antiga parede interna de proteção contra explosões continuaram aparentes no teto, enquanto antigos dutos da sala do gerador foram mantidos no ambiente posteriormente convertido em banheiro. Dobradiças de latão das portas originais também foram preservadas como peças da história do edifício.
Casal evitou transformar espaço em museu militar
Apesar de conservar esses vestígios, Tim Hubbard explicou que o projeto não pretendia criar uma reprodução temática da Segunda Guerra Mundial com capacetes, óculos ou objetos militares espalhados pelas paredes.
A escolha foi trabalhar com a própria arquitetura existente. O concreto, as aberturas, os dutos e outros componentes originais funcionam como referências históricas, enquanto móveis e acabamentos contemporâneos introduzem o caráter residencial.
Madeira e tecidos foram usados para suavizar concreto aparente
Grande parte das superfícies internas continuou marcada pelo concreto. Para evitar que o ambiente se tornasse excessivamente duro, o casal apostou em materiais com texturas contrastantes.
Os quartos foram revestidos com madeira, enquanto mantas de lã, peças de mohair, couro, plantas e móveis escolhidos cuidadosamente ajudaram a criar uma atmosfera mais confortável. O concreto foi jateado para recuperar sua aparência sem eliminar as marcas da estrutura original.
Móveis de design ajudaram a criar sensação de luxo
A decoração incluiu peças como sofá Togo, da Ligne Roset, mesa e cadeiras da B&B Italia e iluminação da Artemide. Uma mesa de centro foi construída artesanalmente a partir de uma caixa encontrada na própria propriedade.
A combinação permitiu que o bunker subterrâneo mantivesse características brutalistas sem conservar a aparência de instalação abandonada. O objetivo era fazer o visitante perceber o concreto militar, mas ainda encontrar o nível de conforto esperado em uma casa de férias.
Três terraços ampliaram uso da área externa
A transformação não ficou limitada ao interior. Nick e Tim construíram três terraços orientados para sul, leste e oeste, criando diferentes áreas protegidas dependendo da posição do sol e do vento.
Eles também adquiriram terreno adicional e plantaram centenas de árvores, arbustos e sebes nativas. Espinheiro-negro, espinheiro-alvar, roseira silvestre, aveleira, salgueiro e outras espécies foram usadas para integrar a propriedade à paisagem natural de Penwith e criar abrigo contra os ventos costeiros.
Banheira externa foi instalada no ponto mais alto
No canto mais elevado do terreno, o casal colocou uma banheira aquecida a lenha. A posição aproveita as vistas do entorno e acrescenta outro elemento de lazer à propriedade.
A área externa, no entanto, não foi transformada em um jardim formal. Hubbard explicou que a intenção era manter o terreno visualmente conectado à paisagem da Cornualha, preservando uma aparência mais natural ao redor da antiga instalação militar.
Obra consumiu £ 300 mil e aproximadamente três anos
Da impermeabilização às instalações elétricas, passando pelas novas aberturas e acabamento interno, o projeto levou cerca de três anos para ficar pronto.
Segundo a Dwell, o custo total das obras chegou a aproximadamente £ 300 mil, além dos cerca de £ 290 mil pagos inicialmente pelo imóvel. Purchase afirmou que não tinha pressa para concluir a reforma, fator que permitiu enfrentar cada etapa gradualmente.
Antigo bunker virou uma casa de férias chamada Morse
Depois da transformação, o bunker subterrâneo passou a funcionar como casa de férias para aluguel sob o nome Morse, referência à história ligada às comunicações.
Purchase e Hubbard também adotaram informalmente outro apelido: The Mole, ou “A Toupeira”, em alusão tanto à aparência subterrânea quanto à ligação da região da Cornualha com histórias de espionagem.
Estrutura permanece escondida sob a paisagem
Mesmo depois de centenas de milhares de libras em intervenções, o objetivo visual continuou sendo manter a construção integrada ao terreno. Vista de determinados pontos, grande parte dela continua escondida sob a vegetação.
Esse resultado exigiu justamente algumas das obras mais complexas do projeto: desenterrar uma estrutura projetada para permanecer enterrada, reconstruir sua proteção contra água, instalar infraestrutura e depois cobri-la novamente como se quase nada tivesse acontecido.
De depósito de gado a casa subterrânea de férias
Quando Nick Purchase e Tim Hubbard compraram o imóvel em 2020, encontraram concreto deteriorado, umidade, ausência de água e eletricidade e vestígios do período em que o lugar havia servido como depósito para animais.
Três anos e aproximadamente £ 300 mil em obras depois, o mesmo bunker subterrâneo tinha dois quartos, dois banheiros, novas entradas, iluminação natural, móveis de design, terraços e infraestrutura residencial. Você transformaria uma construção militar enterrada em casa de férias ou preservaria o bunker praticamente como foi construído? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

