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Brasil transforma cerca de 32 toneladas de plástico reciclado em uma vila inteira para idosos em Barueri, encaixa blocos intertravados sem argamassa e faz surgir 16 casas de 48 m² pensadas para moradores acima de 60 anos
Escrito por Ana Alice
Publicado em 09/09/2026 às 05:54
Atualizado em 09/09/2026 às 05:55
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Em Barueri, 16 casas térreas para idosos estão sendo erguidas com blocos de plástico reciclado que se encaixam sem argamassa, transformando resíduos pós-consumo em paredes de um projeto habitacional voltado à acessibilidade.
No lugar de tijolos convencionais unidos por argamassa, peças fabricadas com plástico pós-consumo começam a formar as paredes de uma pequena vila destinada a idosos em Barueri, na Grande São Paulo.
O conjunto terá 16 casas térreas de aproximadamente 48 m², e cada residência deverá incorporar cerca de duas toneladas de plástico reciclado.
Isso significa que, se a estimativa informada pela Prefeitura for mantida nas 16 unidades, aproximadamente 32 toneladas de resíduos plásticos estarão incorporadas às moradias.
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O empreendimento, chamado Vila dos Idosos, está em construção no Jardim Paulista, na região de Votupoca, e é conduzido pelas secretarias municipais de Obras e Habitação.
A diferença começa na própria montagem.
Os blocos são produzidos com polipropileno reciclado e projetados para se encaixar uns nos outros, dispensando a aplicação convencional de argamassa entre as peças.
Segundo a administração municipal, o sistema industrializado permite executar boa parte da construção a seco, reduzindo etapas, desperdício de materiais e interferências provocadas pelo clima.
Além da experiência ambiental, a Vila dos Idosos terá uma função social específica: receber moradores com 60 anos ou mais.
As casas foram planejadas sem escadas, e três das 16 unidades terão adaptações direcionadas a pessoas com deficiência.
Duas toneladas de plástico reciclado entram em cada casa
O material não chega à obra na forma em que foi descartado.
Resíduos plásticos pós-consumo passam por etapas de recuperação e transformação industrial até voltarem à cadeia produtiva como matéria-prima para os blocos usados nas paredes.
A Prefeitura de Barueri informa que aproximadamente duas toneladas de plástico reciclado são utilizadas em cada residência.
Multiplicada pelas 16 casas previstas, essa estimativa resulta em cerca de 32 toneladas reaproveitadas no conjunto completo.
O cálculo de 32 toneladas, portanto, é uma projeção baseada na quantidade anunciada por unidade, e não um peso final já aferido de todo o plástico instalado na obra.
Parte dessa matéria-prima chega à fabricante por diferentes integrantes da cadeia de reciclagem, entre eles cooperativas e organizações sociais.
A Prefeitura cita, por exemplo, a ONG Tampinhas que Curam, que recolhe tampinhas plásticas e direciona recursos obtidos com a iniciativa para auxiliar no tratamento de crianças com câncer.
A lógica é a da economia circular: em vez de o material encerrar sua trajetória depois do consumo, ele volta à produção com outra finalidade.
Blocos funcionam por encaixe e dispensam argamassa entre as peças
Uma das características mais incomuns da construção aparece quando as paredes começam a subir.
Os blocos são padronizados e intertravados.
Em vez de depender da camada convencional de argamassa usada para unir tijolos ou blocos de alvenaria, as peças se encaixam mecanicamente umas nas outras.
Isso não significa que uma casa inteira seja construída apenas encaixando peças de plástico ou que materiais tradicionais desapareçam de todas as etapas da obra.
A informação divulgada pela Prefeitura se refere especificamente ao sistema modular utilizado nos blocos e à dispensa da argamassa convencional entre essas peças.
Por ser predominantemente seco e industrializado, o método reduz etapas de execução e tende a gerar menos resíduos durante a montagem, segundo a administração municipal.
Outro efeito esperado é uma previsibilidade maior de cronograma, mão de obra e consumo de materiais.
Espaços internos dos blocos ajudam no comportamento térmico
Os blocos não são peças completamente maciças.
De acordo com a Prefeitura, eles possuem espaços internos que favorecem a circulação de ar e ajudam a reduzir a transferência de calor para o interior das residências.
O desempenho efetivo de uma casa, porém, não depende apenas das paredes.
Cobertura, orientação solar, portas, janelas, ventilação, sombreamento e condições externas também interferem no conforto térmico.
No caso da Vila dos Idosos, a própria distribuição dos ambientes foi projetada levando em consideração ventilação e iluminação natural, segundo informações divulgadas sobre o empreendimento em agosto de 2026.
Cada casa terá dois dormitórios e não terá escadas
A inovação nos materiais não eliminou uma preocupação básica do projeto: adaptar o espaço à rotina de pessoas mais velhas.
As 16 casas terão 48 m², com dois dormitórios, banheiro, área de serviço e ambiente integrado de sala e cozinha.
Todas serão térreas e construídas sem escadas.
Três unidades serão especificamente adaptadas para pessoas com deficiência.
Segundo Alessandro Augusto dos Santos, diretor-técnico de Obras Civis e Urbanísticas da Secretaria de Obras de Barueri, a concepção busca oferecer autonomia, segurança, inclusão e qualidade de vida aos futuros moradores.
O conjunto ocupa um terreno de aproximadamente 2.700 m² no Jardim Paulista, em Votupoca.
A área comum também deverá receber uma pequena praça de convivência, com bancos, iluminação e circulação acessível, conforme a viabilidade técnica do projeto.
As casas não serão destinadas indistintamente a qualquer pessoa com mais de 60 anos.
A Prefeitura informou que os futuros residentes deverão ser escolhidos por sorteio entre pessoas cadastradas no programa de aluguel social da Secretaria Municipal de Habitação.
Esse critério conecta a experiência construtiva a uma política de habitação social já existente no município.
Em vez de funcionar apenas como demonstração de uma tecnologia feita com material reciclado, a Vila dos Idosos foi planejada para atender parte de uma população que enfrenta dificuldades habitacionais e necessidades específicas relacionadas à idade.
Até setembro de 2026, a Secretaria de Obras de Barueri continuava classificando oficialmente a Vila dos Idosos do Jardim Paulista como obra em andamento.
Publicações de agosto baseadas nas informações da administração municipal apontavam previsão de entrega das unidades para novembro de 2026.
Tecnologia pode aparecer em outros prédios públicos
A Prefeitura vê a experiência também como um teste para aplicações além das 16 casas.
Por ser modular e industrializado, o sistema poderia ser adaptado futuramente a outros tipos de construção pública, como unidades básicas de saúde, creches, escolas, postos de saúde e prédios administrativos.
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Na Vila dos Idosos, porém, a tecnologia já saiu da etapa conceitual.
As paredes em montagem representam uma destinação diferente para toneladas de plástico pós-consumo: resíduos recuperados, processados industrialmente e convertidos em componentes construtivos para casas planejadas justamente para uma população que precisa de acessibilidade e autonomia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

