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Depois de enfrentar dois incêndios no próprio prédio, estudante brasileiro passa cinco anos criando um robô-formiga de seis patas com IA e câmera térmica capaz de enxergar pelo calor, entrar em edifícios em chamas, procurar vítimas entre a fumaça e mapear rotas antes dos bombeiros
Escrito por Ana Alice
Publicado em 09/09/2026 às 07:12
Atualizado em 09/09/2026 às 07:13
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Criado por um estudante do ensino médio em São Paulo, o ELPIS combina seis patas, câmera térmica, inteligência artificial e proteção contra calor para localizar vítimas e orientar bombeiros em ambientes de alto risco.
Um robô de seis patas, pequeno o suficiente para circular por ambientes difíceis e resistente o bastante para enfrentar temperaturas elevadas, virou o centro de um projeto desenvolvido por Heitor Santos Garcia, então com 17 anos, no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo.
A proposta é usar inteligência artificial, sensores e câmeras térmicas para localizar pessoas, identificar pontos de interesse e enviar informações aos bombeiros antes da entrada das equipes nas áreas mais perigosas de um incêndio.
Batizado de ELPIS, o projeto começou ainda durante a trajetória escolar de Heitor e foi desenvolvido ao longo de aproximadamente cinco anos.
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Paulo Nogueira
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Em 2025, quando a Exame publicou uma reportagem detalhada sobre a invenção, o protótipo estava estimado em cerca de 75% de conclusão e ainda precisava integrar locomoção, isolamento térmico, refrigeração e visão computacional em uma única unidade funcional.
A ideia nasceu depois de uma experiência pessoal.
Heitor contou que passou por dois incêndios no prédio onde morava e que também tinha contato com bombeiros por meio de amigos de seu pai.
A partir daí, começou a pesquisar formas de reduzir o tempo necessário para descobrir onde estão vítimas e quais áreas de um edifício representam maior risco durante uma ocorrência.
O projeto ganhou continuidade além da primeira repercussão.
Em outubro de 2025, o ELPIS apareceu entre os projetos finalistas da 40ª Mostratec, uma das principais feiras de ciência e tecnologia voltadas a estudantes da educação básica e técnica.
Em maio de 2026, a Revista Educação voltou a citar Heitor, já como ex-aluno do Dante, e identificou o trabalho pelo nome completo: “ELPIS: criação de robôs para localização de vítimas em incêndios urbanos”.
Dois incêndios ajudaram a definir o problema que Heitor queria enfrentar
O objetivo não era criar um robô para apagar as chamas.
A função imaginada para a máquina é diferente: entrar primeiro, coletar informações e transmitir ao operador aquilo que uma equipe humana ainda não consegue observar com segurança.
Na reportagem publicada pela Exame em outubro de 2025, Heitor explicou que queria que o equipamento atuasse especialmente nos primeiros 45 minutos da ocorrência, período escolhido pelo projeto como uma janela crítica para localizar vítimas e orientar o resgate.
Durante suas pesquisas, o estudante também afirmou ter encontrado dados indicando mais de 7 mil incêndios no estado de São Paulo em um único ano.
Esse número aparece no relato de Heitor reproduzido pela Exame, mas não foi localizada uma base pública específica que permita identificar com segurança qual categoria de incêndio ele estava utilizando naquela comparação.
Por isso, o dado deve ser entendido como parte da pesquisa citada pelo próprio estudante, e não como uma estatística oficial independente confirmada nesta checagem.
Formiga venceu a cobra na escolha do formato do robô
Antes de chegar às seis patas, Heitor estudou diferentes referências encontradas na natureza.
Entre as possibilidades avaliadas estavam cobras e formigas.
A escolha pela formiga veio da combinação entre baixo peso, estabilidade e capacidade de se movimentar em terrenos irregulares.
Em um edifício atingido pelo fogo, o piso pode estar coberto por destroços, objetos, cabos e partes de estruturas danificadas, tornando a mobilidade um dos principais desafios para um pequeno robô terrestre.
Outro ponto considerado foi a tolerância a danos.
O projeto busca preservar a capacidade de deslocamento mesmo que uma das pernas seja comprometida durante a operação.
Segundo Heitor, essa redundância foi uma das vantagens consideradas ao optar pela anatomia inspirada no inseto.
A estrutura de seis patas também deixa os componentes eletrônicos concentrados na parte central, onde podem receber proteção térmica adicional.
Fibra de carbono e lã de rocha tentam proteger a eletrônica do calor
Fazer um robô andar foi apenas parte do problema.
O desafio seguinte era impedir que motores, circuitos, sensores e placas eletrônicas fossem rapidamente destruídos pelas temperaturas encontradas perto de um incêndio.
Heitor realizou testes em fornos de laboratório para avaliar diferentes formas de isolamento.
O protótipo descrito em 2025 utilizava uma caixa de fibra de carbono revestida com lã de rocha e uma fita especial, além de sensores capazes de acompanhar a temperatura interna em tempo real.
Esses sensores têm uma função importante: indicar ao operador quando o calor acumulado começa a colocar a eletrônica em risco.
A equipe também estudava um sistema ativo de resfriamento com alumínio, água gelada e gelo seco.
A intenção era retirar parte do calor do interior da estrutura e ampliar o período de funcionamento em ambientes extremos.
O orientador do projeto, Wayner de Souza Klën, acompanhou essa fase do desenvolvimento.
Em 2025, registros profissionais e acadêmicos o identificavam como doutorando em Física no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, além de professor do Dante.
Câmera térmica e IA procuram silhuetas humanas
Depois de sobreviver ao ambiente, o robô precisa entender o que está ao redor.
O sistema foi projetado para receber câmeras térmicas e algoritmos de inteligência artificial capazes de identificar formas humanas e pontos que mereçam atenção do operador.
As imagens seriam transmitidas em tempo real.
A partir delas, o sistema pretende ajudar a montar um mapa virtual do espaço percorrido e indicar aos bombeiros onde estão possíveis vítimas ou rotas mais adequadas para a entrada.
A proposta não elimina o papel dos profissionais.
O robô funciona como um explorador remoto: entra antes na área de maior risco, coleta dados e fornece informações para a tomada de decisão.
Heitor também imaginou uma etapa posterior em que vários robôs atuariam simultaneamente, dividindo a busca por diferentes partes de um edifício.
Segundo ele, ganhar cinco ou dez minutos pode alterar significativamente o resultado de uma operação de resgate.
Protótipo foi estimado entre R$ 1,2 mil e R$ 1,6 mil
Outro elemento que chamou atenção no projeto foi o custo.
Em 2025, a estimativa divulgada pela equipe colocava o protótipo entre R$ 1,2 mil e R$ 1,6 mil, com motores e placas de controle entre os componentes de maior peso no orçamento.
Esse valor se referia ao protótipo escolar em desenvolvimento e não a um preço final de um produto pronto para uso operacional.
Uma eventual versão destinada a ocorrências reais poderia exigir certificações, componentes adicionais, redundância, comunicação protegida e testes de segurança que alterariam significativamente o custo.
Naquele momento, a prioridade ainda era provar que todos os sistemas poderiam funcionar juntos.
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Projeto chegou à Mostratec antes de terminar o ciclo escolar
O ELPIS também saiu do laboratório do colégio e chegou a uma feira científica nacional.
Em 2025, o projeto apareceu oficialmente entre os finalistas da Mostratec, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, na área de engenharia e materiais.
A feira também incluiu o ELPIS entre os projetos de destaque daquela edição, mostrando que o trabalho permaneceu em circulação acadêmica mesmo depois da reportagem inicial.
No ano seguinte, a Revista Educação usou justamente uma foto de Heitor com Wayner para ilustrar uma reportagem sobre iniciação científica na escola e voltou a mencionar o ELPIS como exemplo de pesquisa desenvolvida no ensino médio.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

