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Estudo liderado por pesquisador da Universidade de Copenhague sequenciou o DNA do extinto rato-de-Christmas-Island a partir de peles secas de 1900 a 1902, recuperou 95,15% do genoma do rato-marrom-da-Noruega e concluiu que a divergência evolutiva de 2,6 milhões de anos apaga trechos genéticos e transforma a desextinção em híbrido, nunca em réplica
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/09/2026 às 10:39
Atualizado em 09/09/2026 às 10:40
Ciência e Tecnologia
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Cientistas extraíram DNA de peles secas de dois espécimes do rato-de-Christmas-Island, extinto entre 1898 e 1908, e mapearam apenas 95,15% do genoma do rato-marrom-da-Noruega. A perda atingiu genes do sistema imune e do olfato, e a divergência de 2,6 milhões de anos, segundo o estudo, torna qualquer desextinção um híbrido
Um estudo liderado por um pesquisador da Universidade de Copenhague usou o extinto rato-de-Christmas-Island (Rattus macleari) para testar os limites da desextinção por engenharia genética e concluiu que quase 5% do genoma do animal está perdido para sempre. Os dados, obtidos de peles secas de dois espécimes coletados entre 1900 e 1902, cobriram 95,15% do genoma de referência do rato-marrom-da-Noruega, e as lacunas atingem genes cruciais para o sistema imune e o olfato.
As informações foram publicadas pela CNN Brasil em 8 de setembro de 2026, em texto de Larissa Soave, com atualização em 9 de setembro, a partir dos resultados do estudo sobre os limites genômicos impostos pela divergência evolutiva.
Extinção não é coisa do passado: rã de Campo Grande sumiu em 2021
Os registros de extinção não datam apenas de épocas pré-históricas, como a dos mamutes. Em 2021, a rã-arborícola de Campo Grande, que vivia em pequenas áreas de floresta e zonas úmidas do estado de São Paulo, foi declarada extinta.
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Por isso, a possibilidade de reverter a extinção de animais é discutida por cientistas, mas com obstáculos no caminho, entre eles a perda irreversível de material genético.
Rato-de-Christmas-Island desapareceu entre 1898 e 1908
Para explorar o problema, os cientistas usaram como modelo o rato-de-Christmas-Island, espécie endêmica que desapareceu entre 1898 e 1908.
O animal serve de caso de teste justamente por estar extinto há mais de um século e ter parentes vivos bem estudados, como o rato-marrom-da-Noruega.
DNA saiu de peles secas de dois espécimes coletados entre 1900 e 1902
O material genético foi extraído de pele seca de dois espécimes preservados do animal, originalmente coletados entre 1900 e 1902.
As amostras têm, portanto, cerca de 125 anos, e foram recolhidas nos últimos anos de existência da espécie.
Illumina e MGISeq sequenciaram o genoma, mapeado contra o rato-marrom-da-Noruega
O genoma do rato foi sequenciado com as tecnologias Illumina e MGISeq, e as sequências foram mapeadas contra o genoma de referência do rato-marrom-da-Noruega (Rattus norvegicus).
A segunda espécie foi escolhida por ter um genoma de alta qualidade e por ser amplamente usada como modelo em estudos genômicos e de edição celular.
95,15% de cobertura: quase 5% do genoma segue ausente
Apesar da alta cobertura do sequenciamento, os dados recuperados cobriram apenas 95,15% do genoma de referência do rato-marrom.
Isso significa que quase 5% do genoma permanece ausente, mesmo com amostras bem preservadas e tecnologia atual.
Simulações testaram fragmentos curtos e vieses de PCR como causa
Para entender o que causa a perda, os cientistas realizaram simulações e testaram hipóteses, como o comprimento curto dos fragmentos de DNA antigo e possíveis vieses na amplificação por PCR.
Nenhuma dessas hipóteses explicou sozinha a lacuna de quase 5%, conforme a conclusão do estudo relatada pela CNN Brasil.
Divergência de 2,6 milhões de anos é a principal responsável pela perda
Os pesquisadores concluíram que a divergência evolutiva é a principal responsável pelas falhas. As duas espécies analisadas se separaram há cerca de 2,6 milhões de anos.
Nesse tempo, certas regiões genômicas ficaram tão modificadas que as leituras de DNA do rato extinto não conseguem ser mapeadas de volta à referência do rato-marrom.
Genes do sistema imune e do olfato foram os mais afetados
As falhas de mapeamento não foram aleatórias. Os cientistas descobriram que a perda afetou diretamente genes cruciais para o sistema imune e a olfação do animal.
Caso reconstruíssem uma versão desse rato, ele teria sérias dificuldades para farejar comida, reconhecer predadores ou combater infecções na natureza, segundo o estudo.
Pelagem preta, bigodes longos e orelhas arredondadas: visual recuperado com mais de 90%
As características visuais, por outro lado, poderiam ser recriadas. O estudo recuperou com mais de 90% de precisão os genes responsáveis pela pelagem preta e espessa, pelos bigodes longos e pelas orelhas arredondadas do rato-de-Christmas-Island.
O animal poderia parecer o original por fora, mas sem parte do que o fazia sobreviver por dentro.
Quanto maior a distância evolutiva entre espécies de Rattus, menor a cobertura
Ao comparar o rato extinto a outras espécies de Rattus, os pesquisadores notaram que a cobertura diminui progressivamente à medida que a distância evolutiva aumenta.
O padrão indica que o problema não é exclusivo do rato-de-Christmas-Island, e sim uma regra ligada ao tempo de separação entre as espécies.
Desextinção por edição genética produz híbrido, nunca réplica
A pesquisa concluiu que qualquer tentativa de desextinção por edição genética teria como resultado apenas um organismo híbrido.
Mesmo carregando trechos idênticos aos do parente moderno vivo, o rato-marrom, o animal gerado teria perdido para sempre parte da informação genômica original, o que torna impossível uma réplica exata.
Distância igual à do mamute e do elefante-asiático: o modelo para grandes mamíferos
Segundo os pesquisadores, o desafio aumenta conforme o tempo de divergência evolutiva. A distância entre o rato-de-Christmas-Island e seu parente moderno é similar à que separa o mamute-lanoso do elefante-asiático atual.
Por isso, os achados funcionam como modelo direto para demonstrar os limites reais de projetos que tentam trazer grandes mamíferos de volta à vida, conforme a CNN Brasil.
Na sua opinião, vale investir em projetos de desextinção mesmo sabendo que o resultado será um híbrido, e não uma cópia do animal original? Deixe sua opinião nos comentários.
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desextinção rato-de-Christmas-Island híbrido
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

