4 min de leitura
Homem guarda 5 Bitcoins em carteira em 2015, perde acesso à conta depois de trocar a senha e esquecê-la, passa 11 anos tentando recuperar as criptomoedas e, após uma última tentativa com inteligência artificial em 2026, consegue reaver os ativos avaliados em aproximadamente US$ 395 mil
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/09/2026 às 12:25
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A recuperação não exigiu quebrar a segurança do Bitcoin: o sistema Claude ajudou a localizar, entre arquivos preservados desde a faculdade, uma cópia antiga da carteira que podia ser aberta com informações que o proprietário ainda mantinha.
Um homem identificado publicamente apenas pelo nome de usuário cprkrn voltou a controlar cinco Bitcoins que permaneceram inacessíveis por cerca de 11 anos. A solução apareceu quando uma inteligência artificial encontrou, em seu antigo computador, um arquivo da carteira que havia passado despercebido nas tentativas anteriores.
O caso foi relatado em maio deste ano pelo The Register. O veículo informou que cprkrn recorreu ao Claude, sistema desenvolvido pela Anthropic, depois de anos tentando reconstruir as credenciais necessárias para recuperar as criptomoedas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Logística e Transporte
Paranaguá prepara mais de R$ 500 milhões em obras na BR-277 e nos acessos ao porto para atacar gargalos de mobilidade e segurança
Paranaguá se prepara para receber mais de R$ 500 milhões em obras na BR-277 e nos acessos portuários, um pacote voltado a reduzir conflitos entre caminhões e tráfego urbano, ampliar…
Paulo Nogueira
0
Os cinco Bitcoins haviam sido comprados em 2015, durante a faculdade, quando cada unidade valia aproximadamente US$ 250. A posição custava, portanto, cerca de US$ 1.250 na época e estava avaliada em aproximadamente US$ 395 mil quando o acesso foi recuperado.
A senha esquecida e as tentativas de recuperação
O bloqueio começou depois que cprkrn alterou uma das informações necessárias para acessar a carteira e, mais tarde, não conseguiu lembrar a nova senha. Ele ainda conservava duas das três informações relacionadas ao acesso, mas a credencial modificada havia se perdido.
As moedas não tinham desaparecido da rede nem deixado de estar associadas à carteira que o proprietário reconhecia como sua. O problema era não possuir as credenciais necessárias para chegar às chaves privadas e autorizar uma transferência dos Bitcoins.
Ao longo dos anos, cprkrn tentou reconstruir a senha a partir de lembranças, arquivos e registros produzidos no período universitário. A busca chegou aos cadernos guardados na casa dos pais, examinados à procura de sequências que pudessem corresponder à credencial perdida.
Entre esses materiais apareceu uma antiga frase mnemônica relacionada à carteira. A informação oferecia uma possibilidade de recuperação, mas não bastava sozinha, porque ainda era necessário encontrar uma versão da carteira que pudesse ser aberta com os dados preservados.
As tentativas também passaram por ferramentas capazes de testar grandes volumes de combinações. Conforme os números publicados pelo The Register, cerca de 3,5 trilhões de sequências foram experimentadas sem que alguma delas produzisse a senha capaz de abrir a versão bloqueada da carteira.
Mesmo esse volume de testes não devolveu o acesso. A alternativa que funcionaria depois dependia de localizar outro arquivo relacionado à carteira, em vez de descobrir diretamente a combinação que havia sido esquecida anos antes.
Claude encontrou uma cópia antiga da carteira
Assista o vídeo
Na tentativa que finalmente deu resultado, cprkrn disponibilizou ao Claude os arquivos mantidos no computador usado durante a faculdade e pediu ajuda para procurar informações relacionadas à carteira e às credenciais antigas.
Entre esses dados, o sistema identificou uma cópia anterior da carteira que havia passado despercebida. O arquivo podia ser usado com a informação encontrada nas anotações do proprietário, criando uma rota de recuperação diferente daquela baseada na senha que ele não conseguia lembrar.
A combinação permitiu chegar às chaves privadas necessárias para controlar os Bitcoins. Com elas novamente disponíveis, cprkrn conseguiu transferir as cinco unidades para uma carteira atual sob seu controle.
O papel da inteligência artificial não foi quebrar a criptografia do Bitcoin nem explorar uma vulnerabilidade da rede. Claude trabalhou sobre dados fornecidos pelo próprio usuário e ajudou a localizar, entre arquivos antigos, uma versão da carteira compatível com informações que ele havia preservado.
Saber que determinado endereço pertence a uma pessoa não permite, por si só, movimentar as moedas vinculadas a ele. Para autorizar uma transferência, é necessário possuir as chaves privadas correspondentes ou informações que permitam restaurá-las.
O histórico associado ao caso indicava que os fundos permaneciam sem movimentação desde abril de 2015. Depois da recuperação, os cinco Bitcoins foram enviados para outro endereço no mesmo período em que cprkrn tornou público que havia recuperado o acesso.
Os registros de movimentação de endereços Bitcoin são públicos e podem ser consultados em exploradores da blockchain, como o mantido pela Blockchain.com. Esses registros permitem acompanhar transferências, mas não revelam, por si só, a identidade civil de quem controla uma carteira.
Durante os anos em que o saldo ficou bloqueado, o valor associado aos cinco Bitcoins mudou de escala. As moedas compradas quando valiam juntas cerca de US$ 1.250 representavam uma soma próxima de US$ 400 mil no momento em que o proprietário recuperou as chaves.
A solução só se tornou possível porque materiais produzidos anos antes ainda existiam: o computador da faculdade, as anotações universitárias, a frase mnemônica e uma versão anterior da carteira. O arquivo encontrado pelo Claude permitiu usar essas informações sem que cprkrn precisasse recuperar da memória a senha modificada.
Depois da transferência, os cinco Bitcoins deixaram o endereço em que haviam permanecido parados desde 2015 e passaram para uma carteira sob controle atual do proprietário. A recuperação ocorreu, portanto, a partir de dados legítimos que continuavam armazenados no próprio histórico digital de cprkrn.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

