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Produtor solta até 14 porcos em área de mata de sua fazenda nos Estados Unidos, eles passam dois anos fuçando e adubando o solo, ajudam a controlar plantas invasoras e fazem surgir pastagem verde onde antes havia um emaranhado de arbustos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 09/09/2026 às 12:22
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Projeto acompanhado por dois anos registrou aumento de matéria orgânica e nitrogênio no solo, redução de plantas invasoras e avanço de forrageiras em uma área de quatro acres manejada com rotação de suínos no sudeste da Pensilvânia.
O uso controlado de porcos ajudou a transformar uma área arborizada e tomada por arbustos em terreno com maior presença de forrageiras na Skyline Pastures, pequena propriedade do sudeste da Pensilvânia. O sistema manteve as árvores e usou o comportamento natural dos animais como ferramenta de manejo.
A fazenda, administrada por Charles Lafferty, possui cerca de 12 acres, equivalentes a aproximadamente 4,9 hectares. Quatro acres, ou cerca de 1,6 hectare, são trabalhados como silvipastagem, sistema que combina árvores, vegetação forrageira e criação animal na mesma área.
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Paulo Nogueira
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O relatório final do projeto FNE23-053, publicado pelo Sustainable Agriculture Research and Education (SARE), registra que a propriedade cria aproximadamente 14 porcos por ano, além de bovinos, frangos e perus. O trabalho procurou avaliar se uma parcela arborizada subutilizada poderia ser incorporada à produção sem ser convertida em pasto aberto.
Lafferty dividiu parte da área em pequenos piquetes com cercas elétricas temporárias e movimentou os animais entre eles. Os porcos recebiam água, alimento e abrigo, enquanto exploravam o terreno, consumiam parte da vegetação, depositavam esterco e revolviam a camada superficial do solo com o focinho.
Rotação alterou solo e vegetação
A movimentação periódica era essencial para distribuir a pressão dos animais. Em vez de permanecerem continuamente no mesmo trecho, os suínos atuavam em uma parcela por determinado período e depois eram transferidos, permitindo que a área utilizada entrasse em recuperação.
Nos testes realizados antes e depois dos ciclos de pastejo, o projeto registrou aumento médio de aproximadamente 0,5 ponto percentual na matéria orgânica e elevação média de 8 partes por milhão nos níveis de nitrogênio analisados nos piquetes.
O próprio relatório ressalta que dois anos representam um intervalo curto para medir mudanças duradouras na fertilidade do solo. Por isso, o acompanhamento também considerou alterações observadas na cobertura vegetal e no funcionamento prático da área submetida aos animais.
Entre os efeitos registrados esteve o maior controle de plantas invasoras. A autumn olive, arbusto exótico capaz de formar áreas densas e competir com outras espécies, perdeu espaço em partes manejadas, enquanto plantas forrageiras passaram a se estabelecer no terreno.
Orchardgrass e trevo-vermelho ficaram entre as espécies que apresentaram bom desenvolvimento nas condições avaliadas. A formação da vegetação, porém, não foi uniforme em todos os pontos, indicando que características locais do terreno influenciam a escolha e o estabelecimento das sementes.
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Árvores destinadas à produção de forragem e frutos secos também foram introduzidas para manter o componente arborizado do sistema. O documento registrou sobrevivência superior a 90% das árvores acompanhadas, embora um período maior fosse necessário para avaliar crescimento e produtividade.
Até as áreas de lama abertas pelos porcos entraram na observação ambiental. Essas depressões, inicialmente consideradas um possível problema, foram descritas no projeto como pequenos habitats que passaram a influenciar a distribuição de umidade e a temperatura do solo dentro da área manejada.
Manejo exige estrutura e controle da pressão
Os resultados não dependiam simplesmente de deixar os animais soltos na mata. O sistema exigia cercamento, água, abrigo, alimentação e acompanhamento da cobertura vegetal, além da transferência frequente dos suínos para evitar que a atividade permanecesse concentrada por tempo excessivo no mesmo ponto.
A resistência da infraestrutura também se tornou parte do aprendizado. Alimentadores, bebedouros, cercas e outros equipamentos tiveram de suportar animais fortes e exploradores, enquanto as estruturas portáteis permitiam mudar o lote de posição e distribuir o impacto entre diferentes parcelas.
A experiência incluiu ainda uma avaliação financeira. Depois de contabilizar as despesas consideradas pelo projeto, o relatório calculou lucro líquido médio de aproximadamente US$ 300 por porco e registrou menor dependência de ração comprada graças ao alimento disponível durante o pastejo.
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Esse resultado corresponde às condições específicas da Skyline Pastures e não elimina os custos de implantação. Cercas, carregadores elétricos, alimentadores, bebedouros e abrigos exigiram investimento inicial, além da mão de obra necessária para acompanhar os animais e manter o sistema de rotação.
Área segue integrada à produção da fazenda
O manejo permaneceu ativo depois do período formal de acompanhamento. Em reportagem publicada em julho deste ano, o Country Folks informou que Lafferty continuava mantendo de 12 a 14 porcos em rotação pelos quatro acres arborizados, divididos em piquetes de aproximadamente três quartos de acre a um acre.
A publicação descreveu uma área onde o antigo emaranhado de roseira-multiflora havia dado lugar a uma silvipastagem com capim sob as árvores. A permanência do sistema depois do projeto mostra que o trecho continuou incorporado à rotina produtiva da propriedade, em vez de funcionar apenas como área experimental temporária.
A experiência também passou a ser apresentada a outros produtores. O SARE registrou mais de 50 participantes em dias de campo e caminhadas pela fazenda, atividades usadas para mostrar na própria área o cercamento, a rotação dos animais, o estabelecimento de forrageiras e o manejo da vegetação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

