6 min de leitura
Santos aposta em solução inédita no Brasil para frear o avanço do mar, enterra geotubos gigantes cheios de areia sob a água para quebrar a força das ondas, protege trecho onde vivem 34,8 mil pessoas e prepara expansão de 500 metros para 1,4 quilômetro após investimento inicial de R$ 3 milhões
Escrito por Carla Teles
Publicado em 09/09/2026 às 16:59
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Projeto pioneiro em Santos instala geotubos submersos na Ponta da Praia para reduzir o avanço do mar, enfraquecer ressacas marítimas e conter erosão costeira, criando uma barreira rasa com areia da própria praia; estrutura piloto custou cerca de R$ 3 milhões e deve crescer de 500 metros para 1,4 quilômetro.
Santos, no litoral paulista, instalou geotubos submersos na Ponta da Praia para reduzir o avanço do mar, conter a erosão costeira e diminuir os impactos provocados pelas ressacas marítimas. O projeto-piloto, implantado em um trecho de pouco mais de 500 metros da orla, utiliza grandes estruturas preenchidas com areia para fazer as ondas perderem força antes de chegar à praia e às áreas urbanizadas.
Segundo informações publicadas pela NSC Total em 8 de setembro de 2026, a primeira etapa recebeu cerca de R$ 3 milhões provenientes de uma compensação ambiental do Porto de Santos e também envolveu reforço da sinalização náutica. A intervenção está localizada na Ponta da Praia, região onde vivem aproximadamente 34,8 mil pessoas, e uma nova fase prevê ampliar a barreira submersa para 1,4 quilômetro.
Geotubos ficam escondidos sob a água e fazem as ondas perderem força
A principal diferença da solução adotada em Santos está no fato de que os geotubos não formam uma grande parede visível diante da praia. As estruturas são semelhantes a enormes sacos confeccionados com tecido resistente ao atrito provocado pelo ambiente marinho e preenchidos com areia retirada da própria faixa costeira. Depois de instalados sob a água, eles modificam a profundidade naquele ponto e criam uma espécie de barreira submersa.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Economia
Estudante com formatura prevista entre março de 2028 e dezembro de 2029 tem até 13 de setembro para disputar uma das 210 vagas de estágio que a siderúrgica abriu em 37 cidades das cinco regiões do país
O estudante com formatura prevista entre março de dois mil e vinte e oito e dezembro de dois mil e vinte e nove tem até o dia treze de setembro…
Paulo Nogueira
0
Quando as ondas passam por essa região mais rasa, ocorre a arrebentação antes que elas alcancem diretamente a orla. A ideia é dissipar parte da energia do mar antecipadamente, reduzindo a intensidade com que a água chega à faixa de areia e às estruturas urbanas.
Esse efeito se torna especialmente importante durante ressacas marítimas, períodos em que o nível de agitação aumenta e a água pode ultrapassar as muretas e alcançar o asfalto.
Avanço do mar já pressiona um dos trechos mais expostos de Santos
A Ponta da Praia fica no último trecho da orla santista e convive com episódios recorrentes de forte agitação marítima. Em situações mais severas, as ondas avançam sobre áreas que normalmente permanecem secas, aumentando a pressão sobre a praia e sobre a infraestrutura próxima. Esse cenário fez do local um dos pontos escolhidos para testar uma solução voltada diretamente à redução do avanço do mar.
O problema também está relacionado à movimentação contínua dos sedimentos. A ação das ondas pode remover areia de determinados pontos, alterando o perfil da costa e ampliando a vulnerabilidade diante de novos eventos.
Conter a erosão costeira significa não apenas enfrentar uma ressaca isolada, mas tentar preservar a faixa de praia ao longo do tempo, mantendo sedimentos na região e reduzindo a energia que alcança a margem.
Projeto-piloto começou com pouco mais de 500 metros e R$ 3 milhões
A primeira etapa da estrutura foi instalada na altura do canal 6, na Ponta da Praia, após um contrato firmado em 2018 entre a Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, e a Prefeitura de Santos. O projeto-piloto alcançou pouco mais de 500 metros de extensão e foi desenvolvido como uma experiência de proteção costeira baseada em uma configuração ainda pouco utilizada no país.
Cerca de R$ 3 milhões foram destinados à fase inicial, com recursos originados de compensação ambiental do Porto de Santos.
Parte da verba também foi utilizada para reforçar a sinalização náutica da região. A estrutura formada pelos geotubos passou, então, a funcionar como uma barreira destinada a reduzir o avanço do mar, reter areia e diminuir os efeitos da erosão sobre aquele trecho da costa.
Solução foi tratada como inédita no Brasil e pode chegar a 1,4 quilômetro
A configuração do projeto foi classificada como inédita no Brasil na comparação com intervenções semelhantes pesquisadas pela equipe responsável pelo projeto-piloto.
A estrutura possui formato de barreira submersa e foi desenvolvida para atuar sem impedir o uso recreativo da praia. Por permanecer abaixo da superfície, a solução também reduz a interferência visual na paisagem da orla, um dos diferenciais apontados para esse tipo de intervenção.
A próxima etapa prevê levar os geotubos dos atuais pouco mais de 500 metros para cerca de 1,4 quilômetro de extensão, ligando os canais 4 e 6. A expansão deverá ser custeada e executada pela Autoridade Portuária de Santos, responsável pelo Porto de Santos, embora os valores dessa nova fase ainda não tenham sido informados.
Expansão pode alcançar Aparecida e Embaré
Além de reforçar a estrutura já existente, os planos para a nova etapa incluem módulos voltados aos bairros vizinhos de Aparecida e Embaré. O objetivo é ampliar a retenção de sedimentos e diminuir a energia incidente das ondas em uma área maior, prolongando o efeito observado inicialmente na Ponta da Praia e fortalecendo a resposta local às ressacas marítimas.
A ampliação, porém, ainda depende de etapas ambientais. Segundo as informações disponíveis, o projeto de expansão está em fase de estudo relacionado ao licenciamento ambiental.
A consulta envolve a necessidade de autorização para instalar novos quebra-mares submersos voltados à contenção da erosão costeira, antes que a intervenção possa efetivamente avançar para os novos trechos.
Erosão costeira exige mais do que uma barreira contra uma única ressaca
A atuação dos geotubos não significa bloquear completamente o oceano nem impedir que Santos volte a registrar mar agitado. O princípio da obra é outro: modificar a maneira como a energia das ondas chega à costa. Durante ressacas marítimas, essa diferença pode diminuir a intensidade da água que alcança a faixa de areia e contribuir para reduzir processos erosivos que se acumulam ao longo do tempo.
Por isso, o resultado da intervenção depende também do comportamento dos sedimentos e do desempenho da estrutura ao longo dos anos. O avanço do mar é um problema dinâmico, influenciado pela ação constante das ondas e pelas características locais da costa.
A expansão de 500 metros para 1,4 quilômetro representa uma tentativa de ampliar a proteção, mas também exigirá acompanhamento para avaliar como a barreira responde em diferentes condições marítimas.
Santos aposta em uma estrutura que quase desaparece na paisagem
Um dos pontos que diferencia o sistema é justamente sua pouca presença visual. Diferentemente de grandes paredões construídos diretamente sobre a praia, os geotubos permanecem submersos, permitindo que a faixa costeira continue sendo utilizada e evitando uma transformação mais intensa da paisagem. Ao mesmo tempo, a barreira trabalha abaixo da superfície para induzir a quebra antecipada das ondas.
Em uma região com 34,8 mil moradores somente na Ponta da Praia, a experiência coloca Santos entre as cidades brasileiras que buscam novas formas de responder à erosão costeira e ao avanço do mar sem recorrer exclusivamente às soluções tradicionais. Você acredita que estruturas submersas como os geotubos podem ser uma alternativa eficiente para proteger cidades costeiras ou outras medidas deveriam ter prioridade? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

