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Motorista de aplicativo fazia corrida de madrugada com passageiro no banco de trás quando vê casal empurrando carro sem gasolina numa rotatória, descobre que a mulher está em trabalho de parto e corre para levá-los à maternidade sem cobrar nada
Escrito por Carla Teles
Publicado em 11/09/2026 às 12:24
Atualizado em 11/09/2026 às 12:25
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Pedro Recaldes, 48 anos, ainda tinha um passageiro no banco de trás quando avistou Ingred Soares e Diogo Lima empurrando o carro sem combustível numa rotatória de Campo Grande (MS), na madrugada do dia 19 de julho.
No meio de uma corrida de madrugada, com um passageiro ainda no banco de trás, o motorista de aplicativo Pedro Recaldes, 48 anos, avistou um casal empurrando o carro parado sem gasolina numa rotatória de Campo Grande (MS), e descobriu, ali mesmo, que a mulher estava em trabalho de parto.
Ingred Soares, 19 anos, e o marido Diogo Lima, 22, já haviam recebido ajuda de um motociclista para tirar o carro do meio da via, mas estavam sem crédito e sem internet para pedir socorro. Pedro negociou com o próprio passageiro, colocou o casal no veículo e correu até a maternidade, e, na chegada, se recusou a cobrar pela corrida.
Uma corrida comum, até o desvio inesperado
Por volta das 3h da madrugada, Pedro Recaldes seguia em mais uma corrida como tantas outras: havia pegado um passageiro no Conjunto Estrela do Sul e rumava para o bairro Bela Vista, próximo ao Centro de Campo Grande. Era só mais uma viagem de rotina para um motorista de aplicativo, com alguém no banco de trás e o trajeto já definido no aplicativo.
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Foi na rotatória do bairro Coronel Antonino que a rotina foi interrompida. Pedro avistou um homem empurrando um carro parado, com uma mulher ao volante, cena que, àquela hora da madrugada, já chamava atenção por si só. O que ele ainda não sabia era que aquele desvio de poucos minutos mudaria a noite de duas famílias.
O casal parado numa rotatória, sem gasolina e sem saída
Ingred e Diogo estavam juntos havia dois anos. Ele, auxiliar de escritório de 22 anos, vivia a expectativa da primeira paternidade. Ela, de 19 anos, já era mãe de Kauan e esperava a chegada de Clarice, cujo parto estava previsto para o dia 25 de julho, quando completaria 40 semanas de gestação, mas a bebê decidiu não esperar até a data certa.
As contrações começaram por volta das 2h da madrugada e foram se intensificando até Ingred acordar o marido. O casal reuniu às pressas as coisas da bebê, entrou no carro e saiu em direção à maternidade. No meio do caminho, porém, o veículo ficou sem gasolina bem no centro da rotatória do Coronel Antonino, e, para piorar, nenhum dos dois tinha crédito ou internet no celular para pedir ajuda.
Diante do desespero, um motociclista que passava pelo local parou para ajudar o casal a empurrar o carro para fora da rotatória. Um carro passou reto, sem parar. Cinco minutos depois, no entanto, outro motorista reduziu a velocidade e parou: era Pedro.
A decisão de largar a própria corrida
Ao se aproximar, Pedro ouviu de Diogo o motivo da cena: a esposa estava prestes a ter o bebê e eles precisavam chegar à maternidade o quanto antes. Sem pensar duas vezes, o motorista conversou com o próprio passageiro que ainda estava no banco de trás e propôs uma mudança de planos, levaria primeiro o casal até o hospital para, só depois, terminar a corrida contratada.
Aos 48 anos, Pedro já havia passado por diferentes profissões antes de se tornar motorista de aplicativo: foi instrutor de trânsito, vigilante e vendedor, e há três anos dirigia pelas ruas de Campo Grande. “Pegamos situações inusitadas todos os dias e jamais deixaria eles na rua. Tenho esposa e filhos também”, disse, ao lembrar da decisão de parar. Ele chegou a cogitar que o bebê pudesse nascer dentro do próprio carro, mas isso não o fez hesitar: “A partir do momento que me dispus a ajudar, não pensei mais nada. E se sujasse, eu limparia depois, sem problema.”
Para Pedro, o gesto também reflete uma cultura entre colegas de profissão: “Nós motoristas de aplicativos somos unidos, temos vários grupos e gostamos de ser solidários aos condutores da rua. Se tivesse mais pessoas com atitude de ajudar, a vida seria melhor.”
“Quando a gente faz um favor, não cobramos”
Com o casal e o passageiro original a bordo, Pedro seguiu direto para a maternidade. Ao chegar, Diogo e Ingred tentaram pagar pela corrida, mas o motorista recusou o pagamento. Segundo ele, ao ver a roupinha rosa preparada para a bebê, a resposta veio na hora: “Quando a gente faz um favor, não cobramos. Vi a roupinha rosa da bebê e disse, vai conhecer sua filha e que Deus os acompanhe.”
Depois de deixar o casal no hospital, Pedro retomou a viagem para levar o passageiro que ainda esperava no banco de trás ao destino original. “Pedi desculpas e ele foi muito bacana, disse que jamais acharia ruim a minha atitude, que somos seres humanos e devemos ajudar o próximo. Foi compreensivo”, contou o motorista. Ao final do expediente, Pedro voltou para casa com a sensação de dever cumprido e contou toda a história para a esposa antes de descansar.
Clarice nasce, e a família sai em busca do herói
Enquanto Pedro seguia sua rotina, Ingred permanecia em trabalho de parto na maternidade. Horas depois, às 7h30, Clarice nasceu pesando 2,825 kg, saudável. “O consideramos nosso herói, pois foi um anjo e teve coragem de ajudar dois estranhos na rua, no meio dessa pandemia. Foi acalmando a gente, tanto ele quanto o passageiro. Temos vontade de apresentá-lo a Clarice”, contou Ingred. No dia seguinte, um parente do casal foi buscar o carro no local onde havia ficado sem gasolina e o levou para a garagem de casa.
Sem saber como agradecer, Diogo publicou no Facebook, no dia 22 de julho, um apelo para tentar identificar o motorista que os havia socorrido. A postagem chegou até a esposa de Pedro, que reconheceu a história contada pelo marido e avisou que o condutor procurado era ele. Diogo entrou em contato com Pedro pela rede social e repetiu o agradecimento, agora com mais calma. “Naquele momento, eu já não sabia o que fazer. Foi Deus que enviou ele para ajudar, foi tão gentil e não cobrou nem a corrida. O nascimento da minha primeira filha, jamais vou esquecer”, declarou o pai.
Até a publicação da reportagem original, motorista e família ainda não haviam conseguido se reencontrar pessoalmente, mas Pedro também demonstrou vontade de conhecer a pequena Clarice: “Uma hora quero ver sim.
O caso, registrado em Campo Grande em julho de 2020, no início da pandemia de Covid-19, segue como um retrato do que pode nascer de um simples desvio de rota: a decisão de um motorista de largar, por alguns minutos, sua própria corrida para socorrer dois estranhos, sem cobrar nada em troca.
E você, já foi ajudado por um estranho numa hora de aperto, ou já parou para ajudar alguém assim? Conte sua história nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

