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Aos 15 anos, ele viu o barco virar no mar gelado do Alasca, tentou segurar o irmão e o primo depois que morreram e passou quase três dias agarrado ao casco até um avião encontrá-lo sozinho
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 11/09/2026 às 16:39
Atualizado em 11/09/2026 às 16:40
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O adolescente saiu de uma comunidade remota para pescar com o irmão mais velho e um primo, mas o barco de apenas 5,5 metros virou no Mar de Bering. Sem comida nem água, ele enfrentou frio, ondas e hipotermia até ser avistado sobre a embarcação enquanto os outros dois familiares não sobreviveram
O que deveria ser uma viagem de pesca terminou com um adolescente de apenas 15 anos sozinho sobre o casco de um pequeno barco virado no Mar de Bering, cercado por água gelada e tentando permanecer vivo depois de perder o irmão e o primo. O grupo havia partido da comunidade de Savoonga, no Alasca, em 4 de setembro para pescar e deveria retornar na madrugada de domingo. Entretanto, o barco não voltou. Conforme informações publicadas pela People em 9 de setembro de 2026, a Guarda Costeira dos Estados Unidos iniciou uma operação de busca e, dias depois, encontrou o adolescente agarrado à embarcação.
Porém, o resgate revelou uma história ainda mais dura. Segundo familiares, o jovem tentou permanecer junto do irmão e do primo pelo maior tempo possível depois que eles morreram. Relatos posteriores indicam que o irmão mais velho ficou preso sob a embarcação, enquanto o primo conseguiu inicialmente permanecer sobre o casco com o adolescente, mas acabou entrando na água e se afogou. Depois disso, o garoto ficou sozinho.
Ainda assim, ele continuou agarrado ao barco. Sem comida, sem água e exposto às condições do Mar de Bering, permaneceu ali até uma aeronave da Guarda Costeira finalmente avistá-lo. Quando a tripulação do navio pesqueiro Northwest Explorer conseguiu retirá-lo, o adolescente apresentava sintomas de hipotermia. O capitão Adam White resumiu a resistência do garoto ao descrevê-lo como alguém extraordinariamente resistente.
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Os três saíram de uma pequena comunidade do Alasca para pescar e deveriam estar novamente em casa antes do amanhecer de domingo
A viagem começou na sexta-feira, 4 de setembro.
O adolescente estava acompanhado pelo irmão mais velho e por um primo. Eles deixaram Savoonga, uma pequena comunidade localizada na remota Ilha de São Lourenço, para uma viagem de pesca.
A embarcação também era pequena.
Tratava-se de um skiff de 18 pés, aproximadamente 5,5 metros de comprimento.
A previsão era retornar por volta das 3h da madrugada de domingo.
No entanto, o horário passou.
E ninguém voltou.
Consequentemente, familiares acionaram as autoridades. Por volta das 20h30 de domingo, a Guarda Costeira recebeu a informação de que a embarcação estava atrasada e iniciou os procedimentos de busca.
A região, porém, está longe de oferecer condições simples para uma operação desse tipo.
A Ilha de São Lourenço fica no Mar de Bering, numa parte extremamente remota do Alasca. Aliás, ela está mais próxima da Rússia do que do território continental dos Estados Unidos.
Portanto, cada hora sem localização aumentava a preocupação.
Uma linha se enroscou no motor, o tempo piorou e o pequeno barco que deveria levá-los para casa virou no meio do Mar de Bering
Relatos da família divulgados posteriormente ajudaram a reconstruir o que aconteceu antes do acidente.
Segundo Darren Toolie-Noongwook, irmão do sobrevivente, uma linha de pesca ficou presa no motor da embarcação, e o grupo não conseguiu soltá-la.
Depois, o tempo piorou.
Foi então que o barco virou.
A partir desse instante, aquilo que servia para transportá-los passou a funcionar como a única superfície capaz de mantê-los fora da água.
Entretanto, os três não conseguiram permanecer em segurança.
Segundo o relato familiar, o irmão mais velho do adolescente morreu depois de ficar preso sob a embarcação.
O jovem e o primo, por outro lado, conseguiram subir sobre o casco.
Assim, começou uma espera sem qualquer garantia de que alguém soubesse exatamente onde estavam.
O primo conseguiu permanecer com ele durante a primeira noite, mas entrou em pânico depois e desapareceu na água gelada
Por algum tempo, o adolescente ainda tinha companhia.
Seu primo também havia conseguido subir na parte exposta do barco.
Segundo Darren, os dois passaram a primeira noite juntos e inicialmente estavam resistindo às condições.
Porém, a situação mudou na noite seguinte.
O primo entrou em pânico e deixou o casco.
Conforme o relato do irmão do sobrevivente, ele nadou apenas uma curta distância antes de se afogar.
A partir daquele momento, o adolescente ficou sozinho.
Em torno dele havia apenas o mar.
Abaixo dele, um pequeno casco virado.
E, naquele momento, nenhuma certeza de que uma equipe de busca conseguiria localizá-lo.
Ainda assim, ele permaneceu sobre a embarcação.
A família diz que ele tentou segurar os dois por quanto tempo conseguiu antes de finalmente ficar sozinho sobre o barco
Um dos detalhes mais difíceis da história apareceu posteriormente no relato de uma tia.
Segundo a People, a família afirmou que o garoto tentou se manter junto dos familiares pelo maior tempo possível depois que eles morreram.
Os corpos acabaram recuperados.
Porém, durante parte da experiência, o adolescente precisou lidar simultaneamente com duas situações extremas.
Primeiro, precisava sobreviver.
Ao mesmo tempo, acabava de perder duas pessoas da própria família.
A própria dinâmica do acidente tornou tudo ainda mais traumático.
Seu irmão mais velho também era o capitão da embarcação, segundo relato da mãe do sobrevivente.
Já o primo havia resistido ao lado dele antes de desaparecer no mar.
Portanto, em questão de dias, uma viagem entre três familiares terminou com apenas um deles ainda sobre o casco.
Sem comida e sem água, o adolescente continuou sobre a pequena embarcação enquanto ondas batiam ao redor dele
A mãe do jovem contou que o filho permaneceu dias sem comida nem água.
Além disso, ele enfrentava as condições do Mar de Bering.
O capitão Adam White afirmou que a temperatura da água estava em torno de 10°C no momento da operação.
Nessas condições, cair na água representava um risco enorme.
Por isso, permanecer sobre o casco, mesmo completamente exposto ao vento e às ondas, era fundamental.
Relatos mais recentes da família acrescentam outro detalhe.
O garoto passou parte daquele tempo rezando.
Segundo seu irmão Darren, o adolescente acreditava que conseguiria sobreviver, que alguém o encontraria e que voltaria para casa.
Enquanto isso, as buscas continuavam.
Depois de dias procurando um barco minúsculo em uma imensidão de água, uma tripulação aérea finalmente viu alguém sobre o casco
A Guarda Costeira mobilizou aeronaves para procurar a embarcação.
Então, na segunda-feira, veio a descoberta.
Uma tripulação aérea encontrou o skiff virado.
E havia uma pessoa sobre ele.
Era o adolescente desaparecido.
A equipe lançou uma balsa e equipamentos de sobrevivência. Porém, retirar o garoto daquele ponto ainda exigiria ajuda de uma embarcação próxima.
Foi então que entrou na operação o Northwest Explorer.
O navio pesqueiro tinha 162 pés de comprimento, aproximadamente 49 metros, e estava na região quando recebeu o chamado para ajudar.
A Guarda Costeira usou sinalizadores para indicar a direção do pequeno barco antes de a aeronave precisar deixar a área para reabastecer.
Agora, cabia ao Northwest Explorer chegar até o garoto.
O capitão passou quatro horas procurando até enxergar, através dos binóculos, um adolescente acenando no meio do mar
Adam White, capitão do Northwest Explorer, descreveu aquele trecho da operação como as quatro horas mais longas.
Seu navio seguia a direção indicada pelos sinalizadores.
Entretanto, encontrar um pequeno casco numa área gigantesca de água continuava sendo difícil.
Até que White usou os binóculos.
E viu alguém.
O adolescente estava acenando.
Finalmente, depois de dias de isolamento, alguém conseguia vê-lo.
Imagens do resgate mostram o jovem ajoelhado sobre o casco enquanto a embarcação balançava no mar. Em seguida, a tripulação lançou uma linha e aproximou o skiff até conseguir retirar o adolescente com uma cesta de resgate.
Aquela aproximação encerrou a parte mais perigosa da espera.
Mas o frio já havia cobrado seu preço.
Quando finalmente o puxaram para dentro do navio, seus dentes batiam e os tripulantes começaram imediatamente a aquecê-lo
O adolescente apresentava sintomas de hipotermia quando entrou no Northwest Explorer.
A tripulação começou a aquecê-lo.
Usou cobertores.
Além disso, colocou bolsas térmicas para elevar sua temperatura corporal.
Mesmo tremendo de frio, o garoto começou a contar o que havia acontecido.
Foi nesse momento que White ouviu que o irmão do adolescente ainda estava sob o skiff e que o primo havia desaparecido na noite anterior.
Consequentemente, o alívio de encontrar um sobrevivente veio acompanhado da confirmação de uma tragédia.
Mais tarde, as equipes recuperaram os dois corpos.
A mesma tripulação que comemorou encontrar um sobrevivente precisou voltar para casa carregando também os dois familiares que ele perdeu
O resgate produziu sentimentos opostos.
De um lado, uma vida havia sido salva.
Do outro, duas pessoas haviam morrido.
White contou posteriormente que a tripulação manteve o adolescente conversando enquanto tentava aquecê-lo e retornar para terra firme.
Porém, a chegada à família tornou o peso da situação ainda mais evidente.
O capitão descreveu a mistura de gratidão e tristeza que percebeu nos familiares.
Ele próprio afirmou que ficou emocionalmente abalado e precisou se afastar por alguns minutos.
A Guarda Costeira também lamentou as mortes e agradeceu às equipes federais, estaduais, locais e à tripulação do Northwest Explorer pelo trabalho que permitiu salvar o adolescente.
O garoto voltou para casa, mas a mesma comunidade que celebrou sua sobrevivência precisou se despedir das outras duas pessoas que estavam no barco
Relatos divulgados nesta semana indicam que o adolescente já está se recuperando em casa.
Enquanto isso, diferentes comunidades do Alasca prestaram homenagem às duas vítimas.
Moradores de Savoonga, Gambell, Nome, Shishmaref, Teller, Wales e Nunam Iqua participaram de homenagens realizadas em memória dos mortos.
Assim, a história não terminou simplesmente como um resgate extraordinário.
Ela terminou com uma família vivendo duas realidades ao mesmo tempo.
Um filho voltou.
Outro morreu.
E um primo também não retornou.
A sobrevivência do adolescente, portanto, não apaga a dimensão da perda.
Ainda assim, diante das condições enfrentadas, o fato de ele ter conseguido permanecer sobre aquele pequeno casco por dias impressionou até os profissionais que participaram do resgate.
Ele tinha 15 anos, nenhum alimento, nenhuma água e apenas o casco virado entre seu corpo e um dos mares mais frios do planeta
No começo, eram três pessoas.
Um irmão mais velho.
Um adolescente de 15 anos.
E um primo.
Eles saíram para pescar numa pequena embarcação e deveriam retornar no domingo.
Porém, uma linha ficou presa no motor, o tempo piorou e o barco virou.
O irmão morreu.
O primo ainda conseguiu permanecer sobre a embarcação, mas depois também se afogou.
O adolescente tentou continuar junto dos familiares.
Então, ficou sozinho.
Sem comida.
Sem água.
Exposto ao frio.
E agarrado ao único pedaço da embarcação que ainda permanecia acima da superfície.
Mesmo assim, continuou esperando.
Finalmente, uma aeronave encontrou aquele pequeno ponto no meio do Mar de Bering.
Horas depois, Adam White olhou pelos binóculos do Northwest Explorer e viu um garoto acenando sobre o casco.
Aos 15 anos, ele havia sobrevivido a uma experiência que o capitão resumiu de maneira simples.
Era um garoto extremamente resistente.
E você, acredita que conseguiria continuar agarrado a um barco virado por quase três dias, sem comida nem água e depois de perder duas pessoas da própria família, ou acha que o frio e o medo tornariam impossível continuar lutando?
Fonte
People
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

