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Professor recém operado se recuperava de uma cirurgia no joelho e só queria encontrar um caminho mais fácil quando viu três marcas gigantes saindo da rocha e acabou descobrindo os primeiros passos conhecidos de um T. rex adulto há 66,5 milhões de anos
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 11/09/2026 às 16:31
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Professor e voluntário de museu Kent Hups encontrou por acaso uma sequência fossilizada na formação Hell Creek, na Dakota do Norte. Quatro pegadas de cerca de 90 centímetros revelaram passadas de quase 4 metros e permitiram calcular que o enorme predador caminhava a uma velocidade parecida com a de uma pessoa em passo acelerado
Kent Hups não saiu naquele dia procurando a descoberta que mudaria o que cientistas sabiam sobre os passos do T. rex. O professor do Colorado se recuperava de uma cirurgia de substituição do joelho e procurava simplesmente uma saída menos difícil de um vale rochoso na Dakota do Norte quando algo estranho chamou sua atenção. Uma formação parecia ter três dedos enormes saindo do chão. Segundo reportagem publicada pelo Axios Denver em 9 de setembro de 2026, aquela observação acabou levando pesquisadores à primeira sequência de pegadas conhecida atribuída a um Tyrannosaurus rex adulto.
A descoberta preservou algo que ossos dificilmente conseguem mostrar. Em vez de apenas revelar o tamanho ou a anatomia do animal, as marcas registraram um momento específico ocorrido aproximadamente 66,5 milhões de anos atrás, quando um grande tiranossauro atravessou o que hoje corresponde ao sudoeste da Dakota do Norte. Os pesquisadores identificaram quatro pegadas principais — duas esquerdas e duas direitas — distribuídas por aproximadamente 7 metros de terreno. Cada marca mede cerca de 90 centímetros, enquanto a passada chegava a aproximadamente 4 metros.
Além disso, os cientistas conseguiram transformar aquelas marcas numa espécie de fotografia do movimento. A análise indica que o animal caminhava a aproximadamente 5,6 a 7,2 km/h, velocidade comparável à de uma pessoa andando rapidamente. Portanto, apesar da imagem popular de um T. rex correndo atrás de presas, o que ficou registrado naquele pedaço de rocha foi algo muito mais cotidiano e, justamente por isso, extraordinário: um dos maiores predadores de sua época simplesmente caminhando pela paisagem.
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O professor não estava procurando ossos quando uma forma estranha no chão fez com que ele esquecesse por alguns instantes até o joelho recém-operado
A descoberta aconteceu em 2025, em terras federais administradas pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos perto de Marmarth, na Dakota do Norte.
Kent Hups já tinha experiência como caçador de fósseis e atua há anos como voluntário do Denver Museum of Nature & Science.
Entretanto, naquele momento, havia uma limitação importante.
Seu joelho.
O professor ainda se recuperava de uma cirurgia de substituição da articulação. Por isso, enquanto percorria um vale estreito e rochoso, procurava um caminho mais fácil para sair dali.
Então, percebeu algo incomum.
Uma forma triangular aparecia numa superfície aparentemente intacta.
Além disso, três grandes projeções lembravam dedos.
Hups, que havia passado cerca de três décadas pensando e procurando pegadas antigas, reconheceu imediatamente que aquilo merecia atenção.
Assim, uma tentativa de poupar o próprio joelho acabou levando justamente a um ponto que pesquisadores não sabiam que existia.
A primeira marca já era enorme, mas quando os pesquisadores perceberam que havia outras seguindo na mesma direção a descoberta mudou completamente
Pegadas isoladas que pesquisadores atribuíram a grandes tiranossauros já apareceram anteriormente.
Porém, naquele local havia algo diferente.
Uma sequência.
Os cientistas documentaram duas pegadas do pé esquerdo e duas do direito, formando um trajeto de aproximadamente 23 pés, ou 7 metros.
Na prática, isso permitiu acompanhar alguns dos passos daquele animal.
Cada pegada possuía aproximadamente 3 pés de comprimento, ou cerca de 90 centímetros.
Enquanto isso, a distância da passada chegava a aproximadamente 13 pés, quase 4 metros.
Consequentemente, os pesquisadores não tinham apenas uma marca dizendo que um grande dinossauro havia pisado naquele lugar.
Agora eles podiam analisar como seus pés se alternavam enquanto ele avançava.
É justamente essa sequência que torna a descoberta inédita.
Segundo o Denver Museum of Nature & Science, embora cientistas já tenham atribuído pegadas isoladas a exemplares adultos de T. rex, esta representa a primeira sequência conhecida provavelmente produzida por um adulto da espécie.
Quatro pegadas sobreviveram por 66,5 milhões de anos e guardaram uma informação que nenhum esqueleto conseguiria preservar da mesma maneira
Um esqueleto consegue revelar uma quantidade extraordinária de informações.
Pesquisadores analisam ossos para estimar tamanho, anatomia, idade, doenças e diversas outras características.
Entretanto, existe algo que um esqueleto normalmente não consegue fazer.
Mostrar exatamente como aquele indivíduo atravessou um pedaço de terreno em determinado momento.
Tyler Lyson, curador sênior de paleontologia de vertebrados do Denver Museum of Nature & Science, explicou que pegadas conseguem preservar justamente esse tipo de comportamento.
Assim, a sequência funciona quase como alguns segundos congelados no tempo.
Um animal caminhou.
Apoiou um pé.
Depois o outro.
Avançou novamente.
E, por uma combinação extremamente incomum de condições geológicas, essas depressões permaneceram preservadas até chegarem aos pesquisadores dezenas de milhões de anos depois.
Pelo tamanho dos passos, os cientistas calcularam que o enorme predador não corria naquele momento e avançava mais ou menos como uma pessoa andando depressa
A distância entre as marcas permitiu fazer outra estimativa.
Velocidade.
Os pesquisadores calculam que o animal se deslocava entre aproximadamente 3,5 e 4,5 milhas por hora, equivalentes a cerca de 5,6 a 7,2 km/h.
Isso corresponde aproximadamente ao ritmo de uma pessoa fazendo uma caminhada acelerada.
Portanto, naquele momento específico, o T. rex não estava correndo.
Além disso, não existe evidência nas pegadas que permita afirmar que perseguia uma presa.
O registro mostra simplesmente um grande tiranossauro atravessando aquela paisagem.
Entretanto, os pesquisadores tratam a velocidade como uma estimativa aproximada, porque as pegadas sofreram forte erosão ao longo de milhões de anos.
Ainda assim, a sequência fornece um raro dado direto sobre sua locomoção.
Os cientistas não encontraram uma placa dizendo T. rex e precisaram reunir diferentes pistas antes de colocar o nome do predador nas pegadas
Existe um cuidado importante nessa descoberta.
Nenhum fóssil de pegada vem acompanhado da identidade de quem a produziu.
Portanto, os pesquisadores precisaram construir a atribuição.
Primeiro, observaram o tamanho excepcional das marcas.
Depois, analisaram o formato estreito dos dedos.
Além disso, consideraram os fósseis encontrados naquela mesma região.
A equipe identificou o T. rex como o produtor mais provável justamente pela combinação dessas evidências.
Os pesquisadores também encontraram restos esqueléticos de T. rex na área, reforçando essa interpretação.
Por isso, a formulação científica é importante.
As pegadas são apresentadas como a primeira sequência conhecida provavelmente produzida por um T. rex adulto, e não como uma identificação baseada simplesmente na aparência das marcas.
A lama que recebeu aquelas patas desapareceu há milhões de anos, mas uma reação no sedimento ajudou a transformar os passos em rocha
Pegadas são fósseis particularmente frágeis.
Um animal pisa.
Deixa uma depressão.
Depois, chuva, vento, água, outros animais ou alterações no sedimento podem destruir tudo.
Por isso, encontrar uma sequência tão antiga exige condições excepcionais.
Nesse caso, as marcas ficaram preservadas em concreções de arenito fino cimentadas por carbonato de cálcio, formadas em torno das depressões produzidas pelos pés.
Consequentemente, aquilo que começou como uma deformação temporária no solo acabou ganhando resistência suficiente para atravessar eras geológicas.
Enquanto isso, o mundo ao redor mudou completamente.
Os dinossauros não avianos desapareceram.
Continentes continuaram se transformando.
Camadas de sedimento se acumularam e sofreram erosão.
Porém, alguns passos permaneceram.
Quando aquele animal atravessou o terreno, faltava relativamente pouco tempo para um asteroide mudar a história da vida na Terra
A idade estimada adiciona outro elemento impressionante.
As pegadas têm aproximadamente 66,5 milhões de anos.
Isso coloca aquele passeio muito próximo, em termos geológicos, do final do período Cretáceo.
O T. rex viveu durante os últimos milhões de anos da era dos dinossauros não avianos.
Pouco depois do período representado pelas pegadas, o impacto de um grande asteroide e suas consequências ambientais participariam da extinção em massa que eliminou essas linhagens.
Assim, o animal que deixou as marcas caminhava por um mundo que estava próximo de sofrer uma transformação radical, embora obviamente não pudesse saber disso.
Aliás, pesquisas recentes na própria formação Hell Creek continuam revelando detalhes surpreendentes desse ecossistema. Cientistas encontraram até penas preservadas dentro de fezes fossilizadas de um grande dinossauro carnívoro, uma descoberta que agora ajuda pesquisadores a investigar por que algumas linhagens de aves atravessaram a extinção enquanto outras desapareceram.
Um scanner transformou cada irregularidade das pegadas em um modelo digital que pesquisadores do outro lado do oceano puderam examinar como se estivessem no local
Depois da descoberta, a equipe precisava registrar as marcas com enorme precisão.
Por isso, os cientistas utilizaram escaneamento tridimensional de alta resolução.
A tecnologia criou modelos digitais detalhados de cada pegada e de toda a sequência.
Assim, pesquisadores conseguem examinar características das marcas sem depender exclusivamente do fóssil físico.
Além disso, os modelos permitem produzir réplicas tridimensionais.
Peter Falkingham, professor de paleobiologia da Liverpool John Moores University e principal autor do estudo, conseguiu receber os dados digitais e analisar as pegadas remotamente, inclusive em realidade virtual.
Portanto, uma marca deixada por um animal há 66,5 milhões de anos no que hoje é a Dakota do Norte pôde ser reconstruída digitalmente para um cientista na Inglaterra.
É uma combinação curiosa.
Um dos registros mais antigos de movimento animal analisado com algumas das ferramentas mais modernas disponíveis.
Agora três das pegadas terão de sair do chão pelo ar porque são grandes demais e importantes demais para simplesmente desaparecerem com a erosão
A história ainda não terminou no local da descoberta.
Três pegadas devem ser retiradas e transportadas para o Denver Museum of Nature & Science.
E a operação exigirá um helicóptero.
A previsão do museu é realizar a recuperação ainda neste outono do Hemisfério Norte e depois levar os fósseis para Denver, onde pesquisadores poderão continuar estudando o material.
O transporte também permitirá preservar as marcas contra a erosão natural.
Afinal, sobreviver durante 66,5 milhões de anos não significa que o fóssil esteja protegido para sempre depois de aparecer novamente na superfície.
Vento, chuva e ciclos de temperatura continuam desgastando a rocha.
Consequentemente, retirar parte do material permitirá conservar fisicamente aquilo que os cientistas já registraram digitalmente.
A descoberta que começou com um homem tentando poupar o joelho terminou revelando como um dos maiores predadores da Terra simplesmente caminhava
Talvez a parte mais curiosa esteja na diferença entre o começo e o fim dessa história.
Kent Hups não estava correndo atrás de um T. rex.
Naquele momento, tentava encontrar um caminho melhor porque ainda se recuperava de uma cirurgia no joelho.
Então viu uma forma estranha.
Parou.
Observou.
E percebeu três grandes dedos.
Depois vieram outras marcas.
Pesquisadores entraram em cena.
A equipe escaneou as pegadas.
Mediu a sequência.
Analisou o formato.
Comparou o registro com os fósseis da região.
E chegou a uma conclusão extraordinária.
Aquelas marcas provavelmente registravam os primeiros passos consecutivos conhecidos de um T. rex adulto.
Hoje sabemos que esse indivíduo avançava com passadas próximas de 4 metros, deixando pés de aproximadamente 90 centímetros sobre o terreno.
Também sabemos que, naquele instante, caminhava a uma velocidade semelhante à de um humano apressado.
Entretanto, talvez nunca saibamos para onde estava indo.
Nem se procurava alimento.
Não seguia outro animal.
Nem quanto tempo caminhou depois da última pegada preservada.
O que restou foram apenas alguns passos.
Quatro marcas suficientes para transformar alguns segundos da vida de um animal que morreu há dezenas de milhões de anos em uma cena que cientistas finalmente conseguem acompanhar.
E você, o que acha mais impressionante nessa descoberta — quatro pegadas conseguirem sobreviver por 66,5 milhões de anos ou cientistas conseguirem calcular, a partir delas, até a velocidade com que o T. rex caminhava naquele momento?
Fonte
Axios Denver
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

