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Adeus ao quintal cimentado: solução dos anos 70 volta às casas para enfrentar calor e poças, pode ajudar a cumprir exigências de permeabilidade e muda áreas externas sem exigir demolir tudo
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/09/2026 às 20:35
Atualizado em 11/09/2026 às 20:47
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Pavimentos permeáveis permitem manter concreto onde há carga constante e abrir áreas de infiltração em caminhos, faixas laterais e jardins. A solução exige avaliação do solo, da base e do escoamento e pode contar para regras municipais de permeabilidade, conforme a legislação local.
O piso permeável pode substituir parte do concreto contínuo do quintal sem exigir a remoção de toda a área pavimentada. A proposta é manter superfícies rígidas onde elas são necessárias e recuperar trechos em que a água da chuva possa infiltrar ou ser conduzida de forma menos concentrada.
A solução tem antecedentes de décadas. Um estudo da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), publicado em 1972, reuniu testes iniciados em 1970 com pavimentos porosos concebidos para reduzir o escoamento superficial e aliviar sistemas de drenagem.
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Nos ensaios, a lógica era permitir que parte da chuva atravessasse o pavimento e chegasse às camadas inferiores, em vez de seguir imediatamente para sarjetas e galerias. O mesmo princípio está presente nos sistemas drenantes usados hoje em áreas residenciais.
Em quintais totalmente cimentados, a água que poderia penetrar no solo passa a correr pela superfície até ralos, portões e calçadas. Quando há pouco caimento, pontos rebaixados ou drenagem insuficiente, esse fluxo pode se concentrar e formar poças dentro do próprio terreno.
A troca parcial do piso pode diminuir essa concentração, mas o revestimento permeável não corrige sozinho problemas de nível, drenagem ou destino inadequado da água. O funcionamento depende do acabamento, da base e das condições do solo sob a área reformada.
Também existe uma diferença no comportamento térmico das áreas externas. Superfícies minerais expostas ao sol armazenam calor, enquanto a redução da área rígida, combinada com jardins, trechos permeáveis e sombra, diminui a extensão de piso diretamente aquecido.
O efeito não é igual em todos os imóveis, porque depende de fatores como material, cor, vegetação, umidade e incidência solar. Por isso, substituir concreto por outro revestimento não garante, isoladamente, a mesma redução de temperatura em qualquer quintal.
O piso drenante depende da estrutura abaixo da superfície
Retirar parte do cimento não significa espalhar pedras diretamente sobre a terra. Brita, pedrisco e seixo podem ser usados em áreas de circulação leve ou junto a jardins, mas precisam de base compatível e contenção lateral para evitar deslocamento, afundamento ou mistura com o solo.
Nos pavimentos permeáveis de concreto, a ABNT NBR 16416:2015 estabelece requisitos para projeto, especificação, execução e manutenção de sistemas com peças intertravadas, placas ou concreto permeável moldado no local.
A norma trata o pavimento como um conjunto, e não apenas como a camada aparente. Isso inclui condições do solo, capacidade de suporte, tipo de utilização e características das camadas inferiores responsáveis por receber, armazenar temporariamente ou conduzir a água.
A capacidade de drenagem, portanto, depende da estrutura montada sob o revestimento. Uma superfície visualmente permeável pode ter desempenho limitado se estiver sobre uma base inadequada ou se o terreno não oferecer condições para receber o volume de água.
Há configurações em que a água atravessa todo o pavimento e infiltra no solo e outras em que parte desse volume precisa seguir para drenagem complementar. A escolha depende das características do terreno, da intensidade de uso e da solução adotada para cada trecho.
Antes de decidir entre placa drenante, brita, seixo ou outro acabamento, é necessário identificar de onde vem a água, qual caminho ela percorre e quais pontos recebem peso de carros, motos, equipamentos ou estruturas fixas.
A manutenção também interfere no resultado. Terra fina, areia, folhas e outros resíduos podem ocupar juntas e vazios e reduzir gradualmente a capacidade de infiltração, o que torna necessária a limpeza periódica da superfície.
Regra de permeabilidade varia conforme o município
A substituição de parte do concreto pode ajudar no atendimento de exigências urbanísticas, mas não existe uma porcentagem única de área permeável válida para todas as cidades brasileiras. O cálculo depende das regras municipais aplicáveis ao imóvel e ao tipo de projeto.
Em São Paulo, a Prefeitura define a taxa de permeabilidade a partir da parcela do terreno que permite a infiltração da água no solo em relação à área total do lote, dentro das condições previstas na legislação urbanística.
Isso significa que nem todo produto comercializado como “drenante” será automaticamente aceito como área permeável para fins de projeto ou licenciamento. Quem pretende usar o revestimento para cumprir uma exigência legal precisa verificar previamente o critério adotado pelo município.
Uma reforma parcial permite manter materiais rígidos nos locais em que eles continuam cumprindo função estrutural. Garagens, rampas, bases de equipamentos e trechos submetidos a cargas concentradas não precisam necessariamente receber a mesma solução usada em caminhos ou áreas próximas ao jardim.
Esse desenho evita a escolha entre cimentar todo o terreno ou remover toda a pavimentação. Caminhos de placas, faixas de brita, canteiros e trechos de piso permeável podem coexistir, desde que sejam compatíveis com circulação, carga, drenagem e manutenção.
Em áreas com agregados soltos, a contenção lateral ajuda a manter o material no lugar, enquanto a preparação da base reduz o risco de afundamento e deformações. Esses cuidados precisam ser definidos antes da compra do revestimento, porque o acabamento sozinho não resolve falhas estruturais do terreno.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

