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Família vive 15 anos sem imaginar o que existia sob o próprio jardim, começa a cavar após alerta dos vizinhos e encontra túnel antiaéreo da Segunda Guerra feito para abrigar cerca de 200 pessoas, com passagem secreta terminando no terreno ao lado
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 11/09/2026 às 23:19
Construção
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Família descobre túnel de 50 metros da Segunda Guerra sob o jardim, construído para proteger cerca de 200 pessoas dos bombardeios em Folkestone.
Durante anos, Rebecca Hobson, seu companheiro Darren e os filhos levaram uma vida comum em uma casa de três quartos na região de Folkestone, no condado de Kent, Inglaterra, sem imaginar a dimensão da estrutura enterrada debaixo do próprio jardim. Eles já moravam no imóvel havia vários anos quando vizinhos começaram a comentar que alguma coisa relacionada à Segunda Guerra Mundial poderia estar escondida sob o terreno. A curiosidade finalmente venceu durante o confinamento de 2020, quando a família decidiu pegar uma pá, um carrinho de mão e investigar.
Debaixo de uma grande laje, surgiram degraus que conduziam a um abrigo antiaéreo subterrâneo de aproximadamente 160 pés, cerca de 49 metros de extensão, construído para proteger civis durante os bombardeios alemães. Registros históricos consultados posteriormente indicaram que o espaço teria capacidade para aproximadamente 200 mulheres e crianças. O túnel continuava debaixo da propriedade, guardava garrafas enferrujadas, armadilhas para ratos, tigelas e até uma antiga arma de brinquedo, enquanto sua outra extremidade seguia até o terreno de um vizinho, onde a saída havia sido fechada.
Família se mudou para a casa sem saber que havia um túnel de quase 50 metros sob o jardim
Rebecca e Darren se estabeleceram na residência aproximadamente 15 anos antes de a descoberta ganhar repercussão internacional em 2024.
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Durante boa parte desse período, não havia para a família qualquer evidência evidente de que o jardim escondia uma estrutura subterrânea construída para sobreviver a ataques aéreos.
A casa atual é muito mais nova do que o abrigo. Segundo Rebecca contou à ITV News, o imóvel foi construído em 1969. Durante a construção das residências, terra e material removidos para as fundações acabaram cobrindo a antiga estrutura.
O resultado foi extraordinário: um espaço criado durante um dos períodos mais perigosos da história de Folkestone ficou praticamente apagado da superfície enquanto novas famílias passaram a viver sobre ele.
Rebecca sabia que a propriedade tinha uma história anterior à casa moderna, mas não conhecia a dimensão do que permanecia preservado abaixo do solo.
Isso só começou a mudar depois de conversas com moradores antigos da região.
Vizinhos disseram que poderia existir alguma coisa da guerra enterrada no terreno
A primeira pista não veio de uma planta da residência nem de uma escavação arqueológica.
Veio dos vizinhos.
Moradores da região disseram à família que poderia existir “algo da guerra” sob o jardim. A informação despertou curiosidade, mas Rebecca e Darren inicialmente não começaram uma grande busca.
Durante anos, a história permaneceu apenas como uma possibilidade contada pela vizinhança.
Então chegou 2020.
Com as restrições impostas durante a pandemia e mais tempo dentro de casa, a família resolveu finalmente descobrir se a história tinha fundamento.
Rebecca, Darren e o filho começaram a trabalhar no jardim utilizando equipamentos muito simples: uma pá e um carrinho de mão.
O que parecia inicialmente uma pequena investigação doméstica acabaria revelando uma construção que atravessava praticamente todo o terreno.
Uma grande laje escondia os degraus para o subterrâneo
O ponto decisivo surgiu quando a família encontrou uma grande placa ou laje no terreno.
Ao remover a cobertura, apareceram degraus descendo sob o jardim.
Aquela abertura não levava a uma pequena adega, poço ou depósito doméstico.
Ela dava acesso a uma longa passagem subterrânea.
No início, Rebecca imaginou que o espaço seria relativamente pequeno. Quanto mais terra e entulho eram retirados, porém, maior se mostrava a construção.
O abrigo tinha aproximadamente 160 pés de comprimento, o equivalente a cerca de 49 metros, segundo relatos publicados sobre a descoberta.
A estrutura apresenta um corredor estreito e alongado, construído para colocar uma quantidade considerável de pessoas abaixo do nível do solo durante ataques.
Para uma família que esperava descobrir apenas algum vestígio histórico, encontrar dezenas de metros de passagem enterrada sob o quintal transformou completamente a investigação.
Túnel teria sido construído para proteger cerca de 200 mulheres e crianças
A descoberta física foi apenas o começo.
Depois de acessar a estrutura, Rebecca passou a investigar por que aquele abrigo existia e quem poderia tê-lo utilizado.
Informações encontradas em recortes antigos de jornais indicaram que o túnel havia sido construído com trabalho voluntário durante a Segunda Guerra Mundial e tinha capacidade para aproximadamente 200 pessoas.
Rebecca afirmou à ITV que o abrigo era destinado especialmente a mães e crianças que precisavam buscar proteção durante os bombardeios.
A revista especializada Current Archaeology também recuperou a história e registrou que arquivos de jornais indicavam a construção do túnel por voluntários para abrigar aproximadamente 200 mulheres e crianças durante o conflito.
Assim, o corredor escondido deixou de ser apenas uma curiosidade arquitetônica.
Mais de oito décadas antes de a família entrar ali com lanternas, centenas de moradores poderiam ter descido os mesmos degraus ouvindo sirenes e explosões na superfície.
Folkestone sofreu 102 ataques aéreos durante a Segunda Guerra Mundial
A existência de um abrigo daquele tamanho faz sentido quando se observa o que Folkestone enfrentou entre 1939 e 1945.
A cidade fica no litoral sudeste da Inglaterra, voltada para o Canal da Mancha e muito próxima da França. Depois que o território francês foi ocupado pela Alemanha em 1940, essa localização colocou Folkestone praticamente na linha de frente.
O Folkestone Museum registra que a cidade esteve entre as localidades britânicas mais fortemente atingidas durante a guerra.
Foram contabilizados 102 ataques aéreos, que deixaram 102 mortos e 240 feridos graves. Mais de 14 mil propriedades sofreram algum tipo de dano.
A população caiu drasticamente durante o conflito.
Folkestone tinha aproximadamente 47 mil habitantes quando a guerra começou. Em 1943, restavam cerca de 19 mil, depois que milhares de moradores, especialmente crianças, foram evacuados para regiões consideradas mais seguras.
Quem permaneceu precisava conviver com sirenes, bombas, artilharia de longo alcance e a necessidade constante de chegar rapidamente a um abrigo.
Cidade podia ser atingida até por canhões instalados do outro lado do Canal da Mancha
O perigo não vinha somente dos aviões alemães.
Folkestone estava suficientemente próxima do continente europeu para permanecer ao alcance de canhões alemães instalados na costa francesa ocupada.
O museu local descreve a cidade como parte da linha de frente britânica depois da queda da França. Ataques aéreos e disparos vindos do outro lado do Canal da Mancha atingiam regularmente a região.
Mais tarde, a população também precisaria enfrentar as bombas voadoras V1.
Essa combinação ajuda a explicar por que abrigos destinados a dezenas ou centenas de civis foram construídos em diferentes pontos do município.
Quando a sirene tocava, permanecer dentro de uma residência comum podia representar risco mortal caso o prédio recebesse um impacto direto ou desabasse com uma explosão próxima.
Descer para uma construção reforçada abaixo da terra aumentava as possibilidades de sobrevivência.
O corredor descoberto pela família Hobson era um vestígio físico dessa estratégia de proteção civil.
Garrafas, tigelas, armadilhas para ratos e brinquedo permaneceram dentro do abrigo
Quando a família conseguiu explorar melhor o corredor, encontrou objetos espalhados pelo interior.
Entre eles estavam garrafas enferrujadas, tigelas, armadilhas para ratos e uma antiga arma de brinquedo.
O ambiente também permanecia úmido e enlameado.
Mesmo depois da limpeza realizada pelos proprietários, o piso continuava apresentando umidade, uma característica pouco surpreendente para uma passagem subterrânea que ficou fechada durante décadas.
Rebecca e Darren instalaram iluminação ao longo do túnel para poder percorrê-lo sem depender continuamente de lanternas.
A intenção, entretanto, não foi transformar o espaço em um cômodo moderno.
A família decidiu preservar a aparência histórica da estrutura.
Passagem não termina no terreno da família
Um dos detalhes mais surpreendentes apareceu quando a extensão do abrigo foi compreendida.
O túnel não estava inteiramente confinado aos limites atuais da propriedade.
A passagem continua em direção ao terreno vizinho.
Segundo Rebecca, originalmente havia uma saída no jardim da residência ao lado, mas aquele acesso acabou sendo fechado.
Outros relatos sobre o caso apontam que a estrutura seguia em direção à parte inferior da rua, embora atualmente apenas o acesso pelo jardim da família permaneça utilizável.
Essa configuração é coerente com a função de um abrigo coletivo.
Uma estrutura preparada para centenas de pessoas precisava permitir circulação muito maior do que um pequeno bunker doméstico destinado apenas aos moradores de uma residência.
As casas atualmente existentes vieram depois.
O túnel já estava no subsolo antes de a configuração moderna daquele quarteirão ser estabelecida.
O jardim comum escondia um pedaço intacto da guerra havia oito décadas
Quando Rebecca Hobson se mudou para aquela casa, não havia placa indicando um sítio histórico no jardim.
A família viveu durante anos sobre a estrutura sem conhecer sua extensão.
Depois vieram os comentários dos vizinhos.
Durante o confinamento de 2020, Rebecca, Darren e o filho começaram a cavar com ferramentas simples.
Uma laje foi levantada.
Degraus apareceram.
E, sob o jardim, surgiu um corredor de aproximadamente 49 metros, construído quando Folkestone estava sob ameaça constante de bombas e projéteis alemães.
A pesquisa posterior revelou uma história ainda maior: o abrigo teria sido erguido por voluntários e preparado para receber cerca de 200 mulheres e crianças durante ataques aéreos.
Objetos antigos ainda permaneciam lá.
A passagem atravessava o subsolo e continuava até a propriedade vizinha.
Na superfície, havia uma residência construída décadas depois da guerra.
Debaixo dela, sobrevivia a infraestrutura de uma época em que milhares de moradores de Folkestone abandonaram a cidade e aqueles que ficaram precisavam saber exatamente onde se esconder quando as sirenes começassem.
Mais de oito décadas depois, a entrada que havia desaparecido sob terra e concreto voltou a ser aberta.
E uma família descobriu que o jardim onde viveu durante anos não guardava apenas restos de uma construção antiga, mas um abrigo feito para receber centenas de pessoas quando uma das cidades mais bombardeadas da Inglaterra precisava sobreviver à guerra.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

