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Ovelhas de quatro chifres ajudam fazendeiro australiano a manter vivas raças que quase desapareceram da pecuária, enquanto pequenos rebanhos com poucas fêmeas reprodutoras viram uma reserva genética para o futuro
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 12/09/2026 às 00:12
Atualizado em 12/09/2026 às 00:13
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Ovelhas de raças raras fazem parte de um projeto em Kangaroo Island, na Austrália, que tenta preservar a diversidade genética de animais de fazenda.
Perder uma única matriz pode ser um contratempo administrável em um rebanho com centenas de animais. Quando restam apenas quatro ou cinco fêmeas capazes de reproduzir, porém, a mesma perda pode ameaçar a continuidade de toda uma linhagem. É com populações tão pequenas que Will Marshall trabalha em uma propriedade de Kangaroo Island, na Austrália, onde ovelhas raras dividem espaço com bovinos, porcos, cabras e aves praticamente ausentes da pecuária comercial.
A fazenda fica em Stokes Bay e integra um grupo restrito de propriedades australianas dedicadas à conservação dessas raças. Entre os animais mantidos por Marshall estão ovelhas de quatro chifres e porcos Baudin, além de outras linhagens preservadas principalmente por criadores especializados.
Um animal raro não pode ser simplesmente substituído
O desafio vai além de manter determinada quantidade de cabeças dentro da propriedade. Cada raça carrega características desenvolvidas ao longo de gerações para responder a ambientes específicos, o que torna sua perda também um desaparecimento de diversidade genética.
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Entre os ovinos, por exemplo, existem linhagens adaptadas a regiões extremamente quentes e secas, enquanto outras foram moldadas para suportar altitudes elevadas e temperaturas muito baixas. Essas diferenças podem ganhar importância caso o clima, os sistemas de produção ou as exigências do mercado mudem no futuro.
Por isso, aumentar o tamanho dos pequenos rebanhos é uma das prioridades de Marshall. Outra estratégia seria enviar animais para outros criadores, evitando que uma população inteira permaneça concentrada em apenas uma fazenda.
Cerca de 2 mil raças desapareceram no último século
A preocupação que sustenta o projeto está ligada à redução da variedade de animais domésticos utilizados na agropecuária. Aproximadamente 2 mil raças de animais de fazenda desapareceram durante o século passado, enquanto outras permanecem com populações reduzidas.
Em uma criação convencional com 200 ovelhas, a morte de alguns exemplares pode ser absorvida pelo programa reprodutivo. A situação muda completamente quando uma raça depende de um número muito pequeno de fêmeas.
Nesses casos, cada nascimento passa a ter um peso muito maior para a conservação. Reproduzir os animais, elevar gradualmente o número de exemplares e espalhá-los por propriedades diferentes ajuda a diminuir a possibilidade de uma única ocorrência comprometer todo o trabalho.
Diversidade genética também pode ganhar novos usos no futuro
Marshall defende que preservar raças antigas não significa apenas conservar uma parte da história da agricultura. Algumas características que hoje recebem pouca atenção podem se tornar úteis à medida que a ciência avança.
Um exemplo citado está no leite. A proteína A2 aparece com predominância em antigas raças leiteiras e é menos comum entre algumas das linhagens modernas amplamente utilizadas comercialmente.
Manter diferentes patrimônios genéticos disponíveis amplia, portanto, as possibilidades para pesquisas futuras e para mudanças na produção. Uma característica que perdeu importância econômica em determinado período pode voltar a despertar interesse diante de novas demandas.
Fazenda enfrenta dificuldades para manter projeto
O interesse de Will Marshall pelas raças raras começou ainda na infância, mas transformar essa paixão em uma atividade permanente envolve custos elevados. A própria continuidade da propriedade está ameaçada pela combinação de despesas operacionais e redução do número de visitantes.
Mesmo sob pressão financeira, ele pretende ampliar os programas de reprodução. Quanto maior o número de animais disponíveis, maiores são as chances de formar novos núcleos de criação e reduzir a vulnerabilidade das populações existentes.
A propriedade abriga diferentes tipos de animais justamente porque o problema não está restrito às ovelhas. Bovinos, caprinos, suínos e aves também possuem linhagens tradicionais que deixaram de ocupar espaço significativo na produção comercial.
Ovelhas de quatro chifres representam uma reserva genética viva
A imagem incomum das ovelhas de quatro chifres pode atrair a primeira atenção, mas o trabalho realizado em Kangaroo Island tem uma finalidade mais ampla. Cada pequeno rebanho funciona como uma população reprodutiva que ainda pode impedir determinada raça de desaparecer.
Marshall pretende fortalecer essas populações e colocar parte dos animais nas mãos de outros criadores, criando mais pontos de conservação fora de Stokes Bay.
Nesse modelo, preservar uma raça não significa apenas mantê-la dentro de cercas. Significa garantir que continue reproduzindo, aumentando em número e carregando para as próximas gerações características que poderiam desaparecer definitivamente caso os últimos exemplares fossem perdidos.
Fonte
Compre Rural
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

