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Aos 28 anos, Marcy Borders desceu 81 andares das Torres Gêmeas, escapou do 11 de Setembro coberta de poeira, virou a “Dust Lady” e morreu de câncer aos 42
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 12/09/2026 às 14:21
Atualizado em 12/09/2026 às 14:22
Curiosidades
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Marcy Borders trabalhava no 81º andar do World Trade Center, sobreviveu ao ataque de 2001, ficou conhecida como “Dust Lady” e enfrentou anos de trauma antes de morrer em 2015.
Em 11 de setembro de 2001, a norte-americana Marcy Borders estava no 81º andar da Torre Norte do World Trade Center quando o voo 11 da American Airlines atingiu o edifício, às 8h46. Aos 28 anos e recém-contratada como assistente administrativa pelo Bank of America, ela iniciou uma fuga pelas escadas que terminaria com uma das imagens mais conhecidas daquele dia.
O caso ganhou dimensão mundial não apenas porque Marcy conseguiu escapar do prédio antes de seu colapso, mas pela fotografia registrada depois da queda da Torre Sul. Coberta por uma camada espessa de poeira cinzenta, ela se tornaria conhecida como “Dust Lady”, uma sobrevivente cuja vida continuaria profundamente marcada pelo atentado durante os anos seguintes.
Marcy Borders trabalhava no 81º andar da Torre Norte quando o primeiro avião atingiu o World Trade Center
A manhã de 11 de setembro começou de forma comum em Nova York até que, às 8h46, o voo 11 da American Airlines atingiu a Torre Norte entre os andares 93 e 99. Marcy estava apenas alguns pavimentos abaixo da área do impacto e sentiu o edifício tremer violentamente.
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Supervisores inicialmente orientaram os funcionários a permanecerem no local, diante da hipótese de um acidente envolvendo uma aeronave menor. Marcy decidiu não esperar. Ela seguiu para as escadas de emergência e iniciou a descida dos 81 andares enquanto encontrava feridos e bombeiros que faziam o caminho contrário em direção às áreas atingidas.
Às 9h03, o voo 175 da United Airlines atingiu a Torre Sul entre os andares 77 e 85. A segunda colisão confirmou a dimensão do ataque e transformou o sul de Manhattan em cenário de evacuação e pânico.
Queda da Torre Sul cobriu Marcy de poeira e transformou sua fuga em uma das imagens mais conhecidas do atentado
Marcy conseguiu alcançar a parte inferior da Torre Norte aproximadamente no momento em que a Torre Sul desabou, às 9h59. O colapso espalhou uma nuvem densa de concreto pulverizado, cinzas e outros detritos pelas ruas ao redor do complexo.
A onda de poeira derrubou Marcy e reduziu drasticamente a visibilidade na região. Um desconhecido conseguiu puxá-la para o interior de um edifício próximo, onde outras pessoas também procuravam abrigo.
Foi nesse ambiente que o fotógrafo Stan Honda, da Agence France-Presse, encontrou Marcy completamente coberta pela poeira. Ele registrou a sobrevivente com o rosto, o cabelo e as roupas tomados pelo material acinzentado, imagem que rapidamente percorreu jornais e revistas em vários países.
Assista o vídeo
Fotografia feita por Stan Honda transformou Marcy Borders na mulher conhecida mundialmente como “Dust Lady”
A fotografia ganhou força porque traduzia visualmente a dimensão humana do 11 de Setembro. Marcy aparecia imóvel e aparentemente atordoada, enquanto apenas partes de seus olhos e rosto se destacavam sob a poeira acumulada.
A imagem passou a acompanhar reportagens sobre os ataques e rendeu a ela o apelido de “Dust Lady”, ou “Senhora da Poeira”. Marcy, porém, não buscava notoriedade. Naquele momento, sua prioridade era simplesmente deixar Manhattan e retornar para casa.
Ainda naquela tarde, ela conseguiu atravessar o rio de balsa e voltar para Bayonne, em Nova Jersey. A fuga física havia terminado, mas as consequências psicológicas daquele dia estavam apenas começando.
Trauma do 11 de Setembro acompanhou Marcy durante anos e mudou completamente sua vida pessoal
Depois do atentado, Marcy desenvolveu medo intenso de sair de casa e passou a sofrer com pesadelos recorrentes. O som de aviões também provocava crises de pânico, enquanto o receio de novos ataques a mantinha isolada.
Ela não conseguiu retornar ao trabalho e viu a situação financeira e familiar deteriorar-se. O sofrimento psicológico foi acompanhado pelo abuso de álcool e, posteriormente, pela dependência de crack.
Marcy acabou perdendo a custódia dos filhos Noelle e Zay’den e passou vários anos tentando lidar com as consequências daquele 11 de setembro. Sua experiência mostrava que sobreviver ao colapso não significava necessariamente deixar a tragédia para trás.
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Reabilitação iniciada em 2011 marcou tentativa de reconstruir a vida dez anos depois dos ataques
A mudança começou em abril de 2011, quando Marcy decidiu procurar tratamento em uma clínica de reabilitação. Poucas semanas depois, Osama bin Laden foi morto por forças especiais norte-americanas no Paquistão.
Marcy afirmou posteriormente que a notícia trouxe uma sensação de paz que não experimentava havia uma década. Com o tratamento, ela conseguiu permanecer longe das drogas, recuperar a custódia dos filhos e reconstruir parte de sua rotina.
A sobrevivente também passou a rejeitar a ideia de ser definida exclusivamente como vítima. Ela queria ser reconhecida pela capacidade de continuar vivendo depois de uma experiência que havia transformado completamente sua trajetória.
Diagnóstico de câncer em 2014 levou Marcy a questionar os efeitos da poeira respirada durante o atentado
Em agosto de 2014, Marcy recebeu o diagnóstico de câncer de estômago em estágio avançado. A descoberta reacendeu uma preocupação que a acompanhava desde o momento em que ficou coberta pela nuvem formada após o colapso.
Ela chegou a questionar publicamente se a exposição à poeira do World Trade Center poderia ter contribuído para a doença. A relação direta entre o câncer de Marcy e o material respirado naquele dia, porém, não foi individualmente comprovada.
O tratamento também trouxe uma pesada dificuldade financeira. As despesas médicas ultrapassaram US$ 190 mil, e Marcy chegou a enfrentar problemas para comprar medicamentos usados para aliviar os efeitos da quimioterapia.
Marcy Borders morreu aos 42 anos e permaneceu como um dos rostos mais conhecidos do 11 de Setembro
Marcy Borders morreu em 24 de agosto de 2015, aos 42 anos, pouco mais de um ano após receber o diagnóstico de câncer. Sua morte voltou a colocar em evidência a situação de pessoas que estiveram expostas ao ambiente do Ground Zero.
A história de Marcy, entretanto, permaneceu muito além do debate sobre sua doença. A fotografia registrada por Stan Honda continuou associada à dimensão humana do atentado e à experiência dos milhares de sobreviventes que carregaram consequências durante anos.
A “Dust Lady” ficou marcada justamente por isso. Sua trajetória começou com uma fuga desesperada do 81º andar, atravessou anos de trauma e dependência e terminou com uma tentativa de reconstrução interrompida pelo câncer, transformando Marcy Borders em um dos símbolos mais duradouros das consequências do 11 de Setembro.
Na sua opinião, o que mais chama atenção na história de Marcy Borders: a fuga de 81 andares durante o 11 de Setembro ou as consequências que ela enfrentou durante anos após sobreviver ao ataque? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

