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Após mais de 180 anos desaparecidas de Floreana, 158 tartarugas gigantes voltam à ilha de Galápagos após cientistas recuperarem linhagem perdida com genética, reprodução controlada, GPS e tecnologia da NASA
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 12/09/2026 às 16:00
Atualizado em 12/09/2026 às 16:24
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Tartarugas gigantes retornaram à ilha Floreana em fevereiro de 2026 após décadas de genética, reprodução controlada e preparação para recuperar uma população desaparecida no século XIX.
Em 20 de fevereiro de 2026, 158 tartarugas gigantes voltaram a caminhar livremente pela ilha Floreana, no arquipélago de Galápagos, no Equador, depois de mais de 180 anos de ausência. Os animais têm ancestralidade ligada à antiga população da ilha e foram libertados em dois pontos do território como parte do Projeto de Restauração Ecológica de Floreana.
O retorno exigiu décadas de pesquisa. Cientistas localizaram descendentes da linhagem desaparecida em outra ilha, realizaram análises genéticas, organizaram cruzamentos controlados e criaram novas gerações durante anos. Segundo o Parque Nacional Galápagos, as 158 tartarugas escolhidas para a soltura tinham entre 12 e 14 anos.
Tartarugas gigantes desapareceram de Floreana no século XIX após exploração humana
A tartaruga-gigante de Floreana, classificada como Chelonoidis niger niger, foi duramente afetada pela presença humana no arquipélago. Entre os séculos XVIII e XIX, navegadores, piratas e principalmente tripulações de navios baleeiros capturaram grandes quantidades desses animais.
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As tartarugas conseguiam permanecer vivas durante longos períodos dentro das embarcações. Essa característica fez com que fossem transportadas pelos marinheiros e utilizadas como fonte de alimento durante viagens prolongadas.
Em meados do século XIX, a população original já havia desaparecido de Floreana. Ratos e outros mamíferos levados pelos seres humanos também passaram a ameaçar espécies nativas e a alterar o equilíbrio ecológico da ilha.
Descoberta no vulcão Wolf revelou que parte da linhagem de Floreana ainda sobrevivia
A pista que permitiu recuperar essa história apareceu no vulcão Wolf, localizado no norte da ilha Isabela. No início dos anos 2000, pesquisadores encontraram naquela região tartarugas com características incomuns para a população local.
Análises genéticas mostraram que alguns animais carregavam ancestralidade das tartarugas desaparecidas de Floreana. A explicação provável estava nos próprios navios que haviam explorado Galápagos durante os séculos anteriores.
Tartarugas transportadas pelos navegadores teriam sido abandonadas em Isabela e cruzado com exemplares locais. Dessa forma, mesmo após o desaparecimento da população em Floreana, parte de seu patrimônio genético conseguiu permanecer viva durante mais de um século.
Reprodução controlada criou novas gerações com ancestralidade das tartarugas desaparecidas
Depois da descoberta, cientistas iniciaram um programa de reprodução voltado à recuperação da linhagem. Tartarugas adultas foram retiradas da região do vulcão Wolf em 2015 e novamente em 2020 para integrar o trabalho de conservação.
Os pesquisadores utilizaram análises genéticas para planejar cruzamentos capazes de aumentar a ancestralidade de Floreana entre os descendentes. Centenas de filhotes nasceram dentro do programa, mas precisavam crescer antes de enfrentar as condições naturais da ilha.
As tartarugas selecionadas para a primeira grande reintrodução chegaram aos 12 a 14 anos. A soltura também foi programada para o período chuvoso, quando Floreana oferece maior disponibilidade de vegetação e fontes sazonais de água.
NASA ajudou a escolher regiões de Floreana para receber as 158 tartarugas gigantes
A preparação para devolver os animais à natureza também utilizou informações coletadas por satélites da NASA. Os dados ajudaram pesquisadores a estudar diferentes áreas de Floreana e identificar regiões capazes de oferecer condições adequadas às tartarugas.
Vegetação, chuva, temperatura, umidade, relevo e possíveis áreas de nidificação foram considerados nas análises. Essas informações foram combinadas com observações de campo realizadas sobre tartarugas em diferentes partes de Galápagos.
O planejamento também considera o futuro. Como tartarugas gigantes podem viver por mais de um século, pesquisadores analisam de que maneira as condições ambientais poderão mudar durante as próximas décadas.
Tartarugas receberam GPS para que pesquisadores acompanhem adaptação à ilha
As 158 tartarugas libertadas em 20 de fevereiro de 2026 receberam transmissores GPS leves. Os equipamentos permitem acompanhar deslocamentos e observar como os animais utilizam diferentes regiões de Floreana.
Os dados poderão mostrar onde as tartarugas encontram alimento e água, quais áreas são mais utilizadas e quais dificuldades aparecem durante a adaptação. Enquanto isso, os adultos utilizados no programa reprodutivo continuarão sob cuidados humanos para produzir novas gerações.
Novas solturas deverão acontecer conforme outros grupos alcancem idade e tamanho adequados. As primeiras 158 tartarugas representam, portanto, apenas a etapa inicial de um processo de longo prazo.
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Retorno das tartarugas gigantes pode recuperar processos ecológicos perdidos durante 180 anos
A importância do retorno ultrapassa a recuperação da própria linhagem. Tartarugas gigantes são consideradas “engenheiras do ecossistema” porque modificam a paisagem enquanto caminham, procuram água e se alimentam.
Os animais consomem vegetação, espalham sementes por grandes distâncias, mantêm espaços abertos e criam pequenos habitats utilizados por outras espécies. Durante quase dois séculos, Floreana permaneceu sem esses processos naturais.
O projeto pretende reintroduzir 12 espécies nativas que desapareceram localmente da ilha. O retorno das tartarugas gigantes marca o início dessa transformação e tenta reconstruir relações ecológicas que existiam em Floreana antes do desaparecimento da população original.
O que você acha mais impressionante nesse retorno das tartarugas gigantes a Floreana: a recuperação genética de uma linhagem considerada perdida ou o uso de tecnologia da NASA e GPS para reconstruir o ecossistema da ilha? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

