As suspeitas levantadas pelo deputado federal Roberto Duarte (Republicanos/AC) sobre a falta de transparência nos negócios de carbono do Acre agora ganham atenção internacional. A agência britânica Quantum Commodity Intelligence, especializada no mercado de carbono, divulgou a abertura de uma investigação que envolve o Estado do Acre, o banco Standard Chartered e a agência de classificação Sylvera.
A investigação foi iniciada pela Comissão Estadual de Validação e Acompanhamento (CEVA), responsável por monitorar o mercado de carbono no Acre. O foco da apuração são contratos no valor aproximado de R$ 3,4 milhões firmados pela Companhia de Desenvolvimento e Serviços Ambientais (CDSA) com uma consultoria, sem licitação, que recomendou a contratação do Standard Chartered e da Sylvera.
A CEVA solicitou à CDSA um relatório detalhado de todas as consultorias contratadas e questionou a existência de vínculos entre essas empresas e as instituições financeiras mencionadas. O objetivo é esclarecer as relações contratuais e financeiras envolvidas nas operações de carbono do Estado.
Além disso, a reportagem indica que a escolha do Standard Chartered para a comercialização dos créditos de carbono levanta questionamentos, já que a contratação não foi formalizada no Diário Oficial do Estado. Essa situação também suscita dúvidas sobre a conformidade com a Lei nº 13.303/2016, que regula as contratações de empresas estatais e estipula exceções à licitação que devem ser justificadas.
Os pontos levantados pela imprensa internacional refletem as preocupações que Roberto Duarte já havia apresentado a órgãos de controle, destacando a falta de transparência e a ausência de um processo público claro nas contratações da CDSA. Para o deputado, a atenção internacional sinaliza que a questão vai além de um problema administrativo, podendo afetar a credibilidade dos ativos ambientais do Acre e a confiança de potenciais compradores no mercado global.
Duarte comentou: “Quando eu apontei a falta de transparência, disseram que era exagero. Agora, a própria comissão do Estado investiga e a imprensa internacional está de olho. Não é perseguição. O que estamos cobrando é transparência, respeito à lei e esclarecimento dos fatos. Quem não deve, mostra os contratos.” Ele reafirmou seu compromisso em continuar cobrando esclarecimentos e acompanhando as investigações dos órgãos competentes, ressaltando que os créditos de carbono são um ativo importante para o Acre, mas que devem ser negociados com transparência e segurança jurídica.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por Redação Ecos da Notícia.

