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Funcionários chineses estão trabalhando debaixo de guarda-sóis nos escritórios para fugir do ‘envelhecimento no escritório’, fenômeno que ganhou força nas redes sociais e levou trabalhadores a usar máscaras, chapéus e protetor solar durante o expediente
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/09/2026 às 18:51
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Relatos reunidos pelo South China Morning Post mostram funcionários associando mudanças percebidas na aparência a iluminação, qualidade do ar e longas horas em ambientes fechados, enquanto medidas improvisadas de proteção transformaram a rotina de parte desses trabalhadores e alimentaram a discussão nas redes sociais.
Guarda-sóis abertos sobre mesas, chapéus, máscaras cobrindo parte do rosto e aplicações frequentes de protetor solar passaram a aparecer em publicações de trabalhadores chineses que tentam combater o chamado “envelhecimento no escritório”, expressão usada para descrever mudanças percebidas na aparência ao longo do expediente.
A tendência foi registrada pelo South China Morning Post, que reuniu relatos e imagens compartilhados nas redes sociais chinesas. Os próprios funcionários relacionam o aspecto cansado e alterações percebidas na pele a fatores como iluminação, qualidade do ar, permanência prolongada em ambientes fechados e desgaste da rotina profissional.
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Um dos relatos citados veio da província de Jiangsu, no leste da China. Um usuário do RedNote contou que, cerca de um mês depois de começar no emprego, percebeu a pele mais escura e passou a sentir os olhos cansados com frequência.
Outra trabalhadora afirmou ter notado a pele mais clara depois de passar um período afastada do escritório. Também surgiram reclamações sobre exposição à fumaça de cigarro em espaços compartilhados, ampliando as queixas para além da aparência e incluindo condições encontradas durante as horas de trabalho.
A reação de alguns funcionários foi transformar a estação de trabalho em uma área improvisada de proteção. Há registros de guarda-sóis instalados sobre computadores, além de viseiras, chapéus, coberturas faciais e protetor solar aplicado no rosto e nos braços durante o dia.
Iluminação está entre as principais reclamações
A luz artificial usada nos escritórios aparece entre os fatores mais citados pelos trabalhadores. Yoki, designer de iluminação mencionada pela reportagem, explicou a um veículo da China continental que empresas costumam adotar tons mais frios para manter os funcionários atentos durante as atividades profissionais.
Os relatos nas redes, porém, não demonstram por si só que a iluminação comum dos escritórios provoque envelhecimento da pele. A expressão “envelhecimento no escritório” funciona, nesse contexto, como um rótulo criado pelos próprios trabalhadores para reunir percepções sobre aparência, fadiga e desconforto associados à rotina em ambientes fechados.
Por isso, os guarda-sóis, máscaras, chapéus e protetores vistos nas publicações não devem ser tratados como uma recomendação médica aplicável a qualquer funcionário. Eles mostram como parte dos usuários está reagindo, por iniciativa própria, à percepção de que o ambiente profissional interfere em sua aparência e bem-estar.
As publicações mostram mesas cobertas por guarda-sóis e trabalhadores com o rosto parcialmente protegido durante o expediente. Essas imagens acompanham relatos de pessoas que dizem perceber diferenças na própria aparência quando comparam períodos de trabalho com dias de descanso.
Queixas também envolvem ventilação e qualidade do ar
As reclamações não se limitam à aparência. Trabalhadores citados na reportagem mencionaram ar seco, ventilação considerada inadequada, poeira acumulada e sensação de abafamento, fatores apresentados por eles como parte do desconforto sentido depois de muitas horas dentro do escritório.
Problemas relacionados à qualidade do ar em ambientes internos podem provocar sintomas reais, embora isso não comprove a ideia de que permanecer no escritório faça uma pessoa envelhecer mais rapidamente. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos informa que ocupantes de determinados edifícios podem apresentar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, fadiga, tontura e dificuldade de concentração.
O órgão também relaciona o desconforto em espaços internos a fatores como ventilação, temperatura, umidade e presença de contaminantes. Iluminação inadequada e estresse psicológico podem contribuir para sintomas percebidos durante a permanência nesses locais, sem estabelecer, por si só, uma relação direta com envelhecimento físico.
Nos relatos dos trabalhadores, as preocupações estéticas aparecem ao lado de queixas sobre fadiga e desconforto. A comparação da aparência durante o expediente com períodos de descanso convive, portanto, com reclamações sobre características físicas do ambiente em que essas pessoas passam o dia.
Rotina de trabalho entrou no debate
Nas publicações reproduzidas pelo jornal, alguns usuários também associaram longos períodos sentados a alterações de postura e mencionaram o hábito de franzir a testa enquanto executam tarefas que exigem concentração. Outros passaram a improvisar formas de deixar a estação de trabalho mais confortável.
Pequenos umidificadores e adaptações feitas com recipientes de uso cotidiano apareceram entre essas tentativas. As respostas individuais descritas pelos trabalhadores vão, assim, além do protetor solar e incluem diferentes recursos usados para enfrentar desconfortos percebidos durante o expediente.
A discussão também assumiu um tom de crítica às condições de trabalho. “Um bom escritório não é um luxo, mas um direito básico. As pessoas devem moldar o ambiente de trabalho, e não serem reduzidas a meras engrenagens em cubículos”, disse um internauta, de acordo com o South China Morning Post.
Outro usuário relacionou diretamente a preocupação estética ao custo pessoal que atribui à rotina profissional. “Envelheço no escritório todos os dias. A empresa paga pelo meu trabalho, mas quem vai arcar com os custos da minha beleza e saúde?”, comentou o internauta, segundo o jornal.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

