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Aos 94 anos, alunos voltam à sala de aula para estudar Filosofia, Cinema e Aquarela em escola que nasceu na pandemia, já recebeu mais de mil estudantes e transforma aposentadoria em fase de aprendizado, amizades e viagens
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 16/09/2026 às 00:03
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Ciclos+ nasceu durante a pandemia em Porto Alegre, começou com pouco mais de dez alunos por videochamada e transformou educação, amizades, passeios e viagens em uma experiência voltada ao público com mais de 60 anos.
Cadernos sobre a mesa, pincéis nas mãos e conversas durante os intervalos fazem parte da rotina de uma escola diferente em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Seus estudantes já passaram dos 60 anos e alguns chegaram aos 94 anos, idade em que continuam frequentando aulas e descobrindo novos interesses.
Na Ciclos+, os alunos podem estudar História da Arte, Filosofia, Cinema, Geopolítica, Bordado e Aquarela, entre outras áreas. Ninguém precisa estar ali para conquistar um diploma ou começar outra profissão. Cada estudante escolhe aquilo que realmente deseja aprender.
O conhecimento, porém, representa apenas uma parte da experiência. Entre uma atividade e outra surgem amizades, confraternizações, visitas culturais e viagens. O projeto que começou com pouco mais de uma dezena de participantes durante a pandemia já recebeu mais de mil alunos e atualmente reúne mais de 100 estudantes.
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Projeto da Ciclos+ mudou completamente de rumo durante a pandemia de Covid-19
A história da escola nasceu do encontro profissional entre Juliana Enderle e Cristiano Cunha. Juliana acumulava experiência no empreendedorismo e buscava uma mudança de carreira, enquanto Cristiano vinha da área acadêmica e já trabalhava com educação.
O projeto imaginado inicialmente pelos dois era bastante diferente. A intenção era criar um espaço relacionado ao design de interiores, aproximando profissionais jovens de pessoas mais experientes e criando oportunidades de troca entre diferentes gerações.
A chegada da pandemia de Covid-19, em 2020, obrigou os empreendedores a mudar os planos antes que a ideia assumisse sua forma definitiva. Com salas fechadas e restrições às atividades presenciais, Juliana e Cristiano decidiram levar as aulas para a internet.
Com investimento inicial de aproximadamente R$ 50 mil, surgiu a primeira turma, formada por pouco mais de uma dezena de estudantes conectados por videochamada. Foi justamente naquela experiência que os fundadores perceberam algo que mudaria o futuro do negócio: os participantes não procuravam somente conhecimento.
Videochamadas transformaram aulas em espaço de convivência para estudantes com mais de 60 anos
Durante o isolamento social, as aulas online começaram a desempenhar uma função muito maior do que simplesmente apresentar conteúdos. Para alunos afastados do convívio cotidiano com amigos e familiares, entrar na sala virtual significava conversar, trocar experiências, conhecer pessoas e manter um compromisso na rotina.
O público com mais de 60 anos esteve entre os primeiros a aderir à proposta. A experiência mostrou aos fundadores uma demanda que ainda não ocupava o centro do projeto: criar um ambiente dedicado ao aprendizado e à convivência durante a longevidade.
A procura levou a Ciclos+ a ampliar sua programação e concentrar cada vez mais as atividades nesse público. As aulas continuavam oferecendo conhecimento, mas os encontros também passaram a funcionar como oportunidades para construir relações sociais.
Quando as restrições sanitárias diminuíram, as telas começaram a dar lugar às salas de aula. Em 2022, a Ciclos+ iniciou sua transição para o formato presencial, inicialmente com disciplinas como História da Arte, Filosofia, Cinema e Música.
De Filosofia a Aquarela, alunos escolhem aquilo que realmente querem aprender
A Ciclos+ possui características encontradas em uma escola tradicional, mas existe uma diferença fundamental. Os estudantes não frequentam as aulas porque precisam obter um diploma, cumprir uma grade obrigatória ou necessariamente buscar uma nova profissão.
Eles escolhem os assuntos que despertam interesse. A programação passou a reunir História da Arte, Filosofia, Cinema, Geopolítica, Bordado e Aquarela, além de outros cursos livres oferecidos aos participantes.
Os interesses dos próprios estudantes também ajudam a orientar as atividades. Dessa maneira, aprender não significa apenas acompanhar uma sequência de aulas, mas explorar assuntos que talvez tenham ficado distantes durante outras fases da vida.
O aprendizado ainda ultrapassa as paredes da escola. Confraternizações, visitas culturais e viagens fazem parte da programação e ampliam o contato entre pessoas que começaram a se conhecer dentro das salas.
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Viviane Alves
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Combate à solidão transformou convivência em parte importante da proposta da escola
As relações sociais podem passar por grandes mudanças depois dos 60 anos. Foi nesse contexto que a Ciclos+ passou a enxergar a convivência como uma parte tão importante da experiência quanto as próprias disciplinas oferecidas aos estudantes.
Combater a solidão na maturidade tornou-se um dos propósitos do projeto. As amizades construídas durante as aulas também ajudam a trazer novos participantes, criando uma rede que continua para além dos horários dos cursos.
Passeios, viagens e encontros ampliam essas relações. O estudante pode chegar interessado em Cinema, Filosofia ou Aquarela e encontrar também pessoas com experiências, interesses e histórias diferentes para compartilhar.
A proposta passou, assim, a combinar dois elementos que haviam aparecido juntos desde as primeiras videochamadas da pandemia: continuar aprendendo e continuar convivendo.
Escola que começou com pouco mais de dez estudantes já recebeu mais de mil alunos
A transformação ocorrida desde 2020 aparece nos próprios números do projeto. A primeira turma reuniu pouco mais de uma dezena de participantes pela internet, enquanto atualmente mais de 100 estudantes participam das atividades da Ciclos+.
Ao longo de sua trajetória, mais de mil alunos já passaram pela escola. O crescimento levou o projeto a uma nova etapa, que prevê levar o modelo desenvolvido em Porto Alegre para outras cidades.
A presença de estudantes com até 94 anos também ajuda a explicar a proposta construída ao longo desses anos. A sala de aula deixou de representar apenas uma etapa ligada à infância, juventude ou preparação profissional e passou a ocupar outro espaço na rotina dos participantes.
A história da Ciclos+ começou com uma mudança de planos provocada pela pandemia e encontrou no público com mais de 60 anos sua principal identidade. Hoje, Filosofia, Cinema, História da Arte, Aquarela, viagens e novas amizades dividem espaço em uma experiência criada para quem decidiu continuar aprendendo mesmo depois da aposentadoria.
Você acredita que escolas voltadas para pessoas com mais de 60 anos deveriam se tornar mais comuns no Brasil, oferecendo aprendizado, convivência e novas experiências depois da aposentadoria? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

