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Praia de SC que quase desapareceu sob o avanço do mar, recebeu investimento de R$ 31 milhões e ganhou uma faixa de areia de até 70 metros amanhece coberta por 90 toneladas de galhos, troncos e lixo após chuvas intensas, mobiliza máquinas para uma limpeza gigantesca e expõe o problema ambiental que nenhuma obra de alargamento consegue resolver sozinha: “É a mãe natureza devolvendo o que a gente joga”
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 17/09/2026 às 16:14
Atualizado em 17/09/2026 às 16:53
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Depois de quase desaparecer sob o avanço do mar e receber uma obra milionária que ampliou sua faixa de areia para até 70 metros, a Praia do Gravatá amanheceu irreconhecível: chuvas intensas levaram galhos, troncos, folhas e lixo até o oceano, e as ondas devolveram cerca de 90 toneladas de resíduos à orla, revelando um problema ambiental que começou muito longe da praia e surpreendeu moradores de Navegantes
A imagem que moradores e visitantes encontraram na Praia do Gravatá, em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, contrastava com a transformação recente do lugar. A faixa de areia ampliada por uma obra de R$ 31 milhões apareceu coberta por galhos, troncos, folhas e diferentes tipos de lixo.
Segundo informações divulgadas pelo ND Mais, aproximadamente 90 toneladas de resíduos foram retiradas do local. O material chegou ao mar após dias de chuvas intensas e acabou devolvido pelas ondas à orla.
O cenário chamou atenção porque a Praia do Gravatá passou recentemente por uma das maiores intervenções de sua história. Antes da obra, a erosão havia reduzido drasticamente a faixa de areia em determinados trechos. Em alguns períodos de maré alta, a praia praticamente desaparecia diante do avanço do oceano.
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Agora, apesar da areia recuperada, o episódio revelou outro desafio. Uma obra costeira pode proteger a orla contra a erosão. No entanto, ela não impede que resíduos descartados em rios, canais, ruas e terrenos sejam carregados pela água durante os temporais.
Praia que quase sumiu recebeu investimento de R$ 31 milhões
A Praia do Gravatá enfrentava um processo contínuo de erosão costeira. Com o avanço do mar, moradores e comerciantes viram a faixa de areia diminuir ao longo dos anos. Em determinados pontos, as ondas se aproximavam do calçadão e ameaçavam estruturas próximas da orla.
Para conter o problema, Navegantes iniciou um projeto de engordamento da faixa de areia, também chamado de alimentação artificial de praia. A intervenção prevê a colocação de um grande volume de areia ao longo da costa.
Com investimento aproximado de R$ 31 milhões, a obra foi planejada para ampliar a praia em até 70 metros. Além de devolver espaço aos banhistas, a nova faixa funciona como uma barreira física contra a força das ondas.
A intervenção também busca proteger imóveis, equipamentos públicos e vias próximas ao mar. Ao mesmo tempo, a ampliação pode fortalecer o turismo e valorizar uma região importante para a economia de Navegantes.
O investimento, porém, não transforma a praia em um ambiente isolado. A orla continua conectada aos rios, canais de drenagem, ruas e áreas urbanizadas. Dessa maneira, tudo o que a chuva arrasta pode acabar no oceano e retornar à areia.
Chuvas carregaram troncos, folhas e lixo até o mar
Após as chuvas intensas registradas na região, uma mistura de materiais orgânicos e resíduos urbanos apareceu na Praia do Gravatá. A maior parte do volume era formada por galhos, troncos e folhas. Entre eles, entretanto, também havia lixo descartado irregularmente.
A água das chuvas percorre ruas, córregos, valas e sistemas de drenagem. Nesse caminho, ela pode transportar embalagens, garrafas, sacolas e objetos abandonados em locais inadequados.
Quando esse material chega aos cursos d’água, segue em direção ao mar. Depois, as correntes e as ondas podem devolvê-lo ao litoral. Assim, a faixa de areia se torna o destino visível de um problema que começou quilômetros antes.
A quantidade acumulada impressionou. Conforme a reportagem, a força-tarefa responsável pela limpeza retirou cerca de 90 toneladas de materiais da praia.
“Não fica bonito, mas é a mãe natureza devolvendo o lixo que a gente bota”, resumiu um dos relatos apresentados pela reportagem. A frase diferencia o material natural, como galhos e folhas, dos resíduos produzidos e descartados pelas pessoas.
Retirada mobilizou máquinas e equipes de limpeza
Diante do volume acumulado, equipes trabalharam na retirada dos materiais espalhados pela Praia do Gravatá. Máquinas pesadas ajudaram a recolher os troncos maiores. Enquanto isso, trabalhadores separaram e removeram os resíduos distribuídos pela areia.
A operação exige cuidado porque a limpeza não pode retirar grandes quantidades da areia recentemente adicionada. Além disso, as máquinas precisam circular sem comprometer a estabilidade da faixa ampliada ou atingir áreas ambientalmente sensíveis.
O trabalho também representa um desafio logístico. Galhos encharcados tornam-se pesados, ocupam muito espaço e precisam ser transportados para locais apropriados. Já o lixo urbano exige separação e destinação correta.
A limpeza devolve temporariamente a aparência organizada à praia. Entretanto, sem prevenção nas áreas urbanas e nos cursos d’água, novos episódios podem ocorrer durante períodos de chuva forte.
Navegantes também mantém ações relacionadas à drenagem urbana. Em maio de 2026, por exemplo, a Prefeitura de Navegantes informou ter iniciado uma operação para limpar e desobstruir 3,4 quilômetros de canais nos bairros Meia Praia e Gravatá.
Alargamento protege a costa, mas não elimina o lixo
O episódio não significa que a obra de alargamento tenha falhado. A nova faixa de areia possui como objetivo principal reduzir os efeitos da erosão e criar uma distância maior entre o mar e as estruturas urbanas.
A acumulação de resíduos, por outro lado, está relacionada à chuva, ao funcionamento da drenagem e ao descarte inadequado em diferentes pontos da cidade e da bacia hidrográfica.
Por isso, a solução depende de ações combinadas. Limpeza de canais, manutenção de bueiros, fiscalização ambiental e coleta eficiente reduzem o volume levado pelas enxurradas. Além disso, a população precisa evitar o descarte de resíduos em ruas, margens de rios e terrenos.
O caso da Praia do Gravatá deixa uma mensagem clara. R$ 31 milhões podem recuperar uma praia ameaçada pelo avanço do mar, mas nenhuma obra costeira consegue impedir sozinha que o lixo descartado nas cidades retorne pela água.
Para você, municípios litorâneos deveriam investir mais na limpeza das praias ou concentrar esforços na prevenção do lixo antes que ele alcance rios e oceanos?
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Caio Aviz
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

