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Aos 94 anos, viúvo começa a receber no quintal as crianças da vizinhança, constrói uma piscina de quase 10 metros para quebrar o silêncio, abre o espaço aos pequenos depois da morte da esposa e passa as tardes ao lado daqueles que os próprios vizinhos dizem ter virado seus netos adotivos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/09/2026 às 15:43
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Keith Davison transformou o quintal de casa, em Minnesota, em ponto de encontro para famílias após perder a mulher com quem foi casado por 66 anos. Seis anos depois da inauguração, a piscina continuava recebendo crianças quando o juiz aposentado completou 100 anos.
A piscina que Keith Davison mandou construir no quintal de casa, em Morris, no estado americano de Minnesota, tornou-se um espaço de convivência entre o aposentado e as famílias da vizinhança. A iniciativa surgiu depois da morte de Evy Davison, sua mulher por 66 anos.
Keith contou à ABC News que a casa ficou silenciosa demais após a perda da esposa, vítima de câncer em 2016. Aos 94 anos, ele decidiu reagir à mudança de rotina abrindo espaço justamente para o barulho e a presença das crianças que moravam perto.
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A escolha foi construir uma piscina subterrânea no próprio terreno. Davison procurou uma empresa familiar de Minnesota que já havia feito outra piscina para ele cerca de quatro décadas antes e iniciou o projeto que, meses depois, mudaria o movimento do quintal.
A estrutura media 16 por 32 pés, cerca de 4,9 por 9,75 metros, e tinha uma parte rasa e outra com aproximadamente 2,4 metros de profundidade. O projeto também incluía um trampolim de cerca de 1,8 metro.
Quando os preparativos começaram, parte da vizinhança ainda duvidava que um homem de 94 anos realmente levaria adiante uma obra daquele porte. Jessica Huebner, que morava perto de Davison havia sete anos, relatou que passou a acreditar quando as marcações apareceram no terreno e os equipamentos de construção chegaram.
Pouco depois, a piscina estava pronta e as crianças começaram a frequentar a propriedade.
A convivência já existia antes da piscina
A relação de Davison com os filhos dos vizinhos não nasceu com a obra. Jessica contou que Keith e Evy já recebiam seus quatro filhos com proximidade, conversavam com eles, compartilhavam histórias e gostavam de acompanhá-los enquanto brincavam pelo quintal.
Na avaliação da vizinha, o casal tratava as crianças como uma espécie de netos adotivos. Davison tinha três filhos adultos, mas não tinha netos, e a convivência com os pequenos do bairro acabou ocupando um espaço importante na rotina da casa.
Depois da morte de Evy, a piscina ampliou essa proximidade. Crianças passaram a nadar e brincar no quintal enquanto pais e responsáveis acompanhavam as atividades, e Davison podia permanecer do lado de fora conversando com as famílias ou observando a movimentação.
Jessica também associou essa convivência à oportunidade de os filhos manterem contato com alguém de outra geração. Para ela, as crianças aprendiam a conversar com um adulto mais velho e viam de perto uma iniciativa criada para proporcionar diversão a outras pessoas da comunidade.
Embora o espaço estivesse dentro de uma propriedade particular, Davison estabeleceu regras para o uso. Nenhuma criança poderia entrar na piscina sem a presença de um dos pais ou de um avô responsável, condição criada para garantir que os menores permanecessem supervisionados.
A formação profissional do anfitrião aparecia até nessa organização. Depois de uma carreira como advogado e juiz, ele tratava as normas como parte natural do funcionamento do espaço, sem confundir a abertura do quintal aos vizinhos com acesso sem controle.
Davison também aproveitava a piscina. Quando as famílias deixavam a propriedade, ele costumava nadar sozinho, preservando um hábito de que já gostava antes de transformar o terreno em ponto de encontro para as crianças.
Seis anos depois, o quintal continuava recebendo famílias
A iniciativa não ficou restrita ao primeiro verão. Em 2023, seis anos depois da inauguração, uma reportagem da KARE distribuída pela CNN Newsource e publicada pela WBTV mostrou que a piscina continuava sendo frequentada quando Davison completou 100 anos.
A moradora Beverly Metzker contou à emissora que costumava ir ao local duas ou três vezes por semana com a filha. O relato mostrava que o quintal permanecia incorporado à rotina de famílias próximas, mesmo anos depois da construção que inicialmente surpreendeu os vizinhos.
O centenário de Davison também foi celebrado pela comunidade. Dezenas de moradores participaram de uma festa de quarteirão, e o bolo preparado para o aniversário reproduzia em miniatura a piscina que havia aproximado o aposentado das crianças do bairro.
A celebração ocorreu em um cenário muito diferente daquele descrito por Davison após a morte de Evy. A casa que ele considerava silenciosa demais passou a receber crianças, pais e vizinhos com frequência, enquanto o espaço construído no quintal continuava servindo ao propósito que motivou sua criação.
Ao completar 100 anos, Davison ainda avaliava que a piscina podia não ter sido um bom investimento financeiro, mas considerava a decisão uma das melhores que havia tomado. Seis anos após a abertura, a estrutura permanecia em uso pelas famílias da vizinhança.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

