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Americano percorre 16 estados e cerca de 50 cidades em 12 anos e aponta por que o Brasil reúne uma das maiores oportunidades do mundo
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 20/09/2026 às 04:15
Atualizado em 20/09/2026 às 04:20
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Radicado em Florianópolis, Drew Crawford concentra sua tese de investimento em agronegócio, minerais críticos e infraestrutura de exportação e sustenta que a distância entre ativos produtivos e capital disponível ainda limita a expansão de oportunidades brasileiras voltadas ao mercado internacional.
Doze anos de viagens pelo Brasil levaram o norte-americano Drew Crawford a concentrar sua tese sobre o país em três frentes: agronegócio, minerais críticos e infraestrutura de exportação. Sócio-diretor da Austral Continental, ele afirma ter percorrido 16 estados, cerca de 50 cidades e centenas de empresas nesse período.
O percurso inclui regiões produtoras do Sul, Centro-Oeste e Matopiba, além do cinturão mineral de Minas Gerais. A própria empresa registra essa experiência na tese de investimento publicada pela Austral Continental, documento assinado por Crawford.
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Para o executivo, o ponto central não é apenas a capacidade brasileira de produzir alimentos, extrair minerais ou movimentar cargas, mas a velocidade com que o capital consegue acompanhar esses ativos. A avaliação representa a visão de Crawford e da empresa, não uma garantia de retorno financeiro.
Agronegócio sustenta a primeira parte da tese
O agronegócio aparece como o primeiro pilar porque reúne produção em escala, domínio de tecnologias tropicais e acesso a mercados externos. Na análise apresentada por Crawford, as exportações brasileiras do setor somaram aproximadamente US$ 164 bilhões em 2024, perto de metade das vendas externas do país naquele ano.
Ele também cita uma estimativa atribuída à Embrapa segundo a qual a produção agropecuária brasileira seria suficiente para alimentar cerca de 800 milhões de pessoas. O número não significa que essa população dependa exclusivamente do Brasil, mas funciona como referência para dimensionar o volume produzido no país.
Soja, carnes, café, açúcar e suco de laranja estão entre as cadeias usadas por Crawford para ilustrar essa presença internacional. Na soja, o Brasil consolidou posição de liderança global em produção e exportação, enquanto o suco de laranja permanece entre os produtos com participação brasileira predominante nas vendas mundiais.
O executivo atribui essa escala a fatores como disponibilidade de terras produtivas, conhecimento sobre agricultura tropical, uso de tecnologia e possibilidade de expansão. Nesse processo, destaca também o papel da Embrapa no desenvolvimento de técnicas que ajudaram a viabilizar a produção agrícola no Cerrado.
Esses avanços contribuíram para incorporar à produção áreas que durante décadas eram consideradas pouco adequadas à agricultura intensiva. A expansão ajudou a transformar o Centro-Oeste e o Matopiba em regiões relevantes para cadeias de grãos voltadas aos mercados interno e externo.
Minerais críticos ampliam a oportunidade apontada
O segundo eixo da tese são os minerais críticos, grupo associado à produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos industriais e tecnologias ligadas à transição energética. Crawford destaca sobretudo nióbio e grafite para mostrar como a geologia brasileira amplia sua análise para além do agronegócio.
No caso do nióbio, ele cita dados oficiais que colocam o Brasil em posição dominante no mercado mundial. O mineral é usado em pequenas proporções para aumentar a resistência de ligas metálicas empregadas em automóveis, oleodutos, gasodutos, turbinas e diferentes estruturas industriais.
Araxá, em Minas Gerais, concentra uma das operações mais relevantes do setor. No material citado por Crawford, documentos do Ministério de Minas e Energia são usados para sustentar que o Brasil reúne cerca de 90% dos recursos mundiais de nióbio e mantém participação predominante no mercado internacional de ferro-nióbio.
O grafite aparece como outro ativo relevante por ser componente importante do ânodo das baterias de íons de lítio. A análise menciona nota técnica do governo federal segundo a qual o Brasil possui a segunda maior reserva mundial conhecida, equivalente a aproximadamente 22% do total global.
Para Crawford, possuir o recurso no subsolo não encerra a oportunidade econômica. Projetos minerais dependem de pesquisa geológica, licenciamento, processamento, infraestrutura e financiamento antes de alcançar produção comercial, razão pela qual ele coloca o acesso a capital como parte da mesma equação.
Arco Norte aproxima produção e portos
A infraestrutura de exportação forma o terceiro pilar. Nesse ponto, Crawford chama atenção para o crescimento do Arco Norte, conjunto de portos e corredores logísticos do Norte e Nordeste que ganhou importância no escoamento da produção do Centro-Oeste e do Matopiba.
Dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos mostram que os portos do Arco Norte movimentaram 58 milhões de toneladas de grãos em 2025, segundo números da Companhia Nacional de Abastecimento.
No mesmo ano, os portos e terminais da região movimentaram 163,4 milhões de toneladas de cargas, alta de 10,4% sobre 2024. O ministério também registra que parte crescente da soja mato-grossense encontra no Arco Norte uma alternativa logística para chegar ao mercado externo.
A rota permite que parte da soja e do milho produzidos no Centro-Oeste siga por rodovias até terminais estratégicos e, depois, por hidrovias em direção aos portos do Norte e Nordeste. Esse desenho reduz a necessidade de levar toda a produção até terminais mais distantes do Sul e Sudeste.
Na leitura de Crawford, a relevância dessa infraestrutura está no efeito do custo logístico sobre a margem das fazendas. Estradas, armazenagem, transbordo, ferrovias, hidrovias e acessos portuários entram no cálculo porque a distância entre a lavoura e o navio interfere no valor que permanece com o produtor.
A Austral Continental atua justamente nesse intervalo, aproximando capital institucional e recursos de family offices internacionais de projetos brasileiros ligados ao agronegócio, aos minerais críticos e à infraestrutura de exportação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

