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Produção de aço do Brasil cai 6,2% para 2,69 milhões de toneladas em agosto mesmo com vendas internas em alta, exportações crescendo 13% e importações recuando quase 20%
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 20/09/2026 às 06:06
Atualizado em 20/09/2026 às 06:57
Metalúrgica e Siderúrgica
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Dados do Instituto Aço Brasil mostram produção de 2,69 milhões de toneladas de aço bruto em agosto, queda anual de 6,2%, apesar de alta de 1,8% nas vendas internas, avanço de 13% nas exportações e recuo de 19,5% nas importações.
A siderurgia brasileira produziu 2,69 milhões de toneladas de aço bruto em agosto de 2026, volume 6,2% menor que o registrado um ano antes. A queda chama atenção porque ocorreu ao mesmo tempo em que as vendas internas cresceram e as exportações avançaram 13%, segundo dados divulgados pelo Instituto Aço Brasil.
No mercado interno, as usinas venderam 1,86 milhão de toneladas, alta anual de 1,8%. As exportações chegaram a 959 mil toneladas, crescimento de 13%, enquanto as importações recuaram 19,5%, para 395 mil toneladas. Mesmo com esses movimentos favoráveis na demanda aparente, a produção de aço bruto caiu.
Produção recua enquanto vendas internas e exportações avançam
O contraste é o principal ponto dos números de agosto. Em geral, vendas maiores e importações menores abririam espaço para maior produção doméstica, mas o setor registrou queda de 6,2% na comparação anual. Na comparação mensal, a produção também recuou cerca de 4% frente a julho.
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O desempenho das usinas continua pressionado por fatores que vão além da demanda imediata, como custos, paradas operacionais, mix de produtos, competitividade internacional e decisões de produção tomadas pelas empresas.
Laminados longos caem e planos avançam
Dentro da produção, os segmentos tiveram comportamentos diferentes. Os laminados longos recuaram 2% em agosto na comparação anual, para 841 mil toneladas. Já os produtos planos cresceram 3,5%, chegando a aproximadamente 1,16 milhão de toneladas.
As placas e outros semiacabados destinados à venda também perderam força: a produção caiu 5,8% e ficou em 557 mil toneladas. A diferença entre os segmentos mostra que a retração não atingiu toda a cadeia da mesma maneira.
Acumulado do ano ainda mostra produção abaixo de 2025
De janeiro a agosto, o Brasil produziu 21,78 milhões de toneladas de aço bruto, queda de 1,8% em relação aos oito primeiros meses de 2025. As vendas no mercado interno ficaram praticamente estáveis, em 14,2 milhões de toneladas.
As exportações acumuladas cresceram 3,7%, para 7,32 milhões de toneladas, enquanto as importações caíram 20,2%, para 3,7 milhões de toneladas. A redução das compras externas ocorre após medidas de defesa comercial adotadas pelo governo para diferentes produtos siderúrgicos.
Defesa comercial reduz importações, mas não garante expansão imediata
O recuo de 20,2% nas importações acumuladas é relevante para um setor que vinha reclamando do avanço de produtos estrangeiros, especialmente de origem asiática. A indústria brasileira tem defendido medidas contra práticas consideradas desleais e excesso de capacidade global.
Mesmo com menos aço importado entrando no país, a produção nacional não aumentou automaticamente. A reação das usinas depende também do ritmo da construção, indústria automotiva, máquinas, óleo e gás e outros grandes consumidores.
Confiança do setor continuou abaixo da linha de otimismo
O Instituto Aço Brasil também informou que o Índice de Confiança da Indústria do Aço caiu em setembro, acumulando a quarta retração consecutiva. O indicador ficou em 42,1 pontos, abaixo da marca de 50 que separa confiança de pessimismo.
A piora foi puxada pela percepção sobre a situação atual, enquanto as expectativas para os próximos seis meses melhoraram, mas ainda permaneceram em terreno negativo. A cautela empresarial continua elevada mesmo diante de alguns dados positivos de vendas e comércio exterior.
Siderurgia segue estratégica para construção, automóveis e infraestrutura
O aço é insumo básico para construção civil, automóveis, máquinas, energia, óleo e gás, ferrovias e grandes obras. Por isso, a produção de 2,69 milhões de toneladas em agosto funciona como termômetro importante da atividade industrial brasileira.
O setor entra no fim de 2026 com uma combinação incomum: menos importações, exportações em alta e produção menor. A evolução da demanda doméstica e das medidas comerciais vai definir se esse descompasso será temporário ou se continuará nos próximos meses. Você acredita que a indústria brasileira do aço pode recuperar produção ainda neste ano? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

