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Carga brasileira de 403 litros de xampu atravessa Guarulhos e embarca para a Alemanha mesmo sob suspeita de conter cocaína, porque a Polícia Federal decide não interromper a viagem; após teste positivo em Lisboa, autoridades seguem a remessa até prender quatro suspeitos no exterior
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 21/09/2026 às 11:46
Atualizado em 21/09/2026 às 13:21
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Uma carga de 403 litros de xampu adulterado com cocaína saiu de São Paulo, passou por Guarulhos e voou para Berlim sob vigilância da Polícia Federal. Após teste positivo em Lisboa, a polícia alemã prendeu três suspeitos, um quarto caiu na Turquia e a Operação Anticaspa deteve dois no Brasil
Uma carga de 403 litros de xampu saiu de São Paulo, passou pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos e cruzou o Atlântico rumo a Berlim, na Alemanha. A Polícia Federal já sabia que a remessa tinha sido adulterada, mas decidiu deixar a viagem seguir para descobrir quem estava mandando cocaína para a Europa.
Segundo o ND Mais, em 21 de setembro de 2026, a estratégia levou a três prisões na Alemanha e a uma quarta na Turquia. No Brasil, outros dois investigados foram detidos numa nova fase da apuração, batizada de Operação Anticaspa.
Informação sobre cosméticos com cocaína deu início à investigação
O caso começou quando a PF recebeu a informação de que cosméticos brasileiros estavam sendo contaminados com cocaína antes de serem exportados.
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Naquele momento, duas remessas já tinham sido enviadas para a Alemanha. Os policiais decidiram, então, acompanhar de perto a terceira carga.
Agentes misturados aos funcionários viram a carga sair da fábrica
Em 14 de agosto, agentes infiltrados entre os funcionários acompanharam, de dentro da fábrica, a retirada dos 403 litros de xampu. O destino era Berlim, com escala em Lisboa, Portugal.
Segundo a PF, a fabricante do xampu foi vítima do esquema. A empresa apenas vendeu os produtos, e a adulteração aconteceu depois que a mercadoria saiu de lá.
Delegado explica como o xampu era desviado
O delegado Felipe Lavareda resumiu o papel da fabricante no caso. “Ela só vendia o seu produto. Ele era então retirado da fábrica dela, contaminado e exportado”, explicou.
A PF também afirmou que não encontrou nenhum indício de participação de funcionários do aeroporto ou da companhia aérea no esquema.
Frascos foram levados para casa alugada em Diadema
A carga ficou parada por mais de um dia. No domingo, 16 de agosto, a movimentação voltou, e os investigados levaram os produtos para uma casa alugada por temporada em Diadema, na Grande São Paulo.
Eles não sabiam que estavam sendo seguidos. A suspeita é de que os frascos tenham sido adulterados nesse imóvel. Aline Morgado Cassaro estava entre as pessoas monitoradas durante a ação.
Xampu passou pelo raio-X de Guarulhos sem ser barrado
Foto: Fantástico
Em 17 de agosto, os produtos saíram de Diadema e foram para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Os frascos passaram pelo raio-X e seguiram normalmente pelo terminal.
Na área de montagem, a carga foi presa com uma rede de contenção e levada pelo pátio por um trator. As autoridades filmaram cada uma dessas etapas.
Avião decolou para a Europa na madrugada de 19 de agosto
A aeronave com o xampu decolou na madrugada de 19 de agosto. Para quem via a rotina do aeroporto, era só mais uma remessa brasileira de cosméticos.
Apenas as autoridades envolvidas na operação sabiam o que estava acontecendo. Policiais de três países acompanhavam cada movimento da carga.
Frasco aberto em Lisboa confirmou a cocaína
A polícia portuguesa esperava a carga na escala em Lisboa. Um dos frascos foi retirado para análise, e o teste confirmou a presença de cocaína.
Os agentes ainda aguardaram para ver se alguém tentaria buscar a mercadoria em Portugal. Como ninguém apareceu, o xampu seguiu viagem até a Alemanha.
Polícia alemã prendeu três suspeitos na hora da descarga
Em Berlim, a Polícia Criminal Federal alemã acompanhou a retirada da carga. A intervenção aconteceu perto do local onde os produtos seriam descarregados e terminou com três suspeitos presos.
Dias depois, Samir Shahade, administrador da importadora responsável pela encomenda, foi detido na Turquia. Com isso, a etapa internacional da investigação chegou a quatro prisões.
Ainda não se sabe como a droga foi escondida nos frascos
As autoridades ainda não sabem exatamente como a cocaína foi colocada nos recipientes. A polícia alemã analisa o material para descobrir se havia cocaína líquida misturada ao xampu ou se o pó foi escondido dentro dos frascos.
A professora de Química Forense da USP de Ribeirão Preto Aline Thais Bruni explicou que certas substâncias podem ser incorporadas a outros materiais e sumir da vista. Ela compara ao açúcar dissolvido na água: o pó não aparece, mas continua ali e pode ser recuperado.
Camuflagem química avança na Europa, segundo a ONU
Essa técnica é conhecida como camuflagem química. Segundo um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), a prática está avançando na Europa, e laboratórios clandestinos usados para tirar a cocaína dos disfarces também vêm sendo descobertos.
De acordo com a polícia holandesa, grupos criminosos chegam a contratar especialistas colombianos para fazer o processo. Além de líquidos, a droga já foi achada em tecidos, plásticos, carvão e até cera de abelha.
Xampu na Espanha e lençóis em Hong Kong também escondiam cocaína
Poucos dias antes, mais de oito quilos de cocaína líquida foram encontrados em frascos de xampu em Valência, na Espanha. Os recipientes tinham um pequeno reservatório com xampu de verdade no gargalo para disfarçar.
Em Hong Kong, em 2023, as autoridades apreenderam 17 lençóis embebidos em cocaína líquida, que somavam dez quilos da droga. No caso da carga que saiu do Brasil, só os exames feitos na Alemanha vão mostrar qual técnica foi usada.
Operação Anticaspa prendeu dois investigados no Brasil
Depois de um mês de trabalho em sigilo, a PF deflagrou a Operação Anticaspa em 15 de setembro. Aline Morgado Cassaro, vista nas imagens acompanhando os produtos em Diadema, teve prisão temporária de 30 dias decretada.
Danilo de Oliveira também foi detido. Na casa dele, os policiais encontraram frascos do mesmo xampu e recipientes com ácido clorídrico, substância usada no refino da cocaína. A defesa de Danilo não foi localizada.
Motorista que retirou a carga era considerado foragido
O motorista Marcelo Andrade dos Passos, responsável por retirar a mercadoria da fábrica, estava foragido, segundo as informações divulgadas sobre o caso.
Aline já tinha aparecido em outra ocorrência com cocaína. Em 28 de julho, ela estava num carro abordado na Rodovia Presidente Dutra com 50 tabletes da droga. Na ocasião, o motorista disse que ela não sabia do material; ele ficou preso, e Aline foi liberada.
Defesa de Aline pede revogação da prisão temporária
A defesa de Aline Morgado Cassaro pediu a revogação da prisão temporária decretada na Operação Anticaspa. Os advogados afirmaram que vão provar a inocência da investigada.
Enquanto isso, a polícia alemã segue analisando os frascos da carga de 403 litros de xampu para descobrir como a cocaína foi escondida.
Na sua opinião, a Polícia Federal acertou ao deixar a carga de xampu com cocaína viajar até a Alemanha para chegar aos suspeitos, ou deveria ter barrado a remessa ainda em Guarulhos? Deixe sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

