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Cidades brasileiras precisam se preparar: Segundo estimativas da NOAA, ‘super El Niño’ pode intensificar secas, enchentes e ondas de calor em 2026
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 21/09/2026 às 16:28
Atualizado em 21/09/2026 às 16:42
Ciência e Tecnologia
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Com 95% de chance de atingir intensidade muito forte, o El Niño aquece o Pacífico e pode aumentar chuvas no Sul e Sudeste, enquanto o Norte enfrenta risco de seca e calor nos próximos meses
Os dados mais recentes das estimativas são preocupantes. O El Niño formado no Pacífico equatorial em 2026 tem 95% de probabilidade de atingir intensidade “muito forte” e 75% de chance de se tornar o mais intenso registrado desde 1950, segundo as estimativas mais recentes divulgadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa). O aquecimento das águas já ultrapassou 2 °C em parte do Pacífico leste e coloca diferentes regiões do Brasil diante de riscos de chuva excessiva, seca e ondas de calor.
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A Noaa anunciou no início de junho que o fenômeno havia se formado. E, quando o fenômeno ocorre? O El Niño ocorre quando a temperatura das águas na faixa equatorial do Pacífico permanece pelo menos 0,5 °C acima da média durante vários meses, acompanhada por alterações na circulação dos ventos alísios.
Desde então, o aquecimento avançou. Em julho, a anomalia de temperatura já superava 2 °C em grande parte da região leste do oceano Pacífico, próxima à América do Sul.
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Noaa estimou 95% de probabilidade de o evento alcançar a categoria “muito forte”, caracterizada no material pela manutenção de temperaturas mais de 2 °C acima da média nessa região.
A possibilidade de o aquecimento chegar perto de 3 °C e produzir o El Niño mais intenso desde 1950 foi calculada em 75%.
O cenário ocorre enquanto os oceanos também registram temperaturas elevadas. Segundo o programa europeu Copernicus, a temperatura média oceânica em julho chegou a 20,96 °C, a maior registrada nas últimas cinco décadas.
Pesquisadores citados no material avaliam que 2026 e 2027 poderão estar entre os anos mais quentes da história moderna, sob influência da combinação entre o El Niño e o aquecimento global.
“Super El Niño” não é uma classificação científica; especialista explica
José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explica que a classificação usada para o El Niño passa pelas categorias fraco, moderado, forte e muito forte.
O termo “super El Niño”, portanto, não integra essa classificação científica.
“Agora, além do aquecimento do Pacífico, temos como pano de fundo o aquecimento global. Ou seja, a soma dos dois processos. É por isso que surgem termos como ‘super El Niño’, embora eles não façam parte da classificação científica”, afirma Marengo.
Segundo o climatologista, uma atmosfera mais quente consegue armazenar mais umidade, criando condições para impactos mais intensos quando diferentes fatores climáticos se combinam.
O El Niño é um fenômeno natural recorrente, com ciclos que normalmente variam de dois a sete anos. Seus efeitos costumam ser mais perceptíveis entre o último trimestre de um ano e o início do seguinte.
Entre os episódios fortes documentados estão os de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
Sul pode receber mais chuva enquanto Norte enfrenta risco de seca
Se padrões observados em eventos anteriores se repetirem, a expectativa apresentada no material é de aumento das chuvas no Sul e no Sudeste do Brasil, enquanto o Norte poderá enfrentar condições mais secas.
Os impactos, porém, não dependem apenas do El Niño.
Marengo destaca que o fenômeno climático não deve ser tratado como causa isolada de um desastre. O tamanho das perdas também depende da vulnerabilidade das cidades, da ocupação territorial, da infraestrutura disponível e da capacidade de resposta do poder público.
O Rio Grande do Sul é citado como exemplo. Em maio de 2024, mais de 5,5 milhões de pessoas foram afetadas pelas grandes inundações no estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na avaliação de Marengo, o El Niño contribuiu para o contexto climático daquele período, mas a inundação de Porto Alegre não pode ser explicada apenas pelo fenômeno.
Ele lembra que o auge daquele El Niño havia ocorrido em janeiro e que, em maio, o evento já estava enfraquecendo.
As chuvas no Vale do Taquari, o deslocamento da água pelos rios até o Guaíba e problemas relacionados às comportas também fizeram parte do processo descrito pelo pesquisador.
Uma análise do WRI Brasil publicada em maio também apontou que o volume excepcional de chuva foi somente uma das partes do desastre.
O documento atribuiu importância à geomorfologia e ao modelo de ocupação territorial do estado, inclusive à presença de cidades construídas nas margens dos rios.
Governo mapeia risco climático nos 5.570 municípios
A necessidade de adaptação ganhou espaço na resposta aos extremos climáticos. Em julho, a plataforma federal AdaptaBrasil lançou o Painel Cidades, reunindo informações sobre ameaças, exposição e vulnerabilidade climática nos 5.570 municípios brasileiros.
São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre aparecem com risco muito alto de exposição a inundações, embora apresentem vulnerabilidade classificada como muito baixa.
Isso significa, segundo os parâmetros apresentados no material, que essas cidades estão fortemente expostas ao problema, mas possuem maior estrutura de recuperação, incluindo serviços de saúde e infraestrutura.
A situação muda em municípios com limitações estruturais.
São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, aparece com alta vulnerabilidade, associada a fatores como distância de rodovias, baixa cobertura de saneamento, renda e acesso à educação.
Belém, Rio Branco, Campo Grande e Manaus também aparecem entre cidades expostas a riscos relacionados ao estresse hídrico.
O professor Tercio Ambrizzi, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), chama atenção para os chamados eventos climáticos compostos, quando fenômenos diferentes acontecem simultaneamente ou em sequência.
“Com a seca, já há o favorecimento de uma onda de calor. Você junta os dois e acontecem simplesmente recordes extremos”, afirma.
O material cita ainda estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que contabilizou mais de 120 mil mortes no Brasil relacionadas às ondas de calor entre 2000 e 2019.
Cidades tentam ganhar espaço para absorver mais água
Em São Paulo, pesquisadores trabalham em soluções para aumentar a capacidade urbana de enfrentar inundações.
O Centro de Ciência para o Desenvolvimento – Cidades Resilientes a Inundações reúne o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), universidades, órgãos estaduais e outras instituições.
Segundo Filipe Falcetta, pesquisador em hidrologia urbana do IPT, áreas da cidade que ainda possuem espaços verdes apresentam mais possibilidades de adaptação, principalmente pela redução da impermeabilização do solo e pela criação de áreas capazes de facilitar o escoamento da água.
A periferia apresenta uma dificuldade adicional porque há menos espaço disponível para ampliar áreas verdes.
O projeto deverá começar com um plano-piloto voltado à resiliência contra inundações em São Paulo. Para Falcetta, algumas intervenções também podem ajudar no enfrentamento das ondas de calor ao ampliar a presença de vegetação na cidade.
No campo, o planejamento também pode ser ajustado às previsões climáticas. Ambrizzi afirma que produtores podem organizar plantio e colheita considerando períodos previstos de chuva ou seca, embora a possibilidade de adaptação dependa de fatores como disponibilidade de irrigação.
Para Marengo, impedir o El Niño não é uma possibilidade. A alternativa está em reduzir os danos nas regiões cuja exposição já é conhecida.
“Podemos gerenciar o risco de desastres gerados pelo El Niño, mas não podemos combater o fenômeno”, afirma.
Fontes: Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa), Copernicus, Cemaden, Organização Meteorológica Mundial (OMM), IBGE, WRI Brasil, AdaptaBrasil, IPT, IEE-USP e Fiocruz, conforme informações e declarações presentes no material-base fornecido.
Fonte
https://revistapesquisa.f
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

