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Servidor instalado ao lado de reservatório aquece água em casa de Londres e ajuda morador a reduzir até £15 por mês na conta
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 21/09/2026 às 22:09
Atualizado em 21/09/2026 às 22:10
Energia Renovável
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Um pequeno servidor aproveita o calor dos computadores para aquecer a água de uma residência, reduzir o uso do sistema convencional e transformar energia antes desperdiçada em economia doméstica
Abrir a torneira e receber água aquecida por um computador já faz parte da rotina de Giles Gibson. Em sua casa no sudeste de Londres, um pequeno servidor foi instalado junto ao reservatório de água quente e passou a transferir para o recipiente o calor produzido durante o processamento de tarefas digitais.
A instalação ocorreu em 2025. Gibson estima que a despesa com água quente em sua residência de quatro quartos caiu entre £10 e £15 por mês, valor equivalente a 10 e 15 libras esterlinas. A apuração foi publicada pelo The Guardian, jornal britânico de notícias com cobertura internacional, em 19 de setembro de 2026.
O valor representa a experiência de um único morador e não uma economia garantida para qualquer residência. O resultado depende da quantidade de trabalho enviada ao servidor, do consumo de água quente e das características do sistema já existente na casa.
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Servidor aquece a água enquanto realiza tarefas de computação
Todo computador produz calor quando está em funcionamento. Em instalações convencionais, ventiladores e sistemas de refrigeração retiram essa energia do equipamento e a liberam no ambiente. Na casa de Gibson, o calor não é simplesmente jogado fora.
O equipamento fornecido pela empresa Heata recebe tarefas de computação pela internet. Enquanto executa esses trabalhos, o servidor esquenta e transfere a energia térmica para o reservatório. A capacidade de processamento da unidade equivale a aproximadamente oito computadores portáteis.
Na prática, o servidor desempenha duas funções ao mesmo tempo. Ele processa informações para os clientes da empresa e ajuda a aquecer a água da casa, aproveitando uma energia que normalmente exigiria controle e resfriamento em um grande centro de dados.
Equipamento fica preso ao reservatório e não exige mudança no encanamento
A unidade é colocada na parte externa do reservatório. Durante a instalação, os técnicos abrem um espaço na camada de isolamento que envolve o recipiente e fixam o equipamento diretamente na superfície com uma pasta capaz de conduzir calor.
Esse contato permite que a energia passe do servidor para o reservatório. Nenhum tubo precisa ser cortado ou desviado, pois a transferência acontece pela parede do recipiente. A instalação leva algumas horas e não tem custo para o morador.
A Heata paga a eletricidade consumida pelo servidor. O proprietário da residência fornece a conexão de internet por fibra, necessária para receber e enviar as tarefas de computação. Nesse arranjo, a empresa mantém o computador ligado e a casa recebe parte do calor produzido.
Economia de até £15 por mês não vale como promessa para todas as casas
O sistema começou a funcionar na residência de Giles Gibson em 2025. Desde então, ele calcula uma redução mensal entre £10 e £15 nos gastos com água quente. Ao longo de um ano, a diferença pode ganhar peso no orçamento, embora o valor varie de uma casa para outra.
O The Guardian, jornal britânico de notícias com cobertura internacional, registrou que a casa possui quatro quartos. O tamanho do imóvel ajuda a contextualizar o relato, pois a necessidade de água quente muda com o número de moradores, os hábitos de consumo e a estrutura da residência.
A empresa pretende fornecer cerca de 80% do calor necessário para a água quente de uma casa. Essa é uma meta do sistema, não uma garantia permanente. Em momentos de maior demanda, como durante um banho de banheira, o aquecedor principal ainda pode precisar entrar em funcionamento.
Aquecedor convencional continua necessário nos momentos de maior consumo
O servidor não deve ser entendido como substituto completo e automático do aquecimento doméstico. Sua função é elevar a temperatura da água e reduzir o esforço exigido do equipamento principal. Assim, a caldeira ou outro sistema compatível trabalha menos para chegar à temperatura desejada.
Essa diferença é importante porque evita uma promessa maior do que a tecnologia pode entregar. A água recebe calor enquanto o computador trabalha, mas a produção varia com a carga de processamento e pode não acompanhar todos os picos de consumo da família.
O principal ganho está no uso duplo da mesma eletricidade. Em vez de alimentar um servidor e depois gastar mais energia para retirar o calor produzido, o sistema encaminha essa energia para uma finalidade doméstica útil.
Tecnologia atende apenas determinados reservatórios de água
A solução descrita não serve para qualquer residência. A versão disponível funciona em reservatórios ventilados e sem pressão, um tipo de equipamento encontrado em milhões de casas britânicas. Esses recipientes costumam ter uma camada azul de isolamento na parte externa.
O sistema não é indicado para casas com caldeira combinada, equipamento que aquece a água diretamente quando a torneira é aberta e não utiliza um reservatório convencional. Uma versão destinada a recipientes fechados e pressurizados ainda está em desenvolvimento.
Essa limitação impede comparar a instalação britânica diretamente com qualquer chuveiro, aquecedor ou reservatório usado no Brasil. Antes de imaginar uma aplicação semelhante, seria necessário verificar o tipo de recipiente, a forma de aquecimento e a compatibilidade técnica.
Também não se trata de uma adaptação improvisada feita pelo morador. O equipamento integra uma operação comercial, recebe tarefas controladas pela empresa e é instalado por profissionais junto ao sistema doméstico existente.
Heata já mantém unidades em 100 residências e tem 3 mil interessados
Em setembro de 2026, a Heata mantinha equipamentos em 100 residências. A lista de espera reunia 3 mil pessoas, enquanto centenas de novas instalações estavam previstas para o ano seguinte.
O interesse mostra como o calor gerado pela computação pode deixar de ser tratado apenas como um problema de refrigeração. Distribuir pequenos servidores por residências cria pontos próximos de consumo, nos quais a energia térmica pode ser aproveitada sem precisar percorrer grandes distâncias.
Ainda assim, a expansão depende de casas compatíveis, conexão por fibra e disponibilidade de tarefas para manter os servidores ocupados. O modelo precisa combinar a demanda das empresas por processamento com a necessidade doméstica de água aquecida.
A experiência de Giles Gibson apresenta uma aplicação concreta para o calor dos computadores. O servidor ajuda a aquecer a água, diminui a carga do sistema convencional e pode reduzir despesas, mas o resultado varia e depende de condições específicas.
O caso também mostra por que a tecnologia não deve ser apresentada como solução universal. Ela funciona em determinados reservatórios, preserva a necessidade de um aquecedor principal e exige uma operação profissional por trás do equipamento.
Você instalaria um servidor junto ao reservatório para aproveitar o calor dos computadores? Compartilhe a matéria e conte nos comentários o que pensa sobre essa forma de reduzir o desperdício de energia.
Fonte
The Guardian
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

