Faça um comentário
5 min de leitura
Arqueólogos encontram mesquita de 1.300 anos em antigo polo de ouro, prata e cobre na Arábia Saudita, com inscrição que invoca bênçãos sobre o profeta Muhammad em Al-Baha
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 22/09/2026 às 06:57
Atualizado em 22/09/2026 às 06:58
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Construída com blocos de granito e datada do primeiro século do calendário islâmico, a mesquita descoberta em Al Maallamah mede cerca de 16 por 10 metros e preserva inscrição dedicada ao profeta Muhammad.
Uma mesquita construída há mais de 1.300 anos reapareceu em meio às ruínas de Al Maallamah, na região saudita de Al-Baha, durante a quarta temporada de escavações no sítio. O edifício de granito, com mihrab, acessos e vestígios de minarete, surgiu em um antigo centro ligado à extração e ao processamento de ouro, prata e cobre.
A descoberta foi anunciada pela Heritage Commission da Arábia Saudita e ganhou destaque por reunir, no mesmo local, arquitetura religiosa, inscrições, áreas residenciais e vestígios de atividades econômicas. A mesquita fica no lado oeste da zona habitacional do sítio e foi atribuída ao primeiro século da era islâmica, período correspondente ao século VII ou ao início do VIII d.C.
Segundo as informações divulgadas sobre a escavação, as paredes da mesquita se estendem por aproximadamente 16 metros no sentido norte-sul e 10 metros no sentido leste-oeste. O edifício foi erguido com pedras de granito aparelhadas e apresenta um desenho simples, mas organizado, com mihrab voltado à direção da oração, entradas e vestígios de um minarete.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Inscrição preservada na parede menciona o profeta Muhammad
Um dos pontos mais relevantes do achado está nas inscrições árabes preservadas nas paredes. Entre elas, os pesquisadores identificaram uma oração que invoca bênçãos sobre o profeta Muhammad, transformando a estrutura em um registro material da prática religiosa dos primeiros séculos do Islã na região.
A inscrição foi encontrada na parede da qibla, área orientada para Meca. A Heritage Commission destacou que a permanência desse texto no contexto arquitetônico permite relacionar diretamente o conteúdo religioso ao uso original do edifício, em vez de tratar a peça como um objeto isolado ou deslocado.
Além da inscrição, a própria organização da mesquita ajuda a reconstruir seu funcionamento. O mihrab indicava a direção da oração, enquanto os acessos e o espaço interno sugerem uma construção planejada para uso coletivo. A combinação desses elementos fornece um retrato raro da arquitetura religiosa implantada em um assentamento ligado à mineração.
O sítio de Al Maallamah também preserva salas de pedra construídas ao redor da mesquita. Os arqueólogos interpretam parte desses ambientes como áreas de apoio social e comercial, com espaços de armazenamento, reservatórios e elementos estruturais executados segundo técnicas locais de construção.
Antigo polo minerador produzia ouro, prata e cobre
Al Maallamah não era apenas um núcleo religioso. Evidências reunidas em diferentes campanhas arqueológicas mostram que o local esteve ligado à extração e ao processamento de ouro, prata e cobre. Análises de amostras orgânicas coletadas em temporadas anteriores indicaram que a atividade mineradora já existia antes do período islâmico e se expandiu entre o fim do século VI e o século IX.
O desenvolvimento da mineração ajudou a formar diferentes tipos de ocupação no entorno. Havia áreas de extração superficial, assentamentos temporários, centros de fundição e núcleos econômicos capazes de reunir trabalhadores, artesãos e comerciantes. A presença da mesquita dentro desse ambiente reforça a ideia de uma comunidade já estruturada em torno de atividades produtivas e religiosas.
As escavações também recuperaram objetos associados à rotina dos habitantes. Entre eles estão fragmentos de recipientes de pedra-sabão e cerâmica, ferramentas de pedra, pilões e partes de pedras de moagem usadas no processamento de grãos. Esses materiais permitem observar tarefas domésticas e artesanais que aconteciam paralelamente às atividades de mineração.
A vista aérea da escavação revela que a mesquita estava integrada a um conjunto maior de construções. Paredes baixas delimitam salas e corredores próximos ao espaço principal, evidenciando que o edifício religioso não existia de forma isolada. O sítio funcionava como um núcleo de ocupação com diferentes funções reunidas no mesmo espaço.
Descoberta amplia registro dos primeiros séculos do Islã na região
A localização em Al-Baha acrescenta importância ao achado. Situada no sudoeste da Arábia Saudita, a região reúne rotas históricas, áreas de mineração e antigos assentamentos que conectavam diferentes comunidades da Península Arábica. A nova mesquita oferece um ponto de referência cronológico para estudar a consolidação de práticas religiosas e urbanas nessa paisagem.
Para os arqueólogos, a presença conjunta de arquitetura, inscrições e objetos cotidianos torna Al Maallamah especialmente útil para interpretar a transição entre ocupações pré-islâmicas e os primeiros séculos do período islâmico. Em vez de um monumento isolado, o local preserva sinais de uma comunidade que trabalhava, armazenava alimentos, processava minerais e mantinha espaços de culto.
A Heritage Commission informou que continuará realizando levantamentos e escavações em diferentes áreas do país, além de ampliar os métodos de documentação e proteção dos sítios arqueológicos. Em Al Maallamah, novas etapas de pesquisa poderão esclarecer a cronologia das construções adjacentes e a relação entre a mesquita, as áreas residenciais e as instalações ligadas à mineração.
O achado mostra como uma estrutura de apenas 16 por 10 metros pode concentrar informações sobre religião, economia e vida cotidiana há mais de treze séculos. A inscrição preservada, os blocos de granito, as salas vizinhas e os vestígios de mineração agora ajudam a reconstruir uma comunidade que prosperou em torno de metais valiosos no sudoeste da atual Arábia Saudita.
A descoberta de uma mesquita tão antiga dentro de um polo de ouro, prata e cobre chama atenção pela combinação pouco comum entre fé e atividade econômica. Se esse tipo de achado arqueológico desperta sua curiosidade, compartilhe a matéria e deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

