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Município brasileiro prepara fábrica de R$ 45,6 milhões para transformar energia renovável em hidrogênio e produzir 2 mil toneladas de amônia verde por ano
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 22/09/2026 às 22:15
Atualizado em 22/09/2026 às 22:20
Energia Renovável
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Passo Fundo terá fábrica de R$ 45,6 milhões para produzir 2 mil toneladas anuais de amônia verde a partir de hidrogênio e energia renovável.
Segundo o Planalto RS 24 Horas, que voltou ao projeto em 21 de setembro de 2026 ao detalhar a estratégia de transição energética de Passo Fundo, a cidade gaúcha prepara uma fábrica capaz de transformar eletricidade renovável em hidrogênio de baixo carbono e, depois, usar esse gás para produzir amônia. O contrato já assinado entre Prefeitura, Begreen Bioenergia e Fertilizantes Sustentáveis e Fundação Universidade de Passo Fundo prevê R$ 45,63 milhões em investimentos e capacidade próxima de 2 mil toneladas de amônia verde por ano.
A planta ficará dentro do Campus I da Universidade de Passo Fundo, junto ao Cepagro, colocando uma tecnologia normalmente associada a grandes polos industriais no meio de uma das regiões agrícolas mais importantes do Rio Grande do Sul.
Mais de R$ 41 milhões irão direto para máquinas e equipamentos
Boa parte dos R$ 45,63 milhões não será consumida por terreno ou estruturas administrativas. Mais de R$ 41 milhões estão reservados para equipamentos, segundo o contrato divulgado pela Prefeitura.
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O restante cobre obras civis, instalações, engenharia, projetos e tecnologia. A unidade será implantada em uma área pertencente à Fundação Universidade de Passo Fundo, dentro do Campus I.
A escolha aproxima fábrica, pesquisadores e formação de mão de obra. O Cepagro, Centro de Extensão e Pesquisa Agropecuária, fica no mesmo ambiente em que a produção deverá acontecer.
Eletricidade renovável será usada para retirar hidrogênio da água
O processo começa antes da amônia aparecer. A planta deverá utilizar energia renovável para alimentar a eletrólise da água. Dentro de um equipamento chamado eletrolisador, a eletricidade separa as moléculas de água e libera hidrogênio.
Depois vem o nitrogênio.
Esse elemento é retirado do ar e combinado ao hidrogênio para produzir amônia, cuja fórmula química é NH3. O projeto da Begreen pretende fazer esse caminho sem depender do modelo convencional baseado principalmente em hidrogênio obtido de combustíveis fósseis.
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É aí que eletricidade renovável começa a virar insumo agrícola.
A fábrica deverá produzir cerca de 2 mil toneladas por ano
Quando estiver em operação, a capacidade projetada será de aproximadamente 2 mil toneladas anuais de amônia verde.
Não é uma escala comparável às grandes plantas internacionais de fertilizantes, que podem produzir centenas de milhares ou milhões de toneladas. Passo Fundo segue outro caminho.
A proposta é descentralizar parte da fabricação e colocar a produção mais perto do mercado consumidor.
Desde as primeiras versões do projeto, a Universidade de Passo Fundo apontava agricultores do norte gaúcho como público inicial da unidade.
O tamanho menor permite testar outra lógica industrial: fabricar o insumo perto de onde ele será usado.
Passo Fundo está cercada pelo mercado que poderá consumir a produção
A localização não aconteceu por acaso. O norte do Rio Grande do Sul reúne produção de soja, milho, trigo e outras culturas que usam fertilizantes nitrogenados. A amônia é uma das matérias-primas fundamentais dessa cadeia.
Hoje, o problema brasileiro começa bem antes da propriedade rural.
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O Ministério da Agricultura informa que mais de 80% dos fertilizantes utilizados no Brasil são importados. O país é o quarto maior consumidor mundial desses insumos e responde por aproximadamente 8% do consumo global.
Uma fábrica de 2 mil toneladas não muda sozinha essa dependência. Mas coloca a tecnologia exatamente onde existe demanda.
Brasil continua vulnerável ao preço dos fertilizantes lá fora
Segundo o Banco Central, os fertilizantes nitrogenados responderam por cerca de um terço das importações brasileiras de fertilizantes naquele ano. Rússia, China e Oriente Médio tiveram participação relevante no fornecimento total ao país.
Essa dependência deixa o produtor exposto a câmbio, preço do gás natural, frete marítimo, guerras e interrupções logísticas.
Quando uma rota internacional fica mais cara, o impacto pode atravessar oceanos e chegar ao custo de plantar uma lavoura no interior brasileiro.
A estratégia da Begreen tenta encurtar parte desse caminho.
Governo federal acaba de criar incentivo para produzir mais fertilizantes no Brasil
A fábrica gaúcha também começa a avançar num momento em que Brasília tenta reduzir a dependência externa.
Em 3 de setembro de 2026, foi sancionada a Lei nº 15.496, que instituiu o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, o Profert.
A própria lei coloca entre seus objetivos reduzir a dependência brasileira de fertilizantes e matérias-primas importadas, aumentar a segurança do abastecimento e diminuir custos da cadeia agropecuária.
Passo Fundo seguirá seu cronograma próprio, mas o ambiente mudou.
Produzir fertilizante dentro do país voltou ao centro da política industrial brasileira.
Obras estão previstas para fevereiro de 2027
O contrato já existe. A fábrica ainda não. A previsão atual é começar as obras em fevereiro de 2027, com aproximadamente 15 meses de execução. Esse calendário continua condicionado às licenças, autorizações e demais exigências técnicas previstas para o empreendimento.
Versões anteriores do projeto trabalharam com datas mais próximas. Conforme licenciamento, contratos e estruturação avançaram, o calendário foi sendo atualizado.
Hoje, fevereiro de 2027 é a referência divulgada oficialmente.
Licenciamento ambiental já começou a abrir caminho
A Begreen não parte do zero na área ambiental. Balanço da Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul, a Fepam, registra a emissão de licença prévia para uma unidade da empresa em Passo Fundo destinada à produção de amônia verde e hidróxido de amônio verde.
Licença prévia não equivale a autorização para ligar a fábrica.
Ela faz parte de uma sequência. Novas etapas ambientais e técnicas precisam ser cumpridas antes da construção e operação, conforme o enquadramento do empreendimento.
O contrato assinado em agosto também mantém essas condicionantes.
Cerca de 40 empregos devem surgir durante a implantação
O canteiro deverá movimentar aproximadamente 40 empregos diretos e indiretos durante a construção.
Depois que a fábrica entrar em operação, a projeção é de outros 13 postos permanentes. A empresa assumiu ainda o compromisso de priorizar, sempre que possível, trabalhadores e fornecedores de Passo Fundo.
Os números não são enormes para uma cidade do porte de Passo Fundo. A diferença está no tipo de qualificação que a atividade exige.
Operar eletrolisadores, sistemas químicos, equipamentos de controle e uma planta de amônia abre demanda por profissionais ligados a química, engenharia, automação, energia e manutenção industrial.
Universidade será vizinha da linha de produção
A fábrica ficará literalmente dentro do ambiente universitário. A UPF participa do projeto também pela formação profissional e pelas pesquisas ligadas ao uso da amônia e de fertilizantes de menor intensidade de carbono.
O plano é aproximar laboratório, campo e indústria.
A universidade já vinha testando formulações e aplicações agrícolas associadas à iniciativa, enquanto o UPF Parque e o TecnoAgro ajudam a conectar a empresa com pesquisa e desenvolvimento.
Isso permite que uma pergunta saia da bancada e chegue rapidamente à lavoura: como usar o produto de forma eficiente nas condições do solo gaúcho?
Begreen planeja levar o modelo para outras cidades brasileiras
Passo Fundo é apenas uma parte do desenho original da empresa. A Begreen já trabalhou com projetos de unidades em Tio Hugo e Condor, também no Rio Grande do Sul.
Em planejamento anterior apresentado pela UPF, as três fábricas somariam cerca de R$ 150 milhões em investimentos e capacidade anual de aproximadamente 8 mil toneladas de amônia.
A companhia também afirma que pretende replicar plantas semelhantes em outras regiões brasileiras.
Esse modelo é bem diferente dos megahubs de hidrogênio planejados em portos como Pecém e Açu.
Em vez de produzir milhões de toneladas pensando principalmente em exportação, fábricas menores podem nascer perto dos consumidores.
Passo Fundo tenta montar uma cadeia que vai além da amônia
A atualização divulgada em 21 de setembro mostra que o município não olha para a fábrica como um projeto isolado.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Adolfo de Freitas, colocou a produção de amônia verde, hidrogênio, biometano e etanol entre os eixos relacionados à transição energética que estão em estudo ou implantação em Passo Fundo.
A cidade tem uma vantagem prática para esse tipo de estratégia.
Existe agroindústria ao redor, produção de biomassa, demanda por combustíveis e fertilizantes e uma universidade capaz de participar do desenvolvimento tecnológico.
Não é preciso criar o mercado consumidor do zero.
Ele já está ali.
O primeiro desafio será transformar contrato em produção contínua
R$ 45,63 milhões estão previstos. O contrato foi formalizado. Há local definido, incentivos aprovados e capacidade anunciada.
Agora começa a parte física.
Equipamentos precisam ser comprados, infraestrutura preparada e licenças concluídas. Depois vêm montagem, testes, comissionamento e a tarefa mais difícil de qualquer nova tecnologia industrial: produzir todos os dias dentro do custo planejado.
Se o cronograma atual for mantido, as obras começam em fevereiro de 2027 e devem consumir cerca de 15 meses.
Só então a eletricidade renovável poderá entrar de um lado da instalação, separar o hidrogênio da água e terminar o processo na forma de amônia produzida no interior do Rio Grande do Sul.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

