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Novo caminhão elétrico da Scania chega a 720 km de autonomia e aposta em recarga de megawatts para reduzir paradas nas estradas
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 23/09/2026 às 11:15
Atualizado em 23/09/2026 às 11:21
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Nova configuração mira justamente as rotas de longa distância, combina baterias no chassi e atrás da cabine e pode reduzir o consumo energético em até 3% com mudanças aerodinâmicas
A Scania apresentou uma nova solução para atacar um dos maiores obstáculos à eletrificação do transporte rodoviário pesado: percorrer longas distâncias sem transformar as paradas para recarga em um problema operacional. A fabricante afirma que sua nova configuração pode alcançar até 720 quilômetros de autonomia elétrica, dependendo das condições de uso. Para chegar a esse número, a empresa instalou baterias adicionais atrás da cabine, preparou o caminhão para carregamento MCS e redesenhou elementos aerodinâmicos, conforme comunicado publicado pela Scania em 14 de setembro de 2026.
Scania coloca 356 kWh de baterias atrás da cabine para levar caminhão elétrico a até 720 km
Nos caminhões elétricos de longa distância, aumentar simplesmente o tamanho da bateria pode criar outros problemas. Afinal, mais baterias ocupam espaço, acrescentam peso e podem reduzir a carga útil disponível para a transportadora.
Por isso, a Scania adotou uma configuração que distribui os módulos em diferentes partes do veículo. Além das baterias instaladas no chassi, a fabricante pode colocar dois módulos adicionais atrás da cabine.
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Em uma configuração típica, esses módulos acrescentam aproximadamente 356 kWh de capacidade instalada. Dessa forma, a empresa amplia a quantidade de energia disponível sem depender exclusivamente do espaço existente no chassi.
Com essa arquitetura, determinadas configurações podem alcançar até 720 km de autonomia. Entretanto, a própria Scania ressalta que o resultado depende da configuração escolhida e das condições reais da operação.
Portanto, os 720 quilômetros representam o alcance máximo divulgado pela fabricante, e não uma distância garantida para qualquer rota, peso transportado ou condição climática.
A estratégia coloca a Scania em uma disputa cada vez mais intensa entre fabricantes de veículos pesados. Recentemente, a Volvo também levou à produção um caminhão elétrico capaz de alcançar até 700 km de autonomia, mostrando como as empresas começam a avançar sobre trajetos que durante anos permaneceram fortemente dependentes do diesel.
Recarga MCS em escala de megawatts tenta resolver outro problema das viagens longas
Aumentar a autonomia resolve apenas uma parte da equação. Para uma transportadora, também importa quanto tempo o veículo precisa permanecer parado até recuperar energia suficiente para continuar trabalhando.
Por isso, a nova solução da Scania foi desenvolvida para suportar o MCS, sigla para Megawatt Charging System. A tecnologia trabalha com potências muito superiores às encontradas em carregadores convencionais e busca permitir paradas mais curtas e produtivas.
Na prática, a estratégia tenta aproximar a recarga das pausas que já fazem parte da operação rodoviária. Entretanto, a fabricante não informa no comunicado um tempo único de carregamento para recuperar toda a bateria.
Isso acontece porque o resultado depende da configuração do veículo, da capacidade instalada, da potência disponível no ponto de recarga e das condições da bateria. Assim, seria incorreto transformar a compatibilidade com MCS em uma promessa de determinado tempo de carregamento sem dados adicionais.
A infraestrutura também passa a ter papel decisivo. Afinal, preparar um caminhão para receber energia em escala de megawatts não significa que carregadores dessa potência estarão disponíveis em todas as rotas.
Além disso, a eletrificação dos pesados avança em outras frentes. Fabricantes e empresas de tecnologia já desenvolvem caminhões elétricos capazes de operar sem motorista em condições específicas, ampliando a transformação tecnológica que começa a atingir transporte rodoviário, terminais logísticos e portos.
Nova frente reduz resistência do ar e pode cortar consumo energético em até 3%
A Scania também trabalhou na aerodinâmica. A nova frente segue a regulamentação europeia de dimensões aumentadas de veículos, conhecida pela sigla IVD, e permite que o conjunto ultrapasse 16,5 metros de comprimento total.
Segundo a fabricante, essa configuração mantém a compatibilidade prática com semirreboques e preserva a manobrabilidade, mesmo com a arquitetura desenvolvida para maximizar a autonomia.
Além disso, a nova frente pode proporcionar até 3% de redução no consumo energético dos veículos elétricos a bateria. Novamente, porém, o percentual varia conforme a especificação e o tipo de operação.
A aerodinâmica ganha importância justamente porque a resistência do ar representa uma parcela relevante do consumo de energia em velocidades rodoviárias. Consequentemente, reduzir essa resistência permite aproveitar melhor cada kWh armazenado nas baterias.
A fabricante também apresentou o Scania Dynamic, atualização das séries R e S que incorpora mudanças aerodinâmicas, retrovisores digitais, pilares A redesenhados, extensões nas saias laterais e novos puxadores integrados. Nesse conjunto mais amplo de melhorias, a Scania informa redução de até 2% no consumo total de energia, dependendo da configuração e da utilização.
No caso específico da solução elétrica de longa distância combinada à nova frente, a empresa divulga potencial de economia energética de até 3%.
Disputa dos caminhões elétricos deixa as cidades e começa a avançar sobre rotas antes dominadas pelo diesel
Durante os primeiros anos da eletrificação dos veículos pesados, rotas urbanas e regionais ofereciam condições mais favoráveis. Nesses trajetos, o caminhão conseguia retornar ao depósito regularmente e seguir uma rotina previsível de carregamento.
As viagens de longa distância apresentam outro desafio. Além de transportar cargas pesadas, o veículo precisa percorrer centenas de quilômetros e recuperar energia sem comprometer a produtividade.
É justamente nessa combinação que a Scania concentra sua nova solução. A fabricante reúne até 720 km de autonomia, aproximadamente 356 kWh adicionais atrás da cabine, suporte ao carregamento MCS e ganhos aerodinâmicos de até 3%.
Entretanto, esses números não significam que a substituição do diesel esteja resolvida. A viabilidade econômica continuará dependendo da carga útil, da rota, do preço da eletricidade, da disponibilidade de carregadores de alta potência e do tempo necessário para recuperar a bateria.
A novidade mostra, porém, uma mudança importante na indústria. Em vez de limitar os caminhões elétricos às operações de curta distância, fabricantes agora tentam adaptá-los justamente às rotas mais exigentes.
Assim, os 720 quilômetros anunciados pela Scania representam menos uma promessa de autonomia universal e mais uma tentativa de eliminar uma das barreiras que ainda separam os caminhões movidos a bateria das grandes viagens rodoviárias.
Fonte
Scania
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

