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Com até 150 metros de profundidade, as cavernas deixaram marcas no chão que mal aparecem para quem passa pela região
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 23/09/2026 às 23:14
Atualizado em 23/09/2026 às 23:15
Ciência e Tecnologia
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Valas que parecem antigos leitos de rios foram formadas pelo desabamento de cavernas na planície de Nullarbor, na Austrália. Algumas cavernas da região chegam a 150 metros abaixo da superfície.
Valas quase imperceptíveis na planície de Nullarbor, no sul da Austrália, são sinais do colapso de antigos sistemas subterrâneos, segundo um estudo publicado em setembro. As cavernas profundas da região podem alcançar 150 metros abaixo da superfície.
O que existe sob as valas
As depressões analisadas se estendem por vários quilômetros. Em geral, medem de 100 a 500 metros de largura, mas têm menos de nove metros de profundidade. Vistas do chão, podem parecer antigos canais por onde correu água.
A reportagem publicada pela ScienceAlert em 21 de setembro descreveu a relação entre essas marcas discretas e os sistemas de cavernas da planície. A conclusão vem de um estudo publicado quatro dias antes na revista Communications Earth & Environment.
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Os pesquisadores examinaram cinco valas. Entre elas estão Koonalda, com cerca de 22 quilômetros de extensão, e Yangoonabie, com aproximadamente 28 quilômetros. Modelos digitais com o relevo ampliado ajudaram a distinguir depressões difíceis de perceber na paisagem.
A equipe também reuniu registros de cavernas, análises de sedimentos e levantamentos geofísicos. O conjunto das evidências indica que o terreno acima de antigos condutos subterrâneos cedeu gradualmente, deixando marcas longas e rasas na superfície.
Por que os pesquisadores descartam antigos rios
Uma vala extensa pode lembrar o leito de um rio. Nas cinco áreas estudadas, porém, os pesquisadores não encontraram uma rede de drenagem conectada nem sinais de transporte de sedimentos corrente abaixo que sustentassem essa explicação como origem principal.
As depressões também começam e terminam de forma abrupta. Segundo o estudo, elas não apresentam áreas de captação e afluentes compatíveis com canais fluviais. Seus sedimentos se tornam mais finos nas camadas mais profundas.
A tomografia de resistividade elétrica mostrou zonas extensas sob as valas, diferentes do calcário mais compacto ao redor. Essas zonas prosseguem além dos aproximadamente 30 a 70 metros alcançados pelos levantamentos; a medição, portanto, não determinou sua profundidade total.
Medições sísmicas feitas em Koonalda apontaram material relativamente menos consolidado ou mais fraturado sob o eixo da vala. Os resultados são compatíveis com os obtidos pela resistividade elétrica, segundo os autores.
Cavernas conhecidas ajudam a explicar o colapso
Em certos pontos, a ligação com as cavernas pode ser observada diretamente. A caverna de Koonalda, por exemplo, prolonga-se por cerca de um quilômetro no subsolo ao norte da vala de mesmo nome.
Dentro dessa vala, uma abertura na caverna Clay Dam expõe aproximadamente 20 metros de terreno afetado pelo colapso. As camadas deformadas e os sedimentos visíveis ali correspondem à estrutura indicada pelo levantamento geofísico.
Nos penhascos próximos à costa, a equipe identificou outras áreas com camadas arqueadas ou rebaixadas, rochas fraturadas e cavernas. Algumas dessas zonas de colapso ultrapassam 100 metros de largura.
As cavernas profundas conhecidas de Nullarbor se estendem entre 50 e 150 metros abaixo da superfície. A água subterrânea abriu passagens no calcário ao longo da história geológica da região. Depois, com a queda do nível da água, parte dos tetos perdeu sustentação e começou a ceder.
Esse processo não precisa produzir uma abertura evidente no chão. Na porção oeste estudada, aparecem depressões de colapso mais diretamente ligadas a cavernas. A leste, as valas são mais largas e contínuas, embora a superfície permaneça pouco marcada.
O que o estudo permite investigar
A planície de Nullarbor ocupa mais de 200 mil quilômetros quadrados e está exposta ao intemperismo há mais de 14 milhões de anos. Sua estabilidade ajudou a preservar sinais discretos das mudanças ocorridas no subsolo.
Os autores propõem usar a combinação de depressões lineares, ausência de drenagem integrada e evidências geofísicas para procurar sistemas semelhantes em outras áreas secas. A forma de uma vala, isoladamente, não comprova a presença de uma caverna.
O estudo também apresenta Nullarbor como referência para interpretar depressões em superfícies rochosas de outros mundos, como Marte. Essa é uma aplicação possível dos critérios geológicos: a pesquisa examinou valas australianas, não confirmou cavernas em outros planetas.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

