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Transição energética e IA transformam a indústria, e SENAI prepara nova geração de profissionais STEM
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 24/09/2026 às 14:17
Atualizado em 24/09/2026 às 14:53
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Na ROG.e 2026, IBP e SENAI colocam no centro do debate um problema que começa antes das novas tecnologias chegarem às empresas: quem estará preparado para trabalhar com elas?
A transição energética está mudando a indústria por vários caminhos ao mesmo tempo. Não é apenas uma discussão sobre energia solar, eólica, biocombustíveis ou novas fontes. Dentro das próprias operações, a IA, a automação, a análise de dados e os sistemas digitais começam a alterar processos que durante décadas dependeram de estruturas de trabalho bem mais tradicionais.
Essa mudança já aparece na estratégia das maiores empresas do setor. Durante a própria ROG.e, a Petrobras reconheceu que precisará ampliar sua atuação em energias renováveis até 2050 para acompanhar o crescimento da demanda brasileira por energia.
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A tecnologia já chegou. Agora falta formar gente na mesma velocidade.
Antonio Angelo Nascimento | SENAI-CNI
Isabel Waclawek | SENAI-SP
Roberta Mendes | Petrobras
Vinicius Machado | Petrobras
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Esse é um dos pontos centrais da mudança. Porque não adianta instalar sistemas avançados, sensores, plataformas digitais e ferramentas de IA se faltarem profissionais preparados para interpretar, operar e melhorar tudo isso.
Foi justamente essa discussão que apareceu durante a ROG.e 2026, no painel “Energia em Transformação – Formando a Próxima Geração STEM”, realizado na arena Innovation Connections. O Click Petróleo e Gás acompanhou o debate e conversou com Beatriz Pelosi, do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), e Angelo Nascimento, do SENAI Nacional.
No centro da conversa estava uma pergunta que parece simples, mas não é: como aproximar os jovens das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática em uma indústria que muda numa velocidade maior do que muitos currículos conseguem acompanhar?
O problema não está no futuro. Ele já começou.
Transição energética exige profissionais preparados antes mesmo das novas tecnologias chegarem
STEM é a sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Na prática, o termo reúne algumas das áreas que devem ganhar ainda mais espaço dentro de uma indústria onde equipamentos pesados convivem, cada vez mais, com software, IA, sensores, automação e processamento de grandes volumes de dados.
Parte dessas mudanças já saiu do campo teórico. Durante a ROG.e 2026, pesquisadores apresentaram novas tecnologias desenvolvidas para resolver problemas reais da indústria de petróleo e gás, incluindo soluções aplicadas a operações offshore, tratamento de água, resíduos e hidrogênio.
Beatriz Pelosi, do IBP, chamou atenção para a necessidade de olhar agora para a formação das próximas gerações. Não daqui a dez anos, quando muitas dessas tecnologias já estiverem espalhadas pelas operações.
Esperar demais pode sair caro.
Esse talvez seja um dos aspectos menos visíveis da transição energética. Uma empresa pode investir bilhões em infraestrutura, tecnologia e novos projetos, mas ainda depender de pessoas capazes de transformar esse investimento em operação de verdade.
E não se trata apenas de convencer um adolescente a escolher engenharia ou fazer um curso técnico. O desafio é mostrar onde essas carreiras podem levar e por que uma indústria vista por muitos como tradicional está ficando cada vez mais tecnológica.
O petróleo e gás continua precisando de engenheiros, técnicos e especialistas em diferentes disciplinas. Só que esse universo aumentou bastante nos últimos anos.
O perfil profissional também mudou. E mudou rápido.
Tecnologia da informação, análise de dados, automação, IA e competências ligadas à transição energética começam a dividir espaço com profissões que fazem parte da indústria há décadas.
Não é uma substituição simples. É uma mistura.
SENAI coloca formação profissional no centro dessa transformação
Do outro lado desse processo aparece uma questão bem concreta: quem vai preparar esses profissionais antes que eles cheguem às empresas?
Em entrevista ao Click Petróleo e Gás, Angelo Nascimento, do SENAI Nacional, falou sobre o papel da educação profissional na formação dessa nova geração e sobre a necessidade de acompanhar uma indústria que não espera o calendário das instituições de ensino para mudar.
A indústria não para para esperar o currículo ser atualizado.
Esse descompasso pode parecer pequeno olhando de fora, mas dentro de uma fábrica, refinaria, estaleiro ou operação offshore ele pesa bastante. Uma nova tecnologia pode mudar funções, processos e competências exigidas em poucos anos.
Formar trabalhadores apenas para as funções que existem hoje já não resolve sozinho o problema. Escolas técnicas e instituições de ensino precisam observar também aquilo que começa a aparecer dentro das empresas e que, em pouco tempo, pode virar requisito básico.
Quem aprende só para o presente pode chegar atrasado ao mercado.
É aí que a aproximação entre SENAI, indústria e empresas do setor de energia ganha peso. Quanto menor a distância entre a sala de aula e o ambiente industrial, maior a chance de o jovem sair da formação entendendo aquilo que realmente encontrará pela frente.
Nem sempre essa conexão acontece no ritmo necessário.
E aí surge o gargalo.
IA muda tarefas conhecidas e abre espaço para outras profissões
Quando se fala em transformação do setor energético, é fácil imaginar painéis solares, turbinas eólicas ou combustíveis de baixo carbono. Só que uma parte importante dessa mudança está acontecendo dentro de instalações que já existem.
Operações offshore incorporam sistemas automatizados. A IA passa a auxiliar na leitura de grandes volumes de dados. Robôs e sensores chegam a inspeções que antes exigiam outras rotinas, enquanto sistemas digitais permitem acompanhar equipamentos praticamente em tempo real.
A mudança acontece por dentro. E muita gente nem percebe.
Um exemplo apareceu também nos debates sobre campos maduros de petróleo na ROG.e 2026. Brava Energia, PRIO, Karoon e Trident mostraram como tecnologia, gestão e novos investimentos estão sendo usados para prolongar a produção de ativos que já operam há décadas.
Isso não significa simplesmente que uma profissão desaparece e outra nasce no lugar. Na maioria das vezes é mais confuso que isso, porque atividades antigas ganham ferramentas novas e passam a exigir conhecimentos que antes nem faziam parte daquela função.
Um técnico que trabalhava principalmente com equipamentos mecânicos pode começar a lidar com sensores e sistemas digitais. Um engenheiro precisa interpretar dados gerados continuamente por máquinas. Uma equipe de manutenção pode receber apoio de sistemas de IA capazes de identificar padrões antes mesmo de uma falha ocorrer.
A função continua. O jeito de trabalhar, nem sempre.
É nesse ponto que os profissionais STEM passam a ocupar uma posição estratégica. Eles não estarão apenas usando tecnologias desenvolvidas por outras pessoas, mas também poderão participar do desenvolvimento, operação e aperfeiçoamento dessas soluções.
E isso muda bastante coisa.
O desafio também é convencer os jovens de que indústria é tecnologia
Existe outra barreira, e ela não é técnica.
Uma geração que cresceu cercada por aplicativos, IA, startups e grandes empresas de tecnologia pode olhar para a indústria pesada e não perceber de imediato a quantidade de inovação escondida dentro dela.
A imagem de uma indústria antiga ainda pesa.
Só que basta observar uma plataforma offshore por alguns minutos para essa percepção começar a mudar. Ali convivem engenharia, software, automação, telecomunicações, geologia, robótica, análise de dados, segurança operacional e dezenas de outras áreas trabalhando juntas.
É quase uma cidade industrial instalada no mar. E por trás de uma operação desse tamanho existe uma quantidade enorme de tecnologia que raramente aparece para quem está do lado de fora.
A própria discussão sobre o futuro da produção mostra isso. Em outro painel acompanhado pelo CPG, Petrobras, ExxonMobil, Chevron e TotalEnergies discutiram como tecnologia e novas fronteiras poderão ajudar a repor as reservas de petróleo nas próximas décadas.
Tem muita tecnologia ali. Só que ela não aparece em uma tela de celular.
Apresentar esse universo aos estudantes pode fazer diferença na escolha profissional. Não apenas porque existem oportunidades, mas porque alguns dos problemas tecnológicos mais complexos enfrentados pela indústria também estão ali, esperando alguém disposto a resolvê-los.
Para as empresas do setor, essa aproximação começa a deixar de ser apenas uma ação institucional.
Virou necessidade.
Transição energética coloca formação profissional na agenda da indústria
O debate realizado durante a ROG.e 2026 deixa uma mensagem que vai além da tecnologia. A transformação do setor não dependerá somente de capital, novas fontes de energia ou equipamentos mais modernos.
A própria infraestrutura energética brasileira mostra como tecnologia, investimentos e pessoas precisam caminhar juntas. Na cobertura da ROG.e, o CPG mostrou que o país possui uma extensa estrutura de gás natural que ainda enfrenta o desafio de transformar capacidade instalada em consumo efetivo.
Dinheiro e tecnologia sozinhos não fazem uma indústria funcionar.
Será necessário encontrar pessoas capazes de fazer tudo isso sair do papel.
É por isso que a discussão sobre a próxima geração de profissionais STEM aproxima duas pontas que durante muito tempo foram tratadas separadamente: aquilo que as empresas pretendem construir e aquilo que os jovens estão aprendendo antes de entrar no mercado.
As conversas com Beatriz Pelosi, do IBP, e Angelo Nascimento, do SENAI Nacional, mostram justamente essa mudança de percepção. Formar profissionais deixou de ser apenas uma discussão educacional e começou a ocupar espaço dentro da estratégia da própria indústria.
A formação virou parte do negócio.
Existe uma razão bastante prática para isso. Quanto mais a transição energética, a IA e a digitalização avançarem, maior será a necessidade de profissionais que consigam transitar entre engenharia, tecnologia e operação industrial.
As máquinas podem mudar. Os sistemas também.
Mas alguém ainda precisa saber o que fazer com tudo isso.
É aí que a formação dessa nova geração começa a decidir parte do futuro da indústria brasileira.
O Click Petróleo e Gás acompanha a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, trazendo os debates, tecnologias e movimentos que estão redesenhando o setor de energia no Brasil.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

