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China faz quatro lançamentos espaciais em apenas 45 horas, usa foguetes diferentes e acelera plano para colocar até 28 mil satélites em órbita
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 24/09/2026 às 13:09
Atualizado em 24/09/2026 às 13:30
Ciência e Tecnologia
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Sequência entre 15 e 17 de setembro usou quatro foguetes diferentes, três pontos de lançamento e levou satélites das redes Qianfan e Guowang, parte dos planos chineses para ampliar internet espacial em órbita baixa terrestre
O gigante asiático está se movimentando e mostrando seu poder no espaço. A China realizou quatro lançamentos orbitais em cerca de 45 horas entre 15 e 17 de setembro de 2026, usando quatro modelos diferentes de foguetes e três pontos de lançamento. A sequência colocou novos satélites em órbita e mostrou a corrida do país para montar gigantescas redes próprias de internet espacial.
Foram missões bem diferentes entre si. Teve foguete comercial movido a metano, lançamento feito de uma plataforma no mar, operação com veículo estatal e até satélites de observação da Terra. Tudo em menos de dois dias.
Por trás desse ritmo aparece uma demanda enorme. Duas das principais megaconstelações chinesas, Qianfan e Guowang, possuem planos que, somados, chegam a aproximadamente 28 mil satélites em órbita baixa.
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LandSpace abre sequência com dez satélites da Qianfan
A maratona começou em 15 de setembro, na região de Jiuquan, no noroeste chinês. Um foguete Zhuque-2E, desenvolvido pela empresa privada LandSpace, levou dez satélites da constelação Qianfan.
Foi a primeira utilização do Zhuque-2E para colocar um lote de satélites dessa rede em órbita. O veículo utiliza metano e oxigênio líquido como propelentes e integra a expansão do setor comercial de lançamentos da China.
Nem 16 horas haviam passado quando veio outra missão destinada à Qianfan.
Dessa vez, o foguete foi o Gravity-1 Y3, da Orienspace. E o local também mudou completamente: o lançamento ocorreu a partir de uma plataforma móvel instalada no Mar da China Oriental.
O foguete transportou oito satélites Qianfan e um satélite experimental Enhanced Ultra High Throughput, o EUHT.
A carga total passou de três toneladas e foi colocada em órbita a aproximadamente 800 quilômetros de altitude.
Segundo informações divulgadas pelo governo de Pequim, a operação estabeleceu recordes nacionais de massa transportada e altitude alcançada em um lançamento marítimo.
A missão também foi apresentada como o primeiro lançamento marítimo móvel voltado à implantação de uma constelação de banda larga em órbita baixa.
Plataforma no mar aumenta opções para colocar satélites em órbita
O uso do mar não é apenas uma mudança de cenário. Plataformas marítimas oferecem mais alternativas de trajetória e de áreas seguras para a queda dos estágios dos foguetes, além de diminuir a dependência exclusiva dos centros de lançamento instalados em terra.
Isso ganha peso quando o objetivo é lançar grandes quantidades de satélites.
A própria Qianfan mostra o tamanho do desafio. O projeto prevê aproximadamente 15 mil satélites. Para colocar tudo isso no espaço, a China precisa aumentar não apenas a quantidade de foguetes disponíveis, mas também os locais e métodos usados nas operações.
Guowang recebe nove satélites antes de quarto lançamento
Em 17 de setembro, foi a vez da infraestrutura estatal chinesa entrar na sequência. Um Long March 12 colocou nove satélites em órbita para a Guowang, também conhecida como SatNet.
Administrado pela China Satellite Network Group, o projeto prevê aproximadamente 13 mil satélites em órbita baixa.
A proposta é formar uma rede nacional de internet via satélite e ampliar a presença chinesa no mercado internacional de comunicações espaciais.
Pouco mais de duas horas depois daquele lançamento, mais um foguete deixou o solo em Jiuquan.
O Kuaizhou-11 Y3 levou os satélites Tianyi-51 e Tianyi-52, destinados à observação da Terra por radar de abertura sintética.
Essa quarta missão não fazia parte diretamente da Qianfan ou da Guowang, mas completou a sequência de quatro lançamentos orbitais em aproximadamente 45 horas.
China combina empresas privadas, programa estatal e novos foguetes
O ritmo ajuda a explicar por que a capacidade de lançamento virou uma peça central dos planos espaciais chineses. Só Qianfan e Guowang podem reunir aproximadamente 28 mil satélites se seus projetos forem executados conforme previsto.
Para atender essa demanda, a China vem combinando empresas comerciais, como LandSpace e Orienspace, com organizações tradicionais ligadas ao programa espacial estatal.
Há também uma corrida por reutilização. Nenhum dos quatro foguetes utilizados nessa sequência recuperou seu primeiro estágio, mas a LandSpace trabalha em sistemas projetados para reutilização, enquanto organizações estatais desenvolvem tecnologias semelhantes.
A redução dos custos poderá ganhar ainda mais importância à medida que a implantação das megaconstelações crescer.
As redes também vão além do mercado comercial de internet. Análises citadas no material-base apontam que Pequim considera as comunicações por satélite parte de uma infraestrutura que pode atender aplicações civis, governamentais e potencialmente militares. Ao desenvolver sistemas próprios, a China também procura ampliar sua autonomia e reduzir a dependência de redes estrangeiras.
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Fontes: Cavok, com informações atribuídas à LandSpace, Orienspace, governo de Pequim, China Satellite Network Group e organizações ligadas ao programa espacial chinês.
Fonte
https://www.cavok.com.br/
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

