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ENGIE encontra desvio de 17 graus em aerogerador no parque eólico na Bahia, faz ajuste e geração da turbina cresce cerca de 9%
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 25/09/2026 às 19:40
Atualizado em 25/09/2026 às 20:10
Energia Eólica
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ENGIE identifica desalinhamentos em aerogeradores na Bahia e projeta aumento de 2,3% na geração anual sem ampliar fisicamente o parque eólico.
A ENGIE concluiu uma pesquisa no Conjunto Eólico Campo Largo, na Bahia, que poderá aumentar a geração de energia sem acrescentar novas turbinas ao empreendimento. A partir da análise do funcionamento dos aerogeradores, pesquisadores identificaram equipamentos que não estavam posicionados de forma ideal em relação ao vento. Após os primeiros ajustes, uma das turbinas avaliadas apresentou aumento de aproximadamente 9% na produção anual.
O resultado dessa máquina, porém, não representa a projeção para todo o complexo. Considerando os desvios encontrados nos diferentes equipamentos, a companhia calcula que as correções possam acrescentar cerca de 2,3% à geração anual do parque. Segundo a ENGIE, esse volume de energia seria próximo ao que três novos aerogeradores poderiam produzir.
Uma diferença de 17 graus revelou potencial escondido na operação
Um dos casos que ajudaram a demonstrar o efeito do problema envolveu um aerogerador cujo posicionamento apresentava diferença de 17 graus em relação à direção adequada do vento. Com a correção, a produção estimada da unidade avançou cerca de 9% ao longo de um ano.
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A situação está relacionada ao chamado sistema de yaw, responsável por orientar a nacele e as pás para que a turbina acompanhe as mudanças de direção do vento. Quando esse mecanismo opera com algum desalinhamento, parte da energia disponível deixa de ser aproveitada adequadamente.
O efeito não se limita à produção elétrica. Manter uma turbina trabalhando fora da posição ideal também pode ampliar esforços sobre determinados componentes mecânicos, tornando a identificação desses desvios relevante tanto para desempenho quanto para a operação dos equipamentos.
ENGIE transformou dados das próprias turbinas em ferramenta de diagnóstico
Em vez de iniciar a análise instalando uma grande quantidade de novos equipamentos no parque, a pesquisa partiu de informações que os próprios aerogeradores já produzem durante sua operação.
A ENGIE desenvolveu um algoritmo capaz de examinar esses registros, localizar possíveis diferenças de orientação e estimar quanto de geração poderia estar sendo perdido. A ferramenta serviu como uma espécie de triagem das turbinas que necessitavam de uma avaliação mais detalhada.
Depois dessa etapa, as conclusões precisaram ser verificadas em condições reais. Para isso, pesquisadores utilizaram equipamentos LiDAR, tecnologia que emprega laser para obter informações sobre a velocidade e a direção do vento.
Essa combinação permitiu confrontar duas fontes diferentes: de um lado, os dados registrados pelos próprios sistemas das turbinas; de outro, medições realizadas diretamente no ambiente do parque eólico.
Pesquisa recebeu cerca de R$ 700 mil e teve participação de universidade
O trabalho começou em dezembro de 2025 e recebeu investimento próximo de R$ 700 mil. A pesquisa foi conduzida pela ENGIE em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), dentro de um programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.
Além das correções que já estão sendo levadas aos equipamentos de Campo Largo, o estudo deixou uma metodologia que poderá ser aplicada em outros empreendimentos eólicos da companhia.
Entre os resultados que ultrapassam a operação do parque baiano estão:
- criação de procedimentos para detectar desvios de orientação;
- desenvolvimento de conhecimento técnico replicável em outros ativos;
- utilização combinada de análise de dados e sensoriamento a laser;
- formação de pesquisadores especializados por meio de trabalhos acadêmicos;
- apresentação de resultados técnicos em encontros internacionais.
Pesquisas de mestrado também foram incorporadas ao trabalho, ampliando a participação acadêmica no desenvolvimento das técnicas utilizadas.
Ajustes começam a ser aplicados a outros aerogeradores
Com a validação da metodologia, a ENGIE passou a atuar nos demais equipamentos em que o algoritmo apontou necessidade de correção. É a soma dessas intervenções que sustenta a estimativa de crescimento de aproximadamente 2,3% na geração anual do complexo.
A gerente do trabalho, Camylla Amorim, afirmou que os testes permitiram medir de maneira concreta quanto uma orientação inadequada poderia interferir no desempenho. O caso da turbina com diferença de 17 graus serviu como uma das principais validações realizadas em campo.
Já o gerente de Gestão da Performance e Inovação da companhia, Mario Wilson Cusatis, destacou que o conhecimento adquirido poderá ser levado a outros empreendimentos. Para a empresa, dados que já fazem parte da rotina operacional podem ganhar novas funções quando combinados com ferramentas de medição e análise.
Eficiência passa a ser alternativa à expansão física
A experiência no parque da Bahia também aponta para outra possibilidade na expansão da geração renovável: produzir mais energia com equipamentos que já estão instalados.
Construir novas unidades continua sendo uma das formas de aumentar a oferta, mas identificar perdas dentro dos ativos existentes pode recuperar parte da geração sem ocupar novas áreas ou acrescentar imediatamente outras turbinas.
O diretor de Energias Renováveis e Armazenamento da ENGIE Brasil, Guilherme Slovinski Ferrari, relacionou os resultados à aproximação entre pesquisa acadêmica e necessidades da operação industrial. Para a companhia, ferramentas desenvolvidas nessa parceria podem ajudar a elevar a produtividade de ativos renováveis já existentes.
Fonte
Cenário Energia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

