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3.523 dias de avenida fechada contra 26 meses prometidos: a Avenida Santos Dumont, em Fortaleza, volta a ter carro 12 anos após o primeiro bloqueio da obra do metrô, e a Linha Leste só deve ficar pronta em 2028
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 26/09/2026 às 21:45
Atualizado em 26/09/2026 às 21:46
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O trecho da Avenida Santos Dumont em frente ao Colégio Militar foi bloqueado em 2014 com prazo de 14 meses, reabriu em 2016 e voltou a fechar em 2019. Embaixo do asfalto, a estação do metrô continua em obra.
A Avenida Santos Dumont, em Fortaleza, voltou a ter carro na sexta-feira (25) no trecho do Colégio Militar, fechado pela primeira vez em 2014 para a obra do metrô.
A liberação foi marcada para as 9h, informou a Seinfra, a Secretaria da Infraestrutura do Ceará. O bloqueio cai no quarteirão entre as ruas Dona Leopoldina e Nogueira Acioli, no Centro.
A obra do metrô não acabou ali. Ela desceu. A futura Estação Colégio Militar da Linha Leste do metrô de Fortaleza continua sendo construída no subsolo, e a Seinfra prevê concluir a linha inteira em 2028.
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O quarteirão da Avenida Santos Dumont que reabre divide espaço com o canteiro da estação
O trecho devolvido ao trânsito corre colado ao muro do Colégio Militar de Fortaleza. Uma foto de drone feita às 7h da sexta-feira (25), antes da liberação, mostra a pista entre o colégio e o tapume do canteiro.
Do outro lado do tapume ficam o guindaste e as estruturas do canteiro. É ali que o serviço continua, agora concentrado embaixo da terra, explica a Seinfra.
A Seinfra anunciou a mudança como “liberação total” do trecho. Para quem dirige, significa seguir reto pela Avenida Santos Dumont num ponto onde, desde 2019, a pista terminava num bloqueio.
Ônibus deixam o desvio pela Rua Franklin Távora
Quem anda de ônibus sente a mudança primeiro. Durante a interdição da Avenida Santos Dumont, os coletivos davam a volta pela Rua Franklin Távora. Agora, voltam a passar direto pela avenida, informou a Etufor, conforme o Diário do Nordeste.
A Etufor, empresa de transporte urbano da prefeitura, anunciou a volta de oito linhas, mas a relação divulgada traz nove números:
- 032, Av. Borges de Melo II/Papicu
- 035, Av. Paranjana II (Corujão)
- 038, Parangaba/Papicu
- 042, Antônio Bezerra/Francisco Sá/Papicu
- 048, Parangaba/Papicu (Corujão)
- 086, Bezerra de Menezes/Santos Dumont
- 089, Expresso/Parangaba/Papicu
- 713, Riomar Papicu/João XXIII
- 833, Cidade 2000/Centro
Seis delas já tinham sido desviadas em 2014. A 032, a 035, a 042, a 048, a 086 e a 833 estão na lista de mudanças que o Diário do Nordeste registrou na semana do primeiro bloqueio.
Naquela semana de 2014, 10 linhas de ônibus e micro-ônibus da região mudaram de trajeto.
O contorno de três ruas que virou rotina no Centro
Quem vinha do Centro pela Avenida Santos Dumont dobrava à direita na Dona Leopoldina, à esquerda na Franklin Távora e de novo à esquerda na Nogueira Acioli, até voltar à avenida. O desvio foi sempre esse.
O roteiro foi anunciado em agosto de 2014, como registrou o Diário do Nordeste na época. Para o fluxo caber no contorno, as três ruas tiveram o sentido de circulação mudado nesses trechos.
Em junho de 2019, no segundo bloqueio, o caminho indicado aos motoristas foi o mesmo. O contorno voltou para ficar sete anos.
Em 2014, o bloqueio tinha prazo de 14 meses
A Linha Leste do metrô de Fortaleza foi anunciada em 2010, e o canteiro começou no fim de janeiro de 2014, ao lado da estação Chico da Silva, no Centro, registra o Diário do Nordeste.
Em agosto, chegou a vez da Avenida Santos Dumont. O fechamento foi marcado para a sexta-feira 15 de agosto de 2014, para abrir a Estação Colégio Militar, com prazo previsto de 14 meses, conforme o Diário do Nordeste publicou dois dias antes.
Os 14 meses viraram 28. A obra parou no início de 2015. Até ali, o serviço no quarteirão tinha sido tirar do caminho redes de água e esgoto, explicou a Seinfra em 2019.
O trânsito só voltou na tarde de 20 de dezembro de 2016. Na reabertura, a Seinfra desmontou parte do canteiro e refez a sinalização com apoio do Detran-CE. Na primeira noite, motoristas reclamaram da falta de iluminação.
O canteiro que sobrou ficou restrito à Praça da Bandeira, a praça da Igreja do Cristo Rei, e começou a ser desmontado em novembro de 2017. Na época, a Seinfra afirmou que “a retomada da obra depende da liberação dos recursos”.
A avenida reabriu por dois anos e meio e fechou de novo em 2019
A retomada veio no papel em 7 de novembro de 2018, com a assinatura da ordem de serviço e prazo de quatro anos para a obra.
No domingo 9 de junho de 2019, o quarteirão do Colégio Militar foi bloqueado outra vez. A Seinfra falava em pelo menos 12 meses de obra antes de devolver o trânsito, registrou o Diário do Nordeste três dias antes. No dia do bloqueio, O Povo citou a nota da secretaria: o trânsito “deve ser liberado em 12 meses”.
O projeto daquela época previa uma Estação Colégio Militar de três pavimentos: bilheteria, mezanino e plataforma de embarque. Era a terceira de cinco estações entre o Centro e o Papicu, detalhou a Seinfra na mesma nota.
Foram mais de 7 anos de pista fechada. O segundo bloqueio só terminou na sexta-feira (25), com a pista colada ao canteiro e a estação ainda em obras embaixo dela.
A conta dos 12 anos: quase 10 de pista bloqueada
Do primeiro bloqueio, em 15 de agosto de 2014, até a reabertura, em 25 de setembro de 2026, passaram 4.424 dias, ou 12 anos, 1 mês e 10 dias. Nem todo esse tempo foi de avenida fechada, e a diferença conta.
O primeiro fechamento durou 858 dias, até 20 de dezembro de 2016. O segundo, de 9 de junho de 2019 a 25 de setembro de 2026, somou 2.665 dias.
Juntos, dão 3.523 dias de pista interrompida, cerca de 9 anos e 8 meses. Entre um bloqueio e outro, a Avenida Santos Dumont ficou aberta por 901 dias.
Os dois anúncios falavam em 14 meses e em pelo menos 12 meses, 26 no total. Na prática, foram perto de 116 meses de bloqueio.
Quase quatro vezes e meia o anunciado, mostra a conta feita com as datas de cada fechamento e de cada reabertura.
Embaixo do asfalto, a estação que o tatuzão já atravessou
O que prende a obra no Colégio Militar agora está no subsolo. Em 12 de maio de 2025, a tuneladora TBM 02, o tatuzão, rompeu a parede da futura Estação Colégio Militar, informou a Seinfra na época.
A máquina tinha cavado 1.734 metros desde a Estação Chico da Silva. Naquele dia, o Diário do Nordeste registrou que ela trabalha a 30 metros de profundidade.
É o tatuzão de mais de mil toneladas que abre um túnel de seis metros de diâmetro sob o Centro.
A tuneladora gira uma roda de corte na frente e monta, logo atrás, os anéis de concreto que viram a parede do túnel. Por isso a rua de cima não precisa ser aberta de ponta a ponta.
No primeiro trecho foram 1.156 anéis, registra o balanço daquele dia. Dividindo 1.734 metros por 1.156, cada anel cobre 1,5 metro de túnel.
Na superfície, a obra aparece onde há estação ou estrutura de apoio, como o poço de ventilação da Rua 25 de Março, que a Seinfra mostra entre as frentes da Linha Leste.
A obra tem uma segunda máquina, a TBM 01. Em maio de 2025, ela estava a cerca de 400 metros do Colégio Militar, perto da esquina da Avenida Santos Dumont com a Rua 25 de Março, segundo o Diário do Nordeste.
Do Colégio Militar à Nunes Valente, mais 1.755 metros de túnel
Depois do Colégio Militar, a escavação seguiu rumo à Aldeota. Em 16 de julho de 2026, a tuneladora furou a parede da futura estação Nunes Valente depois de mais 1.755 metros, informou a Seinfra em nota.
Entre a chegada ao Colégio Militar e a chegada à Nunes Valente passaram 430 dias. A conta inclui a parada de cerca de três meses para manutenção que a Seinfra informou em maio de 2025.
Foi o segundo trecho subterrâneo concluído. Somados, os dois trechos dão 3.489 metros de túnel entre as estações Chico da Silva e Nunes Valente.
A obra perto da avenida também teve susto. Em 22 de junho, uma perfuração de sondagem da Linha Leste atingiu uma rede de gás natural entre as ruas José Vilar e Nunes Valente, registrou o Diário do Nordeste.
O ponto fica perto da Santos Dumont. Ninguém se feriu, e o vazamento foi controlado.
Oito estações entre o Centro e o Papicu
A página oficial da Linha Leste detalha o projeto atual: 7,3 quilômetros entre o Centro e o Papicu, em duas vias de túneis subterrâneos. Só uma das oito estações fica na superfície, a Tirol-Moura Brasil.
As outras sete ficam embaixo da terra, nesta ordem: Chico da Silva, Sé, Colégio Militar, Luíza Távora, Nunes Valente, Virgílio Távora e Papicu.
No Centro, a linha vai se ligar às linhas Sul e Oeste do metrô de Fortaleza. No Papicu, ao VLT Parangaba-Mucuripe, a Linha Nordeste, e ao Terminal de Ônibus do Papicu, segundo a Seinfra.
Três estações entraram no traçado em 2026
As três paradas novas, Sé, Luíza Távora e Virgílio Távora, foram incorporadas ao projeto em 2026, informa a Seinfra. Em setembro, a espanhola Sacyr venceu a concorrência para construir as três por R$ 1,23 bilhão, registrou o Diário do Nordeste.
A ideia não nasceu agora. Em 2019, a Seinfra já listava, para uma etapa futura, três estações entre o Centro e o Papicu, com os nomes de Catedral, Luíza Távora e Leonardo Mota, como registrou o Diário do Nordeste.
A Sé vai ficar no Centro, perto da Catedral Metropolitana e do Paço Municipal. A Luíza Távora vem logo depois da Estação Colégio Militar, na praça de mesmo nome, entre as ruas Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno.
A terceira aparece com dois nomes. Na página da Seinfra, é Virgílio Távora; na licitação, Leonardo Mota. O mapa do metrô de Fortaleza que a Seinfra publicou em 2019 mostra a parada como Leonardo Mota.
A Avenida Santos Dumont ainda vai ter obra em outros pontos
A reabertura no Colégio Militar não encerra as obras na avenida. A estação Leonardo Mota, ou Virgílio Távora, será construída na própria Avenida Santos Dumont, entre a Rua Coronel Linhares e a Avenida Senador Virgílio Távora, detalha o Diário do Nordeste.
Outros pontos da avenida já tiveram bloqueios da Linha Leste nesta fase. O cruzamento da Avenida Santos Dumont com a Rua João Cordeiro, na Aldeota, ficou fechado mais de um ano, de janeiro de 2025 a maio de 2026.
Do Centro ao Papicu em 15 minutos: a conta da velocidade
O tempo de viagem entre o Centro e o Papicu “será de 15 minutos”, afirma a Seinfra. Dá uma média de 29 km/h com as paradas incluídas: são 7,3 quilômetros divididos por um quarto de hora.
A promessa de tempo é a mesma de 2018, quando o projeto tinha cinco estações, quatro delas subterrâneas. Com as três novas, o trajeto passa a ter oito paradas, e o tempo anunciado continua em 15 minutos.
A capacidade projetada é de cerca de 150 mil pessoas por dia, segundo a página oficial da obra, o mesmo número anunciado em 2019.
Quanto da obra já foi feito
O painel da obra na página oficial da Seinfra mostrava, na sexta-feira (25), 45,99% de execução física e 42,24% de execução financeira.
O primeiro número mede o serviço feito. O segundo mede a parte do orçamento já executada.
Mais de mil trabalhadores atuam diariamente na construção, informou a Seinfra em maio. Em 2019, na retomada do Colégio Militar, eram cerca de 400.
Para a secretaria, é “a primeira linha de metrô totalmente subterrânea do Nordeste e a primeira escavada com tuneladoras”.
Quanto a Linha Leste custa
Em 2019, a Seinfra informou mais de R$ 1,84 bilhão disponível para a primeira fase, a do Centro ao Papicu, então com cinco estações.
Eram R$ 1 bilhão do BNDES, R$ 660 milhões do governo federal e R$ 186 milhões do Tesouro Estadual. Somadas, as três partes dão R$ 1,846 bilhão. Mais da metade vinha do BNDES.
A concorrência das três estações novas, concluída em setembro de 2026, saiu por R$ 1,23 bilhão, conforme o Diário do Nordeste. A Sacyr também fica com os projetos básico e executivo das três paradas, os equipamentos e os serviços especiais.
Os dois números são de épocas e de escopos diferentes. Não dá para somá-los como se fossem o preço final da linha.
2028 é previsão, e o prazo já mudou duas vezes
A previsão atual para concluir a Linha Leste é 2028, informou a Seinfra no anúncio desta semana. A ordem de serviço de novembro de 2018 falava em quatro anos, o que levaria a entrega para 2022.
Em 2024, a previsão era o novo trecho do metrô de Fortaleza começar a operar em 2026, registrou o Diário do Nordeste. Agora, a previsão é 2028.
De 2018 a 2028, são cerca de dez anos de obra, contra os quatro anos da ordem de serviço.
A data da própria avenida andou para os dois lados. Em maio de 2025, a estimativa era uma liberação parcial em julho de 2026. Em julho de 2026, a Seinfra informou outubro como prazo. A liberação ficou para 25 de setembro.
O que acontece agora no Colégio Militar
Com a pista liberada, o serviço segue nas estruturas subterrâneas da futura Estação Colégio Militar, segundo a Seinfra. A programação da sexta-feira (25) incluía uma visita da imprensa aos túneis já concluídos.
Na Avenida Santos Dumont, ainda falta a obra da estação Leonardo Mota, uma das três licitadas em setembro. A Linha Leste inteira do metrô de Fortaleza, com os 7,3 quilômetros do Centro ao Papicu, tem conclusão prevista para 2028.
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Linha Leste
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

