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Rússia forneceu metade do diesel importado pelo Brasil até agosto e 1 em cada 5 toneladas de adubo; na ONU, Lavrov apoiou assento permanente do Brasil
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/09/2026 às 11:52
Economia
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Comex Stat mostra que combustíveis, com o diesel importado à frente, e adubo somam 96% do que o Brasil compra da Rússia. Os números de 2025 e de 2026, mês a mês, e o que Lavrov disse no sábado (26).
A Rússia respondeu por metade de todo o diesel importado pelo Brasil de janeiro a agosto de 2026, mostra o Comex Stat, e também lidera a venda de adubo ao país no período.
O mês mais recente, porém, virou o quadro do diesel: em agosto, a fatia russa foi de 5,5%, e os Estados Unidos mandaram 70,8%.
O Comex Stat é o sistema oficial de estatísticas de comércio exterior do governo federal, consultado pelo CPG em 28 de setembro. Somados, combustíveis e adubos são 96% de tudo o que o Brasil compra da Rússia, segundo os dados.
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No sábado (26), na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o chanceler russo, Serguei Lavrov, disse que a Rússia apoia a candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança.
Combustíveis e adubo: 96% do que o Brasil compra da Rússia
Em 2025, o Brasil importou US$ 9,4 bilhões em produtos russos, registra o Comex Stat. Desse total, US$ 5,06 bilhões foram de combustíveis e óleos minerais (capítulo 27 da tabela de mercadorias) e US$ 4 bilhões, de adubos (capítulo 31).
A conta dá 53,8% para os combustíveis e 42,5% para os adubos, somando 96,3%.
De janeiro a agosto de 2026, a fatia se manteve, segundo o sistema. Foram US$ 7,16 bilhões em compras, com 62,6% em combustíveis e 32,9% em adubos. O restante, 4,5%, inclui produtos químicos, trigo, alumínio e borracha.
O que o Brasil compra da Rússia, mostram os números, se resume a duas coisas: o que vai para o tanque e o que vai para a lavoura.
Rússia foi a 5ª maior fornecedora do Brasil em 2025
Com os US$ 9,4 bilhões, a Rússia foi a quinta maior origem das importações brasileiras em 2025, segundo o Comex Stat. Ficou atrás de China (US$ 70,9 bilhões), Estados Unidos (US$ 45,1 bilhões), Alemanha (US$ 14,4 bilhões) e Argentina (US$ 12,9 bilhões).
O país respondeu por 3,4% de tudo o que o Brasil comprou do exterior no ano, que somou US$ 280,2 bilhões.
Em 2026, até agosto, a Rússia aparece em sexto lugar, registra o sistema. A Coreia do Sul passou à frente, com US$ 7,41 bilhões contra US$ 7,16 bilhões dos russos.
O valor das compras caiu de um ano para o outro. Em 2024, o Brasil tinha importado US$ 10,97 bilhões da Rússia, mostra o Comex Stat. Em 2025, a conta ficou 14% menor.
Diesel russo: 47% do diesel importado pelo Brasil em 2025
O diesel é o produto que mais pesa. Em 2025, o Brasil importou 14,4 milhões de toneladas de óleo diesel, pelo código de mercadoria 2710.19.21, segundo o Comex Stat.
A Rússia mandou 6,76 milhões de toneladas, ou 47,1% de todo o diesel importado. Em valor, o diesel russo somou US$ 4,30 bilhões, 45,3% dos US$ 9,49 bilhões gastos no ano.
Os Estados Unidos vieram em segundo, com 4,73 milhões de toneladas. Índia, Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos completam a lista dos maiores.
A fatia russa variou muito ao longo de 2025. Em abril, chegou a 74% do diesel importado. Em outubro e novembro, ficou em 17% e 16%. Em outubro, a Índia liderou por pouco; em novembro, os Estados Unidos, com 57,5%.
Abril de 2026: 91% do diesel importado veio da Rússia
Em 2026, a oscilação foi ainda maior. De fevereiro a junho, a Rússia liderou as entregas mês a mês, detalha o Comex Stat.
O pico foi em abril. De 999 mil toneladas de diesel que chegaram ao Brasil, 908,7 mil toneladas vieram da Rússia, o equivalente a 91%. Os Estados Unidos ficaram com 9%.
Em março, a fatia russa tinha sido de 75%. Em maio, de 72%. Em junho, de 61,5%.
Somando janeiro a agosto, a Rússia entregou 4,11 milhões de toneladas ao Brasil. É 50,9% de todo o diesel importado no período, que somou 8,07 milhões de toneladas, registra o Comex Stat.
Julho e agosto: a fatia do diesel russo caiu para 5,5%
Os volumes começaram a cair com a queda do diesel russo em junho: 299 mil toneladas, contra 850 mil em maio. A Rússia seguiu líder naquele mês, num total de diesel importado que encolheu para 486 mil toneladas.
A liderança mudou em julho, quando a fatia russa foi de 25,6%, contra 65,9% dos Estados Unidos. Em agosto, caiu para 5,5%: 56 mil toneladas de um total de 1,02 milhão, mostra o Comex Stat.
No mesmo mês, os Estados Unidos responderam por 70,8% do diesel importado, com 721 mil toneladas. A Índia mandou outras 205 mil toneladas.
O Comex Stat registra o país de origem da mercadoria. Não informa o motivo da troca de fornecedor nem o preço pago por cada comprador.
Menos diesel russo, mas conta maior em dólar
Mesmo com a queda a partir de junho, o Brasil pagou mais pelo diesel russo em 2026 do que no mesmo período de 2025, mostram os dados.
De janeiro a agosto de 2025, foram 5,42 milhões de toneladas por US$ 3,45 bilhões. No mesmo período de 2026, 4,11 milhões de toneladas por US$ 3,70 bilhões, registra o Comex Stat.
O volume caiu 24%. O valor subiu 7%.
Na conta do CPG, dividindo o valor pelo peso, o preço médio da tonelada de diesel russo passou de US$ 637 para US$ 901, alta de 41%. O valor registrado é o FOB, sem frete nem seguro.
Somando todas as origens, o Brasil comprou 11% menos diesel importado até agosto e gastou 29% mais: US$ 7,68 bilhões, contra US$ 5,97 bilhões em 2025.
Adubo russo: US$ 4 bilhões em 2025
O segundo produto da lista é o adubo. Em 2025, o Brasil importou 45,5 milhões de toneladas de adubos de todas as origens, por US$ 15,49 bilhões, registra o Comex Stat.
A Rússia mandou 11,09 milhões de toneladas de adubo, por US$ 4 bilhões. Em valor, foi a maior fornecedora do ano, com 25,8% do total.
Depois de Rússia e China, os maiores fornecedores em peso foram Canadá, Marrocos, Egito e Nigéria, cada um com menos da metade do volume russo, mostram os dados.
Potássio, NPK e nitrogênio: os três tipos de adubo russo
O adubo russo que chega ao Brasil se divide em três grupos da tabela oficial de mercadorias, conforme o Comex Stat.
O maior é o adubo potássico. Em 2025, foram 6,2 milhões de toneladas, por US$ 1,87 bilhão.
Em seguida vêm os adubos que misturam dois ou três dos nutrientes principais (nitrogênio, fósforo e potássio), a família do NPK. Foram 2,4 milhões de toneladas, por US$ 1,32 bilhão.
O terceiro grupo são os adubos nitrogenados russos. Somaram 2,49 milhões de toneladas, por US$ 819 milhões.
De janeiro a agosto de 2026, a ordem se repetiu: US$ 1,02 bilhão em potássio, US$ 906 milhões em adubos mistos e US$ 428 milhões em nitrogenados.
China passou a Rússia em toneladas de adubo em 2025, mas não em dólar
Há um detalhe na tabela de 2025. Pelo peso, a China mandou mais adubo ao Brasil do que a Rússia: 11,99 milhões de toneladas, contra 11,09 milhões, informa o Comex Stat.
Pelo valor, a ordem se inverte. Os chineses somaram US$ 2,91 bilhões, e os russos, US$ 4 bilhões.
Na conta do CPG, a tonelada média de adubo chinês saiu por US$ 243, e a de adubo russo, por US$ 361.
O sistema não informa qual adubo vale mais para cada lavoura. O registro mostra só peso, valor e origem.
Em 2026, a Rússia voltou ao topo do adubo importado
De janeiro a agosto de 2026, a Rússia voltou à frente nos dois critérios, segundo o Comex Stat. Mandou 5,49 milhões de toneladas, ou 21,6% de todo o adubo importado, por US$ 2,36 bilhões.
É cerca de 1 em cada 5 toneladas. A China ficou com 4,62 milhões de toneladas (18,2%), e o Canadá, com 3,85 milhões (15,2%).
O volume russo, porém, caiu 31%. No mesmo período de 2025, tinham sido 7,93 milhões de toneladas, registra o sistema.
O Brasil como um todo também comprou menos adubo até agosto: 25,4 milhões de toneladas, contra 29,4 milhões em 2025. O valor gasto ficou praticamente igual, em US$ 10 bilhões.
Petróleo bruto: a Rússia quase não aparece
No petróleo bruto, a Rússia pesa pouco. Em 2025, o Brasil importou 12,1 milhões de toneladas de óleo cru, por US$ 6,61 bilhões, detalha o Comex Stat.
A Rússia mandou 170 mil toneladas, 1,4% do total. Ficou em 11º lugar entre 16 países de origem.
Os maiores fornecedores foram os Estados Unidos (US$ 1,80 bilhão) e a Arábia Saudita (US$ 1,79 bilhão), seguidos por Argélia, Guiana e Angola.
Em 2026, até agosto, a presença russa encolheu ainda mais: 35,5 mil toneladas, por US$ 32,2 milhões, registra o sistema. A Arábia Saudita lidera o período.
O que o Brasil vende para a Rússia: carne, café e soja
Na outra mão, o Brasil vendeu US$ 1,52 bilhão à Rússia em 2025, de acordo com o Comex Stat. A carne bovina congelada liderou, com US$ 472,8 milhões, 31,1% do total.
O café veio logo atrás, com US$ 459,3 milhões. Soja, amendoim, fumo e extratos de café completam os primeiros lugares.
Em 2026, as vendas cresceram. De janeiro a agosto, foram US$ 1,19 bilhão, 22% a mais do que no mesmo período de 2025.
Só a carne bovina somou US$ 431 milhões em oito meses, quase o valor de 2025 inteiro. Agosto foi o melhor mês de 2026, com US$ 257,1 milhões em vendas brasileiras à Rússia.
Déficit de US$ 7,9 bilhões com a Rússia em 2025
Como o Brasil compra muito mais do que vende, a conta fecha no vermelho. Em 2025, o déficit comercial com a Rússia foi de US$ 7,89 bilhões, registra o Comex Stat.
Em 2024, tinha sido maior: US$ 9,52 bilhões, com compras de US$ 10,97 bilhões e vendas de US$ 1,45 bilhão.
De janeiro a agosto de 2026, o saldo negativo soma US$ 5,97 bilhões. As compras subiram 1,7%, e as vendas, 22%.
Na conta do CPG, para cada US$ 1 que o Brasil vendeu à Rússia em 2025, comprou cerca de US$ 6 em produtos russos.
O que Lavrov disse na ONU sobre o Brasil
No sábado (26), Lavrov falou no debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Tratou da reforma do Conselho de Segurança perto do fim do discurso.
Primeiro, disse que a reforma não pode dar novos assentos a países ocidentais, “especialmente à Alemanha e ao Japão”, que acusou de seguir um caminho de “militarização e revanchismo”, segundo a ONU.
Em seguida, veio a frase sobre o Brasil: “Somos a favor de ampliar a representação da Ásia, da África e da América Latina. Apoiamos as candidaturas do Brasil e da Índia a um assento permanente”, segundo a transcrição da ONU, traduzida pelo CPG.
O resumo oficial da sessão registra o mesmo apoio e o pedido de atender aos interesses da África. Na transcrição, o Brasil aparece uma única vez no discurso de Lavrov, nessa frase.
Em outro trecho, Lavrov citou os confrontos no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, que, disse, atingem “a navegação e o comércio mundiais”.
Conselho de Segurança: o que falta para a cadeira do Brasil
Pela Carta da ONU, o Conselho de Segurança tem 15 membros. Cinco são permanentes, com poder de veto: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e a própria Rússia.
Uma cadeira permanente nova exige mudar a Carta. O artigo 108 registra que a emenda precisa de dois terços da Assembleia Geral, 129 dos 193 países, e de ratificação por dois terços dos membros, incluindo os cinco permanentes.
O Brasil já ocupou 11 mandatos temporários de dois anos no conselho, 22 anos no total, o último em 2022 e 2023, mostra a lista oficial da ONU. Faz campanha pela vaga fixa ao lado de Alemanha, Índia e Japão, no grupo chamado G4.
Diesel importado e adubo: o que os próximos dados vão mostrar
O Comex Stat é atualizado todo mês. Na consulta de 28 de setembro, os dados iam até agosto de 2026, e setembro ainda não estava disponível.
Dois números vão dizer se o quadro de julho e agosto se mantém. O primeiro é a fatia russa no diesel importado, que caiu de 91% em abril para 5,5% em agosto.
O segundo é o adubo. A Rússia lidera 2026 até agosto, mas com volume 31% menor do que de janeiro a agosto de 2025, num ano em que o Brasil comprou menos adubo de todas as origens.
Os dados do Comex Stat mostram peso, valor e origem. Não explicam, por si, o motivo de cada troca de fornecedor.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

