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Obra usa 25,5 toneladas de gelo para lançar concreto a cerca de 30 metros de profundidade na ETE Barueri, a maior estação de esgoto da América do Sul
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 30/09/2026 às 23:31
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Na nova elevatória de contingência da ETE Barueri, da Sabesp, a laje de fundo de 1,20 m recebeu 280 m³ de concreto em sete horas, com 120.400 kg de cimento e sensores de temperatura. Entenda por que uma obra põe gelo no concreto.
Foram 25.500 kg de gelo misturados ao concreto para preencher, em sete horas, o fundo de um poço a cerca de 30 metros abaixo do terreno. A operação aconteceu em 31 de julho de 2026 na ETE Barueri, a estação de tratamento de esgoto da Sabesp na Grande São Paulo.
A concretagem foi a maior da obra da nova Estação Elevatória de Contingência, informou Thiago Flores em publicação no LinkedIn. A equipe lançou 280 m³ de concreto numa laje de fundo com 1,20 m de espessura.
Quem executou foi o Consórcio AGCS/Elevação, registrou o post. Além do gelo, a mistura consumiu 120.400 kg de cimento, e termopares acompanharam a temperatura do concreto durante o lançamento.
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O que foi feito no fundo do poço da ETE Barueri
A peça concretada é a laje de fundo da nova elevatória da ETE Barueri. Com 1,20 m de espessura, ela recebeu os 280 m³ de uma vez, em sete horas.
No post, Thiago Flores listou o que a operação mobilizou: 12 profissionais no lançamento, bomba lança, caminhões betoneira, guindaste, motovibradores e termopares. O lançamento ocorreu a aproximadamente 30 metros abaixo do nível do terreno, escreveu ele.
O cimento usado foi o CP III-40 RS, informou Flores. Entre os resultados, ele registrou temperatura de lançamento dentro das especificações do projeto, consumo de materiais conforme o planejado e zero acidentes.
Por que colocar gelo no concreto
O cimento esquenta quando reage com a água. Essa reação, a hidratação, é o que faz o concreto endurecer.
Numa laje de 1,20 m, o miolo fica preso entre camadas de concreto e esquenta mais que a superfície, que perde calor para o ar e o solo.
Com o centro muito mais quente que a borda, as partes se dilatam e se contraem em ritmos diferentes, e o concreto pode fissurar. Na engenharia, isso tem nome: fissura de origem térmica, causada pelo calor da hidratação em peças de grande massa de concreto.
O gelo baixa a temperatura de partida. Parte da água da mistura vai sólida, e cada quilo absorve cerca de 334 kJ ao derreter.
Com o concreto saindo mais frio da betoneira, o pico de calor lá dentro tende a ser menor. Não por acaso, o post de Flores cita o “controle térmico rigoroso do concreto” entre os principais desafios.
A conta do gelo: quanto foi por metro cúbico de concreto
Na análise da redação, feita com os números da publicação, os 25.500 kg de gelo divididos pelos 280 m³ dão cerca de 91 kg de gelo por metro cúbico de concreto.
Já o cimento ficou perto de 430 kg por metro cúbico, mostra a mesma conta da redação. O gelo pesou o equivalente a 21% do cimento da mistura.
Os 25.500 kg de gelo absorvem perto de 8,5 gigajoules só para derreter, cerca de 2.360 kWh, na leitura da redação, usando o calor latente de fusão da água.
O post não informa a temperatura-alvo do concreto nem a água total da mistura. Por isso não dá para dizer qual fração da água virou gelo.
Sete horas sem parar: o ritmo da concretagem
Concretar uma laje grossa de uma vez evita emendas. Mas exige concreto chegando sem interrupção.
Na análise da redação, 280 m³ em sete horas dão média de 40 m³ por hora. A publicação cita a “complexa logística de caminhões betoneira” entre os desafios, sem dizer quantos caminhões foram usados.
Na leitura da redação, uma laje de 280 m³ com 1,20 m de espessura cobre cerca de 233 m², ou, se o fundo for circular como mostram as fotos do post, um diâmetro de uns 17 metros. O post não informa área nem diâmetro.
O cimento escolhido para a obra da ETE Barueri
CP III é a sigla do cimento Portland de alto-forno, que leva escória da siderurgia na composição e tem baixo calor de hidratação.
O 40 é a classe de resistência, em megapascals. RS quer dizer resistente a sulfatos, compostos comuns em redes de esgoto.
Cimentos de alto-forno costumam ser indicados para concreto-massa, como barragens e peças de grandes dimensões. O post de Flores não diz por que esse cimento foi escolhido para a laje.
Para que serve a elevatória de contingência da ETE Barueri
A elevatória faz parte das obras de modernização da ETE Barueri, uma parceria da Sabesp com o Consórcio AGCS/Elevação, escreveu Gustavo Fehlberg em outra publicação no LinkedIn, de 26 de agosto de 2026.
O objetivo, afirmou Fehlberg, é trazer mais segurança e flexibilidade operacional para a maior estação de tratamento de esgoto da América do Sul. A estação da Sabesp atende cerca de 11 milhões de pessoas na Grande São Paulo, disse ele.
Uma elevatória de contingência é uma estrutura extra de bombeamento. Serve de reserva para a estação não depender de um caminho só.
420 toneladas de aço e 2.800 m³ de concreto no poço
Na publicação de agosto, Gustavo Fehlberg anunciou a conclusão do poço principal da nova elevatória. A escavação chegou a 25 metros de profundidade, o equivalente a um prédio de oito andares debaixo da terra, comparou ele.
A estrutura levou mais de 420 toneladas de aço e 2.800 m³ de concreto, informou Fehlberg. Na análise da redação, a laje concretada com gelo em julho representa 10% desse volume.
Os dois posts usam medidas diferentes: 25 metros de escavação, no texto de Fehlberg, e cerca de 30 metros abaixo do terreno no lançamento, no de Flores. As publicações não explicam a diferença.
Parede diafragma e solo reaproveitado
Um dos destaques técnicos da obra da ETE Barueri foi a parede diafragma, contou Fehlberg. Ela segurou o terreno na escavação e agora faz parte da estrutura definitiva do poço, o que otimiza o tempo e reduz custos, afirmou.
O material escavado foi 100% reaproveitado, registrou o post. Uma máquina classificadora no canteiro separou o solo, usado depois em aterros e acessos internos da obra da Sabesp.
Com isso, a obra evitou o envio de resíduos para fora, diminuiu o tráfego de caminhões na região e reduziu emissões de CO2, escreveu Fehlberg.
O próximo passo: o túnel até a estrutura a 42 metros
A fase seguinte é a escavação de um túnel subterrâneo, informou Fehlberg. Ele vai ligar a nova elevatória à estrutura existente da ETE Barueri, que fica a 42 metros de profundidade.
Os posts não dão prazo para o túnel nem data de operação da elevatória.
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Sabesp
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

