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Família começou vendendo mercadorias em 4 barcos pelos rios da Amazônia, morou sobre supermercado de 5 caixas e construiu Grupo Líder de R$ 5,45 bilhões
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 01/10/2026 às 11:38
Atualizado em 01/10/2026 às 11:39
Notícias Corporativas
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De uma pequena operação fluvial em Igarapé-Miri a 30 lojas e cerca de 18 mil trabalhadores, trajetória da família Rodrigues atravessou mais de seis décadas no Pará
Na década de 1960, Jerônimo Rodrigues e os filhos Osmar, Oscar, João, José e Celso percorriam os rios paraenses com mercadorias em uma pequena frota que chegou a quatro embarcações. Partindo de Igarapé-Miri, a família abastecia comunidades do Marajó, da região do Salgado e, posteriormente, do Baixo Amazonas. Era uma operação pequena, baseada principalmente na capacidade de levar produtos até consumidores espalhados por diferentes pontos do estado.
Mais de seis décadas depois, aquele comércio fluvial havia se transformado no Grupo Líder, maior rede supermercadista do Pará e da Região Norte em faturamento, segundo o Ranking ABRAS 2026. Em 2025, a Líder Comércio e Indústria registrou R$ 5.448.791.436 em receita e alcançou a 24ª posição entre as maiores empresas supermercadistas brasileiras. A transformação entre os quatro barcos e uma companhia bilionária começou a ganhar outra dimensão em 1973.
Mudança para Belém em 1973 abriu caminho para primeiro supermercado da família Rodrigues
Jerônimo Rodrigues e os filhos deixaram Igarapé-Miri em 1973 e transferiram a operação para Belém. Na capital paraense, compraram o Café Líder, localizado no Porto do Sal, e criaram naquele mesmo ano os Armazéns Líder, voltados ao comércio atacadista de gêneros alimentícios. O negócio começava, assim, a deixar os rios para ganhar uma estrutura urbana.
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Dois anos depois, em 1975, a família inaugurou seu primeiro supermercado no bairro da Condor. A dimensão daquele estabelecimento ajuda a mostrar quanto o negócio mudaria nas décadas seguintes. A loja tinha apenas cinco caixas, enquanto os Rodrigues chegaram a morar no andar superior do próprio supermercado. Naquele período, casa e empresa funcionavam praticamente no mesmo endereço.
Grupo Líder cresceu junto com Belém e avançou para diferentes setores
Nas décadas seguintes, novas lojas foram abertas enquanto Belém e sua região metropolitana cresciam. Ao mesmo tempo, o supermercado deixou de representar toda a operação. O grupo avançou para magazines, farmácias, material de construção, shopping center, serviços de saúde, óticas e pet shops.
Entre os negócios associados à expansão estão Castanheira Shopping Center, Magazan, FarmaLíder, Home Center, Pets Líder e Líder Saúde. A diversificação permitiu reunir diferentes serviços em algumas unidades, ampliando a operação para além das tradicionais prateleiras de alimentos.
Essa expansão também chegou ao campo. As Fazendas Três Marias, em Castanhal e São Francisco do Pará, desenvolvem projetos de engorda de bovinos Nelore e contribuem para o fornecimento de carne às lojas. Em 2019, porém, Oscar Rodrigues explicou que essa produção não era suficiente para atender toda a demanda da rede, que continuava recorrendo a fornecedores externos.
Centro de distribuição de 70 mil m² levou logística do Líder para outra escala
Uma das maiores diferenças entre os barcos dos anos 1960 e a estrutura atual aparece longe das lojas. Em 2007, o Grupo Líder inaugurou seu centro de distribuição para concentrar as operações logísticas das diferentes empresas da organização.
O complexo possui 70 mil metros quadrados de área construída em um terreno de 156 mil metros quadrados e foi projetado para abastecer até 50 lojas. No mesmo espaço também funcionam atividades relacionadas à FarmaLíder, reciclagem de resíduos, laboratório das óticas e estruturas frigoríficas ligadas às peixarias.
A mudança de escala é expressiva. Antes, quatro embarcações ligavam mercadorias às comunidades pelos rios paraenses. Décadas depois, caminhões, depósitos, sistemas informatizados e uma grande central logística passaram a desempenhar outra versão daquela mesma função.
Antigos endereços do Supermercados Nazaré passaram a receber lojas do Líder
O crescimento também modificou endereços conhecidos do varejo de Belém. Na Avenida Duque de Caxias, o Grupo Líder arrematou por R$ 25 milhões o imóvel onde anteriormente funcionava uma unidade do Supermercados Nazaré. Posteriormente, o prédio foi transformado em uma loja da rede.
Outro movimento ocorreu em julho de 2024, quando o Líder inaugurou sua 28ª unidade na Travessa São Francisco. O empreendimento possui aproximadamente 6,9 mil metros quadrados de área de vendas e reuniu supermercado com diferentes serviços do grupo. Naquele período, a companhia já informava ter alcançado cerca de 18 mil trabalhadores.
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Viviane Alves
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De quatro barcos a 30 lojas, 18 mil funcionários e faturamento de R$ 5,45 bilhões
Em julho de 2026, Oscar Rodrigues informou ao jornal O Liberal que o Grupo Líder havia chegado a 30 lojas e aproximadamente 18 mil funcionários. Mesmo com esse tamanho, a companhia continuava operando exclusivamente no Pará, concentrando sua expansão dentro do próprio mercado regional.
O faturamento mostra ainda melhor essa transformação. Segundo o Ranking ABRAS 2026, o Grupo Líder registrou R$ 5.448.791.436 em 2025, contra aproximadamente R$ 5,248 bilhões no ano anterior. A diferença representa crescimento nominal próximo de R$ 200,7 milhões.
A administração continua ligada à família Rodrigues, com participação das gerações seguintes nos negócios. O desafio atual, portanto, está muito distante daquele enfrentado por Jerônimo e os filhos quando percorriam os rios amazônicos carregando mercadorias.
A fotografia das duas pontas dessa história resume a mudança. De um lado estavam quatro barcos abastecendo comunidades paraenses na década de 1960. Do outro está uma empresa que, em 2025, faturou R$ 5,45 bilhões e chegou à 24ª posição entre as maiores supermercadistas do Brasil.
Entre uma realidade e outra passaram-se mais de seis décadas. Ainda assim, uma característica permaneceu reconhecível: o negócio que nasceu levando mercadorias até consumidores pelos rios cresceu construindo uma estrutura muito maior para continuar resolvendo, em outra escala, o mesmo desafio de abastecimento.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

