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Erupção solar pode afetar GPS, rádio e energia? Nas 3 escalas da NOAA, o que separa interferência de uma tempestade severa
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 03/10/2026 às 14:00
Atualizado em 03/10/2026 às 14:01
Ciência e Tecnologia
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Uma erupção solar solta luz, partículas e plasma, e cada um pesa de um jeito no rádio, no GPS e na rede elétrica, em 3 escalas oficiais.
Segundo a NOAA, a erupção solar pode cortar o rádio, e só em níveis altos chega a atrapalhar o GPS. A NOAA, agência americana de clima espacial, mede o estrago em 3 escalas de 1 a 5, consultadas em 3 de outubro de 2026.
O que sai de uma erupção solar: luz, partículas ou nuvem de plasma?
Segundo a NASA, uma erupção solar pode lançar até três coisas ao espaço de uma vez.
- Labareda: clarão de luz e raios X. Chega à Terra em cerca de 8 minutos.
- Chuva de partículas: prótons e elétrons. Os mais rápidos cruzam 150 milhões de km em 30 minutos ou menos.
- Ejeção de massa coronal: nuvem de plasma com bilhões de toneladas. Leva de 15 horas a vários dias.
Na erupção solar é como num temporal: o clarão vem primeiro, e a pancada chega depois.
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As escalas de clima espacial da NOAA existem para explicar ao grande público os efeitos possíveis. A radiação de uma erupção solar não machuca quem está no chão, explica a NASA: o campo magnético e a atmosfera protegem.
A erupção solar pode causar blecaute de rádio?
Pode, e é o primeiro efeito a chegar. O blecaute de rádio acompanha a labareda e atinge o rádio de alta frequência (HF), segundo a NOAA.
A escala R, de blecaute de rádio, vai de 1 a 5 e segue a classe da labareda.
- R1 (classe M1): perda de contato ocasional.
- R2 (M5): dezenas de minutos sem contato.
- R3 (X1): cerca de 1 hora, em área ampla.
- R4 (X10): de 1 a 2 horas na maior parte do lado iluminado da Terra.
- R5 (X20): várias horas em todo o lado iluminado.
Na tabela da NOAA, o blecaute de rádio vale para o lado iluminado da Terra, onde é dia na hora da labareda. Uma labareda que acontece durante a noite no Brasil deixa o país fora dessa área.
Quando o GPS e a rede elétrica sentem o efeito?
O GPS só entra na conta em níveis altos, mostra a tabela da NOAA: a navegação por satélite aparece a partir do nível 3 da escala G e do 4 da R.
A rede elétrica sente mais cedo, em oscilações fracas já no nível 1 da escala G. A causa é a tempestade geomagnética, que pode nascer quando uma ejeção de massa coronal chega ao campo magnético da Terra, explica a NASA.
Aí, correntes induzidas podem danificar transformadores, relés e disjuntores e causar quedas de energia. A NASA detalha que a atmosfera esquenta e incha, o que aumenta o arrasto sobre alguns satélites em órbita.
Na escala G, a de tempestade geomagnética, a NOAA descreve assim.
- G1 (menor): oscilações fracas na rede elétrica.
- G3 (forte): ajustes de tensão, alarmes falsos em proteções e GPS intermitente.
- G4 (severo): GPS degradado por horas; proteções podem desligar equipamentos da rede por engano.
- G5 (extremo): algumas redes podem colapsar, transformadores podem se danificar, GPS degradado por dias.
É lista de efeitos possíveis, não previsão.
Qual é a diferença entre interferência e tempestade severa?
A diferença está no nível: na classificação da NOAA, 1 é menor, 2 é moderado, 3 é forte, 4 é severo e 5 é extremo.
Nos níveis 1 e 2, que a NOAA chama de menor e moderado, o rádio de alta frequência perde contato de vez em quando ou por dezenas de minutos, e a escala G não cita a navegação por satélite.
A tempestade severa de uma erupção solar começa no nível 4, de acordo com a NOAA. No R4, o rádio de alta frequência cai por 1 a 2 horas na maior parte do lado do dia.
No G4, o GPS degrada por horas e proteções desligam equipamentos da rede por engano.
A terceira escala, a S, mede a chuva de partículas. Ela pesa mais para satélites e para quem voa alto em altas latitudes, conforme a tabela da NOAA.
A conta a seguir é da redação. O ciclo solar de 11 anos tem cerca de 4.000 dias. Segundo as médias da NOAA, 900 deles trazem tempestade geomagnética de nível G1, cerca de 22% dos dias do ciclo.
O G5 aparece em 4 dias, ou 0,1%, e o blecaute de rádio R4 em 8, ou 0,2%.
Os degraus também não têm o mesmo tamanho. Na medida de raios X da NOAA, o pico que define o R5 (classe X20) é 200 vezes o que define o R1 (classe M1).
Quando o Sol fica mais ativo?
No máximo solar, o pico do ciclo de 11 anos, o clima espacial fica mais agitado: a erupção solar e seus efeitos ficam mais comuns, segundo a NASA. As manchas solares aumentam junto e marcam as regiões ativas de onde as erupções saem.
A nuvem de plasma, que traz a tempestade geomagnética, leva de 15 horas a vários dias para chegar, segundo a NASA. A labareda não dá janela nenhuma.
Numa erupção solar, a luz não avisa: quando a gente vê o clarão, a maior parte do efeito já chegou, explica a NASA.
Onde conferir o clima espacial do dia?
A resposta está na página das escalas da NOAA, consultada pela redação em 3 de outubro de 2026. O painel de clima espacial mostra o último nível observado e o máximo de 24 horas.
Ele cobre R (blecaute de rádio), S (radiação) e G (tempestade geomagnética).
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clima espacial
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

